A Radio ARA está “profundamente consternada” com o novo projecto-de-lei do Governo de apoio aos media e questiona a tutela sobre o reconhecimento aos media comunitários.

“Até há pouco tempo, tudo levaria a crer que o Estado finalmente reconheceria os media comunitários no Luxemburgo. Após anos de discussões com o Ministério dos Média e uma recomendação positiva da ALIA [autoridade luxemburguesa independente para o audiovisual], há duas semanas a Radio ARA foi convidada a visitar a Câmara dos Deputados [o Parlamento luxemburguês] para apresentar a sua actividade à Comissão dos Media. Contudo, um dia depois da estação ter falado à Comissão sobre a importância dos media comunitários pela pluralidade da comunicação social – e sem esperar pelo debate parlamentar sobre o serviço público – o Conselho de Ministros adoptou um projecto-de-lei que representa um grande retrocesso para a rádio”, refere em comunicado a Radio ARA.

A consternação torna-se ainda maior quando em praticamente todos os estados europeus, os media comunitários “são reconhecidos e promovidos como terceiro o pilar do cenário mediático, do direito público e do comércio dos meios de comunicação”.

“Instituições como o Parlamento Europeu, a UNESCO e o Conselho da Europa recomendam a todos os Estados-Membros que aproveitem as oportunidades oferecidas pelos media comunitários, consolidando assim a alfabetização mediática na sociedade e, acima de tudo, envolvendo grupos marginalizados. Os media comunitários fornecem à sociedade civil acesso directo à “antena”, fortalecem a participação e fornecem uma oportunidade de treino e aprendizagem a jornalistas”, sublinha a Radio ARA, que emite nas frequências 102.9 e 105.2 FM.

No presente projecto-de-lei N.º 7631, que se concentra principalmente na imprensa escrita, também figuram os media comunitários, mas, diz a Radio ARA, “a ajuda fornecida é limitada e não dá resposta às verdadeiras necessidades destes órgãos de comunicação social”.

“A exigência de um número mínimo de jornalistas em tempo integral, significa que eles estão vinculados a um sistema paradoxal e não condicente com a sua maneira de trabalhar. Os requisitos dos media comunitários destinam-se ao suporte técnico e de infraestrutura, bem como ao pessoal necessário para coordenação e comunicação com o grande número de comunidades de voluntários envolvidos na estação”, critica a estação emissora fundada em 1992.

“A Radio ARA é importante no Luxemburgo, porque grande parte da população não representada pelos média existentes. Pensámos que ao responder adequadamente durante a pandemia, havíamos cumprido a nossa nossa missão. Com as “Local News” produzidas em 10 idiomas, incluindo árabe, tigrínia, persa, albanês, russo, italiano, [e também português]. Alcançámos várias pessoas no Luxemburgo que, de outra forma, não teriam acesso a informações locais importantes. Mas rapidamente percebemos que não éramos elegíveis para a assistência à imprensa no âmbito do COVID-19. Por conseguinte, constatar que o nosso trabalho e potencial não seriam [por isso] compreendidos, foi/é verdadeiramente frustrante”, afirmou Lisa McLean, responsável pelo segmento “ARA City Radio” – em inglês – e dos programas comunitários da Radio ARA.

Lisa McLean, responsável pelo segmento “ARA City Radio” – em inglês – e dos programas comunitários da Radio ARA – FOTO DR / Radio ARA

Esta rádio independente no Luxemburgo vive uma “situação financeira crítica”, que foi agudizada com a crise causada pela pandemia do Covid-19.

“Como para todos os media, tornou-se cada vez mais difícil financiar a estação apenas através de publicidade. Um grande número de clientes de publicidade migrou para os canais digitais, que receberão financiamento adicional do Estado luxemburguês através do sistema de assistência à imprensa”, denuncia a estação emissora, que pode ser igualmente ouvida em http://www.ara.lu/.

“A nova lei não nos faz justiça. É como vir para a clínica com apendicite e sair de lá com o braço engessado. Na condição de média comunitária, [a Radio ARA] oferece uma grande oportunidade democrática de apresentar soluções para as necessidades multiculturais do Luxemburgo. Contudo, este novo projecto-de-lei N.º 7613 intensifica o problema, ameaçando a existência da Radio ARA”, lamenta Guy Antony, Presidente da estação emissora.

A Raiz das Emoções é o nome do primeiro programa em língua portuguesa na Radio ARA – Luxemburgo, que aborda a sexualidade sem tabus, conduzido por Marco António Ribeiro e Bruno Silva, às quartas, a partir das 22:00.

 RADIO ARA TAMBÉM EM PORTUGUÊS 

Em outubro de 2019, a Radio ARA decidiu apostar na língua de Camões e conta hoje com um programa em português – “A Raiz das Emoções”. Com emissão em directo, todas as quartas às 22:00, este formato de serviço público nas áreas da Sexualidade e dos Afectos, é apresentado por Marco António Ribeiro e conta com o psicólogo Bruno Filipe Silva (ambos integrantes do Comité de Programas da estação).

A 4ª temporada do programa terá início em setembro, mantendo-se o dia e o horário.

Marco António Ribeiro apresentador do programa “A Raiz das Emoções, na Radio ARA – FOTO DR
O psicólogo Bruno Silva que fala sobre sexologia no programa “A Raiz das Emoções” na Radio ARA – FOTO DR

Desde o arranque das emissões em português, e no que a 2020 se refere, a estação apostou também numa emissão especial à partir do Festival das Migrações, assim como na transmissão de um concerto do grupo Frei Fado d’El Rei, num especial dedicado ao 25 de Abril e numa maior presença de música lusófona na sua playlist.

Durante o período de confinamento do COVID-19 a Radio ARA emitiu diariamente um bloco informativo em 10 línguas, entre as quais o português.

Actualmente, a Radio ARA conta com 170 elementos [também portugueses], voluntários e freelancers, entre eles jornalistas com carteira profissional de jornalista (estrangeiros) que asseguram emissões de boa qualidade, nomeadamente com a difusão de notícias.

A estação emissora tem 12 pessoas empregadas (a meio tempo) e tratam principalmente da organização, formação e gestão de projectos.

A estação não dispõe de capital suficiente para contratar [por exemplo] um técnico, sendo que esse trabalho é realizado de forma voluntária pelos seus associados.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade