10 de julho de 2016. Os Pixies, banda liderada pelo carismático (e gordinho) Black Francis (ou Frank Black), subia ao palco do Rock-a-Field, no Luxemburgo.

O concerto, com 22 canções, algumas bem guardadas na “memorabilia” deste escriba, ecoavam pelos campos em Roeser.

Quase à mesma hora, milhões de gargantas afinadas em todo o mundo entoavam “A Portuguesa”. A selecção das ‘quinas’ subia ao Stade de France, em Saint-Denis, França.

O Glacis, no Luxemburgo, fervilhava de emoção, com centenas de imigrantes portugueses aqui radicados. Sentia-se que ia ser o dia!

O escriba, que meses antes tinha garantido presença em Roeser, para a sua estreia pessoal com a banda de rock alternativo norte-americana, nem pestanejou em vender o seu ingresso.

“Vendo bilhete para Pixies no Luxemburgo. Razão: Portugal vai à final do #Euro2016. Manda MP”.

A mensagem foi publicada na rede social Facebook, logo após a seleção de Fernando Santos garantir o passaporte para a Final do Euro2016.

Ronaldo e Nani espetaram dois golos ao País de Gales e Portugal tinha nova chance de poder vencer a competição, depois da final perdida em casa frente à Grécia em 2004! (Maldito Charisteas!).

Entre os 22 temas do alinhamento do concerto no Luxemburgo não faltaram os clássicos do costume: “Where is my Mind”, “Here Comes Your Man”, “Monkey Gone To Heaven”, “Debaser” ou “Velouria”.

 

 

Em campo, Portugal – e já perante a formação gaulesa – alinhava com 11 e o maestro do dia nem foi o suspeito do costume! O ‘patinho feio’ Éder fez de Cristiano Ronaldo, assim como a baixista Paz Lenchantin fez de Kim Deal.

 

 

Em 2019, Portugal já iniciou a defesa do título europeu conquistado em 2016 e o Pixies tem uma digressão europeia que passará pelo Luxemburgo a 17 de outubro, na LuxExpo.

Curiosamente, seis dias antes, Portugal e Luxemburgo (3-0) defrontaram-se no Estádio José Alvalade.

Nunca tinha ficado tão contente por ter vendido o bilhete de um concerto de uma banda que, apesar, dos seus já 33 anos de idade, nunca vi!

Mas, afinal, também não é todos os dias que Portugal se sagra Campeão Europeu de Futebol, não é?!

Agora, a 17 de outubro de 2019, sei que há um monte de coisas a que vou faltar, menos a este concerto. Bem-vindos de regresso, Pixies!

A julgar pela setlist de ontem à noite (16.10.2019) na Forest National, em Bruxelas, este poderá ser provavelmente o alinhamento a seguir esta noite (17.10.2019) no Luxemburgo:

 

1.Cactus

2.Wave of Mutilation (UK Surf)

3.All the Saints

4.Here Comes Your Man

5.Death Horizon

6.Motorway to Roswell

 

 

7.Gouge Away

8.Brick Is Red

9.Break My Body

10.Something Against You

11.Isla de Encanta

12.Cecilia Ann (The Surftones cover)

 

13.St. Nazaire

14.U-Mass

15.Bone Machine

16.On Graveyard Hill

 

 

17.Los Surfers Muertos

18.Caribou

 

19.Monkey Gone to Heaven

20.No. 13 Baby

21.Blown Away

22.Where Is My Mind?

23.Ready for Love

24.Nimrod’s Son

 

25.Vamos

26.Mr. Grieves

27.Bird of Prey

28.In the Arms of Mrs. Mark of Cain

29.Havalina

30.Silver Bullet

 

31.This Is My Fate

32.Catfish Kate

 

33.The Holiday Song

34.Ed Is Dead

35.Winterlong (Neil Young cover)

 

36.Daniel Boone

37.Velouria

38.Hey

39.Debaser.

A vida adulta dos Pixies faz-se entre o estúdio e o palco

Trinta anos depois da fundação, os norte-americanos Pixies são hoje “uma banda capaz e trabalhadora” que se dedica a gravar álbuns e a andar em digressão, resumiu o baterista, David Lovering.

Neste começo de outono, a banda rock alternativa está em digressão pela Europa por causa de um novo álbum, “Beneath the Eyrie”, editado no dia 13.

“Beneath the Eyrie” pode ser contabilizado de diferentes formas. É o sétimo álbum de estúdio, desde que a banda foi formada em 1986, ou apenas o terceiro desde que voltou ao ativo (ao fim de 11 anos de hiato, entre 1993 e 2004).

É a aritmética de uma banda com duas vidas, nesse antes e depois da separação, acrescentando-se ainda o momento da saída em 2013 da baixista Kim Deal, que tinha estado na fundação dos Pixies, ao lado de Black Francis (vocalista e guitarrista), Joey Santiago (guitarrista) e David Lovering (baterista). No lugar dela está hoje Paz Lenchantin.

O novo álbum, que motiva a atual digressão, é mais uma peça na engrenagem da banda, como explicou o baterista de 57 anos.

“Quando a nossa banda voltou a juntar-se em 2004, andámos em digressão durante sete anos e só tocávamos material antigo. Na altura estava tudo porreiro, tocávamos as músicas que as pessoas queriam. Mas em 2011 percebemos que estávamos há mais tempo a tocar as músicas antigas do que os anos todos que tínhamos estado juntos. E isso foi surreal. Fez-nos pensar que tínhamos que fazer alguma coisa nova”, recordou o músico.

Daí terem lançado “Indie Cindy” em 2014, “Head Carrier” em 2016 e agora “Beneath the Eyrie”.

“Sentimos que somos uma banda capaz e trabalhadora. E o que uma banda trabalhadora faz é gravar e andar em digressão. Desde 2011 é só o que temos andado a fazer. Por isso estávamos todos em sintonia. É o que fazemos”, simplificou o músico.

David Lovering, baterista dos Pixies

Sobre o novo álbum, que a crítica aponta como sendo gótico e mais soturno – com as desconcertantes letras de Black Francis -, David Lovering rejeita qualquer conceito subjacente.

“Talvez, e sublinho talvez, tenha tido influência o facto de termos estado em gravações no inverno, de ter sido numa antiga igreja convertida num estúdio, numa floresta, num lugar remoto. Por isso, talvez tudo isso tenha conduzido a um lugar que ninguém estava à espera, talvez de forma subliminar tenha dado essa sensação”, explicou.

Todo o processo de trabalho em estúdio foi acompanhado e registado para uma série de 12 episódios de um ‘podcast’ proposto à banda e que está disponível na Internet. Nos episódios, é possível ouvir conversas entre os músicos, depoimentos, ensaios das músicas ainda antes de terem letra.

 

 

“O ‘podcast’ não foi ideia nossa e estávamos hesitantes. […] Sinto que este ‘podcast’, para os fãs de Pixies, mostra que somos apenas pessoas a gravar coisas”, descreveu o baterista.

E quem são os fãs dos Pixies? David Lovering responde recuando a 2004, quando a banda voltou ao ativo.

“Quando demos o primeiro concerto em Coachella em 2004 estava um mar de miúdos que não tinha nascido quando aparecemos. Mas todos sabiam as letras. Foi surreal. […] É este o nosso público, uma coleção de miúdos que sabem as coisas antigas e o material novo. E há ainda as pessoas que podiam ser os avós”, contou.

Apesar de ter dito que ficou “devastado” com a separação dos Pixies nos anos 1990 – “foram a minha identidade durante anos” – Lovering é um otimista: “E se não nos tivéssemos separados? Se calhar não estaria a falar contigo e a dar concertos”.

“Temos muita sorte. Somos os ‘Grateful Dead’ do rock alternativo”, disse.

(Paulo Dâmaso/LUX24 c/Lusa)

 

AGENDA:

Pixies +  Blood Red Shoes (1° parte)

– Quinta-feira, 17 de outubro de 2019

– Luxexpo The Box (10, Circuit de la Foire Internationale, 1347 Luxemburgo)

– Bilhetes à venda no site do Den Atelier.

 

 

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