Painéis da exposição sobre Aristides de Sousa Mendes e Portugal e Luxemburgo – FOTO: Musée national de la Résistance / Facebook

A secção do Partido Socialista (PS) no Luxemburgo condenou, em comunicado, o furto dos painéis das exposições relacionadas com Portugal, em Esch/Alzette, e espera que “as autoridades elucidem rapidamente o sucedido”.

O roubo de 16 dos 17 painéis das exposições sobre Aristides de Sousa Mendes e “Portugal e Luxemburgo” foi noticiados pelo LUX24 no passado dia 12, após denuncia do Museu Nacional da Resistência.

“A Secção do Partido Socialista português no Luxemburgo condena veementemente o furto que ocorreu na cidade de Esch-sur-Alzette no dia 11 de junho 2020, do qual foram alvo duas exposições relacionadas com Portugal e que o Museu Nacional de Resistência fez questão em mostrar numa praça pública da segunda cidade do Grão-Ducado: “Um cônsul português entre a consciência humana e a razão de Estado”, produzida pelos Arquivos Nacionais, onde foram exibidas em 2019—2020 e “Portugal e Luxemburgo – países de esperança em tempos difíceis”, realizada pela asbl Memo Shoah em colaboração com o museu Vilar Formoso-Fronteira de Paz (exposição actualmente patente nos claustros da abadia Neimënster)”, refere o Partido Socialista do Luxemburgo, em comunicado.

Os socialistas revelam-se “perplexos” com o roubo, que aconteceu apenas dois dias depois de serem atribuídas honras de Panteão Nacional a Aristides de Sousa Mendes, e esperam que se trate “de um acto isolado e isento de qualquer dimensão xenófoba ou antissemita”.

“Primeiramente, o acto deixa-nos naturalmente perplexos, visto ter sido cometido no início da tarde, numa zona central da cidade e diante do museu que organizou as exposições. A secção do PS lamenta que as duas exposições, que põem em relevo, por um lado, o papel preponderante desempenhado pelo Cônsul português de Bordéus na fuga de centenas de luxemburgueses do regime nazi e, por outro, aspectos importantes da relação entre Portugal e o Luxemburgo, incomodem alguns cidadãos deste país. Perante tal acontecimento, a secção do PS português do Luxemburgo espera que se trate de um ato isolado e isento de qualquer dimensão xenófoba ou antissemita”, sublinha a secção luxemburguesa do PS.

Hélder Menezes de Gouveia, líder do PS Luxemburgo, a socialista Mili Tasch e o deputado do PS pelo círculo da Europa, Paulo Pisco. FOTO DR / Facebook / Hélder Gouveia

Este roubo acontece numa altura em que um pouco por toda a Europa, e pelo mundo, se assiste ao recrudescimento de um discurso novamente marcado pelo nacionalismo e pela intolerância racial.

“As exposições relatam momentos muito dolorosos da história ainda recente do Luxemburgo. Na Europa, assistimos actualmente a um recrudescimento de um discurso novamente marcado pelos nacionalismos e pela intolerância. É, pois, à luz dos exemplos herdados que o nosso dever moral e cívico se torna vital para que não deixemos enraizar laivos de racismo nem de ódio que ignorantes desumanizados tentam fazer passar. Este furto, independentemente do seu cariz, é por si só uma afronta a um homem considerado “justo entre as Nações” pelo Estado de Israel, por ter ajudado a salvar da morte certa milhares de homens e de mulheres através do seu acto de desobediência cívica, assim como uma agressão à comunidade portuguesa no Luxemburgo, que ao longo de cinco décadas soube tecer e reforçar laços de amizade entre o seu país de origem, Portugal, e o seu país de acolhimento, o Luxemburgo”, consideram os socialistas que esperam que “as autoridades judiciais do Luxemburgo identifiquem rapidamente os autores do crime e que elucidem o que os levou a cometer tal acto”.

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