Os portugueses Moonspell em plena actuação na Kultufabrik, em Esch/Alzette, no Luxemburgo, em 10.12.2019 (FOTO © PAULO DÂMASO / LUX24)
Moonspell na Kulturfabrik, Luxemburgo, 10.12.2019 – FOTO: Paulo Dâmaso/LUX24

Apesar de miséria de ricos e pobres, faz dia, faz dia no Luxemburgo. A terceira passagem dos portugueses Moonspell pelo Grão-Ducado não poderia ter sido mais apoteótica.

Os lobos que foram homens e o tornarão a ser voltaram a encher a mítica sala da Kulturfabrik, que sem pejo uivou e uivou alto na noite fria do Luxemburgo.

O grupo de Fernando Ribeiro, Ricardo Amorim, Pedro Paixão, Mike Gaspar e Aires Pereira mostrou o porquê de ser a banda portuguesa mais internacional de sempre e o carinho do público, mesmo quem não sabe falar a língua portuguesa, é bem demonstrativo da paixão além-fronteiras que os fãs têm pela banda.

Merci e obrigado Luxembourg 🇱🇺 What an incredible night @kulturfabrik_esch obrigado a todos os nossos compatriotas por…

Publiée par Moonspell sur Mercredi 11 décembre 2019

 

Ladeados pelos suícos Silver Dust (uma agradável surpresa, banda a ter em conta) e pelos já conceituados gregos Rotting Christ, o colectivo português cumpriu com o esperado: Um concerto “cheio de atitude e entrega”, tal como tinha prometido Aires Pereira ao LUX24.

Moonspell na Kulturfabrik, Luxemburgo, 10.12.2019 – FOTO: Paulo Dâmaso/LUX24

Pontualmente às 21:45, ‘Em nome do Medo’, do álbum Alpha Noir, abriu o concerto de hora e meia, seguindo-se os magníficos ‘1755’ (“Diz-me quem é que lá vem dentro do mar de ninguém”) e ‘In Tremor Dei’, (sem Paulo Bragança), uma autêntica aula de História sobre o que aconteceu no terramoto que desvastou a capital portuguesa em 1755.

Procuro vingança

Nas cinzas dos mortos

Conjuro a destruição

Lisboa

Em chamas

Caída, tremendo

Sem Deus

Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, na Kulturfabrik, no Luxemburgo, 10.12.2019 – FOTO: Rui Martins/LUX24

A forma metafórica como os Moonspell recriam a tragédia do terramoto de 1755, homónimo do seu último trabalho, adensa o ambiente na Kulturfabrik, com um público maioritariamente português (ou não fosse o Luxemburgo apelidado de Portugal II), mas também muitos alemães, franceses, belgas, romenos e polacos na plateia.

 

Obrigado Luxemburgo!Pastel de bacalhau e cervejaNão faço publicidade porque sempre paguei pelas minhas bebidas e as…

Publiée par Fernandomoon sur Mercredi 11 décembre 2019

 

A banda recuou então 23 anos para recuperar ‘Opium’ (Irreligious) e o maior poeta português (na opinião deste escriba) Fernando Pessoa (ou o seu heterónimo Álvaro de Campos) voltou a ecoar alto:

Por isso tomo ópio. É um remédio.

Sou um convalescente do Momento.

Moro no rés do chão do Pensamento

E ver passar a vida faz-me tédio

Seguiram-se ‘Awake’, ‘Night Eternal’ e ‘Abysmo’ (tema do álbum Sin-Pecado, de 1998, agora reeditado numa edição de luxo em vinil e CD-digipak, que inclui o EP 2nd Skin e um booklet de 24 páginas).

Aires Pereira, baixista dos Moonspell, na Kulturfabrik, no Luxemburgo, 10.12.2019 – FOTO: Rui Martins/LUX24

Ao longo da noite foram revisitados vários discos, com destaque para o mais recente álbum ‘1755’. ‘Everything Invaded’, ‘Mephisto’, ‘Vampiria’, fizeram os lobos uivar! Eles, os lobos, que dizem andam de regresso ao Luxemburgo! Se dúvidas houvesse, eles, os lobos sedentos do sangue do cordeiro de Deus, uivaram e uivaram…

Vampiria, you are my destiny

My only Love and true destiny

Vampiria”

Os cerca de 350 lobos, da alcateia que preenchia a sala da Kulturfabrik, não estavam saciados e queriam mais. O lobo-môr Fernando Ribeiro fez-lhe a vontade, domando-os com “Alma Mater”.

Virando costas ao mundo

Orgulhosamente sós

Glória antiga, volta a nós!

Alma Mater!

E qual adido cultural representando os interesses culturais do seu país no estrangeiro, Fernando Ribeiro juntou-se à sua alcateia, cantando a uma só voz…

O orgulho português fazia arrepiar a pele, mas os lobos estavam atentos pois “ursos saciados não são páreo para lobos famintos”.

Lobo-môr Fernando Ribeiro em comunhão com a sua alcateia…Alma Mater, by Moonspell @ Kulturfabrik Esch-sur-Alzette, 10.12.2019"Virando costas ao mundoOrgulhosamente sósGlória antiga, volta a nós!Alma Mater!"

Publiée par Paulo Dâmaso sur Mercredi 11 décembre 2019

 

Como habitualmente, coube ao incomparável ‘Full Moon Madness’ encerrar o espectáculo 90 minutos, os mesmos que o Benfica tinha acabado de precisar para dar uma coça ao Zenit, por 3-0, em Lisboa.

🇵🇹🇱🇺🔥 O final de hora e meia de um magnífico regresso ao Luxemburgo! Moonspell, Rotting Christ – Kulturfabrik Esch sur Alzette

Publiée par Paulo Dâmaso sur Mardi 10 décembre 2019

 

O concerto no Luxemburgo foi o 45º de 50 concertos dos Moonspell, em 52 dias e vinte países.

É a maior digressão europeia da história da banda, acompanhados pelos gregos Rotting Christ (com os novos elementos Giannis Kalamatas e Kostas Heliotis em palco) e pelos os suíços Silver Dust (a ter em conta a sonoridade alternativa com contornos de um metal gótico/industrial e o look steampunk destes meninos).

Esch-sur-Alzette, vous avez été fantastiques hier soir ! Merci pour votre accueil et votre énergie ! Nous sommes maintenant en route vers la Suisse, « home sweet home » ! À ce soir, Genève !

Publiée par Silver Dust sur Mercredi 11 décembre 2019

 

In Tremor Dei haja esperança quando cai uma cidade”…

Paulo Dâmaso/LUX24

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