Semaine contre les discriminations © OGBL

A central sindical luxemburguesa OGBL organiza até 22 de Outubro, a “Semana Contra as Discriminações”. A iniciativa arrancou ontem, com a inauguração de uma exposição de pinturas dos artistas Nelson Neves e Sophie Thiéry, no Centro Cultural Altrimenti.

A “Semana Contra as Discriminações” pretende tocar em pontos sensíveis de que muitos imigrantes são alvo no Luxemburgo, desde o acesso à habitação, ao direito de voto, à discriminação salarial e no ensino.

“Queremos, acima de tudo, alertar para uma série de discriminações que muitos imigrantes sentem diariamente no Luxemburgo. O acesso à habitação e a discriminação salarial são apenas dois desses aspectos”, disse, ao LUX24, Eduardo Dias, secretário central do Departamento dos Imigrantes da OGBL, à margem da abertura oficial do evento.

Há um grave problema de discriminação a todos os níveis [neste país], desde o trabalho à sociedade em geral. E estes problemas [discriminação] não são um fenómeno de moda. São mesmo estruturais“, lamenta Eduardo Dias.

Como exemplo, o sindicalista aponta para o caso de profissões ligadas aos sectores da limpeza, construção civil e restauração (Horeca) onde existe uma “clara discriminação salarial” [e não só] sobre os imigrantes [portugueses e outros] residentes no país.

Eduardo Dias, secretário central do Departamento dos Imigrantes da OGBL – FOTO © OGBL

Apesar de o Luxemburgo ser o país com o salário mínimo mais elevado da União Europeia, a verdade é que cerca de 19,2% dos residentes (um em cinco) do país viviam, em 2021, em risco de pobreza.

Em 2021, 115.980 pessoas viviam abaixo do limiar de risco de pobreza“, refere um documento do instituto nacional de estatísticas (Statec), no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza que se assinala em 17 de Outubro.

Outro dado plasmado no documento dá razão ao sindicalista Eduardo Dias: “15% dos trabalhadores sentem-se discriminados no trabalho“, quer seja “no contacto com colegas e/ou clientes. Esta quota atinge os 24% na hotelaria e restauração“.

Para além dos problemas relacionados com o acesso à habitação (“que empurram cada vez mais os imigrantes para as fronteiras”) e da discriminação laboral (entre sectores e géneros), Eduardo Dias aponta ainda a integração escolar das crianças que não dominam a língua alemã com “outro problema de discriminação”.

Como querem que pais imigrantes, com trabalhos mais duros fisicamente e, a maioria, com menos habilitações, cheguem a casa no final de um dia de trabalho e ajudem os seus filhos a fazerem os trabalhos de casa (TPC) em língua alemã? Esses trabalhos deveriam ser feitos na escola e não em casa. Assim, levam a um discriminação linguística. Será que não há ninguém do Ministério [da Educação] que nunca tenha pensado nisto?“, questiona e denuncia Eduardo Dias.

Também o racismo, e a demografia e migrações serão alguns dos temas da “Semana Contra as Discriminações”, organizada pela central sindical OGBL, que decorrerá entre o Centro Cultural Altrimenti e a Câmara dos Assalariados, na capital do país; a Maison du Peuple, em Esch-sur-Alzette; e a sede da OGBL [31, rue du Fort Neipperg] na capital.

A iniciativa contará ainda com momentos de convívio com a actuações do ‘one man show’ Claude Frisoni e música de Serge Tonnar e Tohid Tohidi, no dia 21, no Centro Altrimenti.

No dia 22, a “fechar” a semana regressa a “Festa dos imigrantes” – adiada desde a pandemia da Covid-19 – e que decorrerá no Hall Deich, em Ettelbruck.

Todas as informações sobre o programa da “Semana Contra as Discriminações“: AQUI.

 

ND // ND

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco via email para geral@lux24.lu.
Siga o LUX24 nas redes sociais. Use a #LUX24 nas suas publicações.
Faça download gratuito da nossa ‘app’ na Google Play ou na App Store.
Publicidade
Publicidade