A marcha contra o regime CovidCheck terminou junto à comuna da capital, 15.10.2021 - SCREENSHOT LUX24

Não há números oficiais, mas estima-se que entre 3.500 a 5.000 pessoas participaram esta sexta-feira (15), no final do dia, na terceira marcha branca, no Luxemburgo, contra a implantação da generalização do regime CovidCheck no país. O protesto foi pacífico e sem incidentes.

Recentemente, o primeiro-ministro Xavier Bettel anunciou que o CovidCheck seria generalizado no país, uma forma de pressionar as pessoas não vacinadas contra a Covid-19 a vacinarem-se.

A mensagem do Governo foi clara: Enquanto o país não atingir uma taxa de vacinação aceitável (“80%a 85%”), o ‘cerco’ às pessoas não vacinadas contra a Covid-19 vai continuar a apertar no Luxemburgo.

Ontem, milhares de pessoas anti regime CovidCheck, marcaram presença numa “marcha branca”, que decorreu entre a Philharmonie e o Parlamento luxemburguês, como forma de exigir “liberdade” para os não-vacinados e rejeitando a “divisão da sociedade”, que dizem estar implícita na proposta governamental.

A organização da iniciativa defende que, quando se trata de vacinação contra a Covid-19, “a liberdade de escolha deve permanecer um valor fundamental intocável”.

Curiosamente, esta foi igualmente a ideia transmitida pelo primeiro-ministro Xavier Bettel durante a apresentação da proposta: “Não impomos a vacina, a escolha é sua! Mas obviamente dificultamos a vida das pessoas não vacinadas, porque a vacina é a solução, a única. Chegámos a um ponto em que o Governo não pode ficar apenas a ver e tem que actuar, tomar decisões para evitar a propagação da doença”, disse o primeiro-ministro, ladeado pela ministra da Saúde Paulette Lenert.

Só que as palavras de Xavier Bettel foram interpretadas como uma afronta à liberdade individual. O líder do Executivo luxemburguês chegou mesmo a receber ameaças de morte depois da referida conferência de imprensa e a sua segurança pessoal foi reforçada pela polícia, como o próprio contou no Parlamento.

Quase todos sem máscara e sem distanciamento social, os milhares de manifestantes, que largaram balões brancos junto ao edifício da comuna da cidade, exigiram “liberdade”. “Mir sinn fräi!” (‘estamos livres’), gritavam.

A marcha contra o regime CovidCheck terminou junto à comuna da capital, 15.10.2021 – SCREENSHOT LUX24

A partir do dia 18 de outubro, o Governo vai impor a generalização do regime CovidCheck nos sectores da hotelaria, restauração e similares (Horeca), lazer, desporto e até no mercado laboral (público e privado).

Os autotestes rápidos deixam de ser aceites (salvo raras excepções médicas devidamente comprovadas ou nas escolas) a partir do dia 01 de novembro de 2021, com o objectivo de acelerar a vacinação, numa altura em que cerca de 23% da população continua por vacinar no país.

De acordo com os mais recentes dados oficiais, o Luxemburgo contabiliza um total de 839 mortes e 79.720 casos de infecção por Covid-19, desde que foi conhecido o primeiro caso no país em 29 de fevereiro de 2020.

Até ao momento foram administradas 796.217 doses da vacina contra a Covid-19 no país, sendo que 423.343 pessoas receberam a primeira dose e 372.874 pessoas já receberam as duas doses.

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