O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), maior partido da oposição cabo-verdiana vai realizar eleições diretas para escolher o novo presidente em 22 de dezembro, enquanto o congresso será no próximo ano, deliberou domingo o conselho nacional.

O deputado e porta-voz da reunião do conselho nacional do PAICV, Manuel Inocêncio Sousa, informou que as eleições internas foram marcadas para 22 de dezembro, enquanto o XVI Congresso vai acontecer entre 31 de janeiro e 02 de fevereiro de 2020.

O conselho nacional do PAICV, cuja reunião terminou domingo, fixou ainda em 364 o número de delegados ao congresso do próximo ano, que irá decorrer na cidade da Praia e vai eleger os seus novos membros, avançou Manuel Inocêncio Sousa.

Para as eleições internas do PAICV, até agora mostraram disponibilidade para ir a votos como candidatos o deputado José Sanches, eleito pelo círculo eleitoral de Santiago Norte, e a atual líder do partido, Janira Hopffer Almada, eleita pelo círculo eleitoral de Santiago Sul.

O conselho nacional do PAICV abordou ainda a agenda autárquica para 2020, onde foi definido, segundo o porta-voz, que o partido pretende “melhorar a sua representação” no poder autárquico, tendo em conta que nas eleições de 2016 venceram apenas duas câmaras municipais (Santa Cruz, em Santiago, e Santa Catarina, no Fogo).

Segundo Manuel Inocêncio Sousa, este órgão do maior partido da oposição cabo-verdiana debruçou-se igualmente sobre a situação política, económico e social de Cabo Verde, tendo concluído que “o país não está bem” e que a governação “tem falhado” relativamente aos principais setores.

O porta-voz destacou o setor dos transportes, salientando que o país está “à deriva”, bem como a segurança, que constitui “uma grande preocupação” de todos os cabo-verdianos, particularmente os residentes na cidade da Praia.

“O Governo insiste em responsabilizar a oposição, dizendo que está a fazer alarme relativamente a essa matéria, e em responsabilizar a imprensa, dizendo que está a transmitir uma ideia exagerada. Pensamos que o Governo deve encarar com objetividade e com medidas sérias a situação que nós temos”, apelou.

O deputado afirmou que o partido continua disponível para contribuir com “medidas de fundo” e “entendimentos” com o Governo para melhorar a situação de segurança no país.

Entretanto, o porta-voz disse que as medidas que o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) tomou em três anos não produziram efeitos e que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, não tem mostrado disponibilidade para o diálogo com a oposição.

No que diz respeito aos transportes, Inocêncio Sousa considerou que as medidas continuam “erradas”, afirmando que o Governo e a concessionária do transporte marítimo de passageiros, a Cabo Verde Interilhas, vão “de falhanço em falhanço” e de “má decisão em má decisão”.

O deputado exemplificou com o facto de a CV Interilhas ter alugado um navio em Espanha, que “não tem condições” para operar em Cabo Verde e também outro que anunciou ir comprar na Coreia do Sul e que também “não reúne condições” para operar nas águas do arquipélago.

“Vamos de má decisão em má decisão. Penso que o desorientamento é evidente, o incumprimento é claro, e é altura de o Governo pôr termo a essa concessão e retomar o processo desde o início”, sugeriu o porta-voz.

A CV Interilhas, sob a liderança da portuguesa Transinsular, venceu um concurso público internacional e assumiu o transporte marítimo de passageiros e carga entre as ilhas de Cabo Verde em 15 de agosto.

A nova empresa é detida em 51% pela Transinsular e Transinsular CV, do Grupo ETE, enquanto os restantes 49% são detidos por armadores cabo-verdianos.

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