O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, indicou hoje estar a “acompanhar de perto e com preocupação” as manobras militares chinesas em redor de Taiwan e a alegada queda de cinco mísseis balísticos na zona económica exclusiva (ZEE) do Japão.

Na sua conferência de imprensa diária, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, confirmou as preocupações de Guterres perante os recentes acontecimentos, depois de as Nações Unidas terem evitado pronunciar-se sobre as tensões entre Pequim e Washington na sequência da visita à ilha de Taiwan da Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.

Na quarta-feira, ao ser questionado sobre este tema, Guterres limitou-se a referir que a posição da organização se rege pelas resoluções da Assembleia-geral que fixam o princípio de “uma só China”.

Numa resolução aprovada em 1971, a Assembleia-geral reconheceu o Governo de Pequim como o único representante da China e desde então Taiwan está excluído da ONU e de diversos organismos internacionais, apesar de diversas campanhas para garantir a sua participação e mesmo que já tenha garantido presença em diversos fóruns como observador.

A China, que reivindica a soberania da ilha, considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas do Kuomintang se refugiaram na região em 1949, após terem sido derrotados na guerra civil contra os comunistas.

As manobras militares desencadeadas pela China em resposta à visita de Pelosi, que hoje arrancaram e que irão prolongar-se até domingo, suscitaram protestos por parte do Japão, que hoje denunciou a queda de cinco mísseis balísticos chineses em águas da sua ZEE.

O Governo nipónico apresentou um protesto diplomático junto do executivo chinês na sequência destes alegados disparos, efectuados no âmbito dos exercícios do exército chinês no Estreito de Taiwan e que provocaram o encerramento do espaço aéreo e marítimo em seis zonas em redor da ilha, considerada por Pequim como parte integrante do seu território.

PCR // SCA

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