A Grã-Duquesa Maria Teresa e o Grão-Duque Henri. Foto: Corte Grã-Ducal / Todos os Direitos Reservados

O polémico relatório Waringo, sobre a gestão do pessoal da Corte Grão-Ducal, foi esta sexta-feira (31) de manhã publicado.

O documento, da autoridade de Jeannot Waringo, a pedido pelo primeiro-ministro Xavier Bettel, tece duras palavras à Grã-Duquesa Maria Teresa e retrata uma atmosfera de “medo da repressão” dentro do palácio e do castelo de Fischbach, residência oficial do casal grão-ducal.

“Percebi que, com ou sem razão, que entre discórdias e discussões entre colegas, o espírito de jovialidade e o humor são raros. Todo mundo joga à defesa e mede as suas palavras”, refere Jeannot Waringo.

O relatório confirma o grande número de saídas de funcionários: 51 demissões, despedimentos e/ou transferências de serviço entre 2014 e 2019, para um número de funcionários que flutua entre 85 e 91.

“Normalmente, os funcionários raramente deixam os seus empregos por puro prazer. Tem que haver uma razão e, se a atmosfera foi boa, os funcionários dificilmente deixam o emprego”, analisa Jeannot Waringo.

 A comunicação interna “é quase inexistente” 

“Os problemas não são colocados na mesa para serem discutidos com calma. A consequência é que a vida quotidiana é pontuada por ‘contos e ditos’ e rumores”, sublinha Jeannot Waringo.

Como resultado, os empregados “têm a sensação de não serem respeitados quando investem totalmente no seu trabalho. Outros, que têm uma atitude menos profissional, mas também menos crítica e mais dócil, recebem mais incentivos. É, portanto, essencial aceitar o facto de que os problemas existem e devem ser resolvidos”, denuncia o relator

“As decisões mais importantes […] são tomadas pela Grã-duquesa”

“Temos de reformar o funcionamento da nossa monarquia (…) A gestão de recursos humanos levanta muitas questões”, resume o autor do relatório Waringo, num documento de 44 páginas.

“Desde os primeiros dias da minha presença no Palácio, senti uma certa ansiedade dos colaboradores, como a ansiedade de ser repreendido ou de perder o emprego. Senti um certo medo de expressarem abertamente os seus sentimentos. Há sinais inconfundíveis”, alerta Waringo.

De acordo com as informações recolhidas durante a elaboração do relatório, muitos actuais e ex-colaboradores da Corte, “as decisões mais importantes no campo da gestão de pessoal, seja ao nível do recrutamento, da atribuição de cargos ou mesmo ao nível de demissão são tomadas pela SAR, a Grã-Duquesa”

“Gostaria de dizer com muita sinceridade e com o risco de ser mal compreendido (…) mas precisamos reformar o funcionamento de nossa monarquia nesse ponto essencial. Não há, na minha opinião, outra solução”, conclui Jeannot Waringo neste capítulo sobre recursos humanos.

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