LuxTram – Foto site LuxTram

Dois investigadores da Universidade do Luxemburgo (UNI) consideram que o transporte público gratuito, que entrará em vigor no dia 01 de Março de 2020 no país, é uma medida de natureza “populista”.

Esta opinião está plasmada num artigo universitário publicado no “Journal of Transport Geography“, no qual Constance Carr e Markus Hesse, dois professores da Universidade do Luxemburgo especializados em temas geográficos e desenvolvimento urbano, afirmam que o transporte público gratuito, que entrará em vigor daqui a mês e meio, “não é a solução” que leve a uma melhor mobilidade.

Os dois académicos apontam, em particular, a inconsistência entre a origem da decisão do governo, as condições de transporte no Luxemburgo e a cobertura da medida pelos meios de comunicação social. E, por isso, apelidam a medida de natureza “populista”.

A medida da gratuitidade dos transportes públicos decidida pelos três partidos que formam a coligação governamental (DP, LSAP, Déi Gréng), conhecida como “Gâmbia” e “Gâmbia 2.0”, fará do Luxemburgo o primeiro país do mundo a adoptar essa medida. Esse facto levou a uma cobertura mediática, devido à natureza sem precedentes desta decisão à escala global.

Contudo, Constance Carr e Markus Hess, defendem no seu artigo que “o transporte público gratuito não responde aos muitos problemas de mobilidade que os residentes e os passageiros transfronteiriços sofrem actualmente”, como os “frequentes atrasos” dos comboios ou o facto de os utentes terem que viajar “geralmente em pé”, no caso dos autocarros.

Autocarros – Mobilidade – Luxemburgo – Foto Paulo Dâmaso / LUX24 [arquivo]
Os autores do artigo defendem que o transporte gratuito “não melhorará a qualidade do transporte ou a sua atractividade”.

Recorde-se que os preços cobrados actualmente já são baixos (50 euros para o passe mensal, que dá direito a quantas viagens quiser em todos os transportes públicos do país) porque são amplamente suportados pelo Estado.

Assim, dizem os autores do texto, as poucas economias que os utentes farão “serão superadas em muito pelo custo exorbitante da acomodação”. “O custo adicional pode resultar em impostos mais altos”, sublinham.

Os dois investigadores consideram ainda que o automóvel vai continuar a ser o meio de transporte preferencial e rematam: “Qualquer política que limite o conforto do carro será extraordinariamente impopular no Luxemburgo”.

Comboio dos Caminhos de ferros luxemburgueses (CFL). FOTO: PAULO DÂMASO/LUX24

Finalmente, os dois investigadores da UNI referem que a medida do transporte gratuito foi uma medida “populista”, no sentido de que serve à imagem do país e do Governo.

“O Luxemburgo foi subitamente colocado em destaque, mas desta vez não se tratava de paraísos fiscais ou acordos financeiros questionáveis. Era uma questão de como o Grão-Ducado iria subsidiar inteiramente um serviço público [que não era, nota do editor]. Foram boas notícias, que serviram bastante bem à imagem do Luxemburgo”, concluem os dois investigadores.

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