O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, criticou hoje a resposta da comunidade internacional contra a pandemia, lamentando que não tenha sido possível mitigar a propagação do novo coronavírus e a falta de coordenação dos países.

“Um vírus colocou-nos de joelhos e não soubemos combatê-lo de forma eficaz. Agora está a espalhar-se a todas as partes [do mundo]. Não houve controlo, não houve coordenação eficaz entre os Estados-membros [que pertencem à ONU]. Estamos divididos na luta contra a covid-19”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, durante uma conferência de imprensa através de videoconferência, citado pela agência espanhola Efe.

O português Guterres recordou que “este vírus microscópico trouxe consequências catastróficas” para o mundo e evidenciou os problemas sistémicos da comunidade internacional, agravando a perda de confiança dos cidadãos em políticos e nas instituições.

“Diante de estas fragilidades, os líderes internacionais têm de ser humildes e reconhecer a importância vital da unidade e da solidariedade”, defendeu o líder da ONU.

António Guterres reconhecer que é impossível prever o que vai acontecer nos próximos tempos: “Estamos no meio do nevoeiro”.

Em relação à gestão da ONU, Guterres disse que a organização se mobilizou para “salvar vidas, controlar a transmissão do novo coronavírus e reduzir o impacto económico” da pandemia, insistindo que não é possível recriar sistemas que “agravaram a crise” actual.

“Temos de nos reconstruir melhor com sociedades e económicas mais sustentáveis, inclusivas e com igualdade de género”, sustentou, realçando que este é o momento oportuno para investir nas energias renováveis e limpas e na construção de postos de trabalho decentes.

A pandemia de covid-19 já provocou quase 482 mil mortos e infectou mais de 9,45 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

António Guterres pede “reinvenção” de um mundo “em ebulição”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou hoje a uma “reinvenção” do mundo que está “em ebulição” devido à pandemia, na véspera no 75.º aniversário da adopção da Carta da ONU.

“Este aniversário deve ser a oportunidade para “juntos reinventarmos o mundo que compartilhamos”, destacou o ex-primeiro-ministro português aos jornalistas, citado pela agência AFP.

E acrescentou: “para isso, precisamos de um multilateralismo efectivo que funcione como um instrumento de governação global onde for necessário”.

A Carta da ONU foi assinada em São Francisco, nos Estados Unidos, em 26 de junho de 1945 e entrou em vigor em 24 de outubro de 1945.

Durante a apresentação do livro “Salvando vidas, protegendo as sociedades, recuperando melhor”, sobre as acções realizadas para combater a pandemia e com metas para o futuro, António Guterres destacou a necessidade de se inovar.

“Não podemos voltar à situação anterior e simplesmente recriar os sistemas que pioraram a crise. Devemos reconstruir melhor, com sociedades e economias mais sustentáveis, inclusivas e com igualdade de género”, afirmou.

O secretário-geral da ONU acredita, por isso, que não há razões para incluir o carvão nos planos de recuperação dos países.

“É hora de se investir em fontes de energia que não poluem, que não geram emissões [de gases de efeito estufa], que geram empregos decentes e economizam dinheiro”, apontou.

Para o futuro, as prioridades são claras: “acesso universal à saúde, fortalecendo a solidariedade entre povos e nações, e repensando a economia mundial contra a desigualdade”.

António Guterres sublinhou ainda que no 75.º aniversário da Carta é necessário “repensar a maneira como as nações cooperam”.

Apesar do Conselho de Segurança da ONU não ter sido capaz de adotar uma resolução baseado nas suas medidas, Guterres saudou o facto do seu pedido em 23 de março, para um cessar-fogo global para facilitar a luta contra a pandemia, ter sido ouvido.

O pedido foi apoiado por quase 180 países, dos 193 membros das Nações Unidas, por mais de 20 grupos armados, líderes religiosos e milhões de membros da sociedade civil, vincou, reconhecendo, no entanto, a falta de concretização no terreno.

No Iémen e na Líbia, a violência aumentou.

A assinalar 75 anos, a ONU tem demonstrado a capacidade de ajudar os países a resolverem os seus problemas, destacou o responsável.

“Hoje, a comida é levada a 87 milhões de pessoas em 83 países e as vacinas são fornecidas a metade das crianças do mundo, salvando 3 milhões de vidas a cada ano”, apontou.

A ONU cuida ainda de 80 milhões de refugiados e pessoas deslocadas, e ajuda mais de dois milhões de mulheres e meninas a evitar complicações decorrentes da gravidez e do parto.

O organismo procura ainda preservar a paz através de 40 missões políticas ou dos “capacetes azuis”.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade