O ex-banqueiro João Rendeiro no Tribunal de Verulam, onde esteve presente perante um juiz pela primeira vez desde que foi detido no sábado, nos subúrbios de Durban, África do Sul, 13 de dezembro de 2021. LUÍS MIGUEL FONSECA/LUSA

A advogada na África do Sul de João Rendeiro, June Marks, disse à Lusa que uma eventual extradição para Portugal não está nesta fase em discussão no processo em tribunal do ex-banqueiro, que arrancou hoje em Verulam, Durban, África do Sul.

“O que está em discussão é um pedido de liberdade sob fiança, não há nada mais a acontecer, nada de extradição”, referiu.

A advogada não disse qual a posição de Rendeiro face ao pedido de extradição de que as autoridades portuguesas e sul-africanas já disseram estar a tratar em conjunto para apresentar o quanto antes.

Preferiu não abordar o assunto, nem admitir ter de vir a lidar com ele. Porquê? “Vamos deixar mais detalhes para a estratégia de amanhã [terça-feira] na sala de audiências”, acrescentou.

Para já, o processo em tribunal resume-se a um primeiro passo, uma presença perante um juiz (realizada hoje) face ao prazo legal de 48 horas para tal ser feito após a detenção, disse.

Nessa audiência, a defesa pediu liberdade sob fiança e João Rendeiro foi entretanto reencaminhado para a esquadra de Durban onde permanece detido.

Segue-se a análise do pedido de fiança (escusando-se a advogada a falar em valores), um pedido previsto na lei sul-africana e que o ex-banqueiro pode requerer, explicou June Marks – algo “independente”, não relacionado com a condenação em Portugal.

“Queremos que ele seja colocado em liberdade, pagando uma fiança”, realçou.

O ex-banqueiro João Rendeiro no Tribunal de Verulam, onde esteve presente perante um juiz pela primeira vez desde que foi detido no sábado, nos subúrbios de Durban, África do Sul, 13 de dezembro de 2021. LUÍS MIGUEL FONSECA/LUSA

Primeiro resolve-se o pedido de fiança, o juiz decidirá se o aceita ou não e que medidas decretará, e depois avança o processo de extradição, explicou também Natasha Ramkisson, porta-voz da National Prosecuting Authority (NPA), o Ministério Público sul-africano.

Ramkisson disse que o procurador se opõe à fiança, dado o historial de Rendeiro e “tendo em conta a condenação em Portugal”.

Esta terça-feira, cada parte vai apresentar os seus argumentos perante o juiz e esperar que ele decida, o que pode demorar “alguns dias”, não se sabe quanto tempo, referiu Marks – enquanto Ramkisson disse contar com uma resposta ainda esta semana.

A advogada que falou à Lusa a partir de Joanesburgo, pediu para participar na sessão de terça-feira por teleconferência.

Hoje esteve representada por um membro do seu escritório, que durante a tarde ainda estará reunido com João Rendeiro na esquadra onde se encontra detido, em Durban.

June Marks disse que já conversou com o ex-banqueiro relatando que esteve numa cela sozinho no fim-de-semana – ao contrário de outro relato à Lusa de uma fonte próxima de Rendeiro – segundo a qual esteve fechado desde sábado numa cela com outras duas pessoas.

LFO // ZO

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