Este domingo, dia 01 de dezembro de 2019, é o primeiro dia de “férias” do luxemburguês Jean-Claude Juncker que foi hoje oficialmente substituído por Ursula Von der Leyen no cargo de Presidente da Comissão Europeia.

Agora, com o fim quase certo da carreira política, Jean-Claude Juncker, de 64 anos, que recentemente foi operado a um aneurisma, pode começar a tratar da renovação da sua carta de condução (que deixou caducar) e iniciar a escrita do seu livro de memórias, que recentemente admitiu gostaria de escrever, e tratar do seu amigo de ‘quatro patas’: o Caruso.

Este domingo, 01 de dezembro, quatro dias depois de ter recebido finalmente o voto favorável do Parlamento Europeu, o novo executivo comunitário, que integra a comissária portuguesa Elisa Ferreira e o luxemburguês Nicolas Schmit, inicia hoje o seu mandato de cinco anos, no mesmo dia em que se celebra o décimo aniversário da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, assinado em Lisboa em dezembro de 2007, durante a anterior presidência portuguesa da UE.

Jean-Claude Juncker e Freitas do Amaral – FOTO Twitter

No curto evento, que decorrerá na Casa da História Europeia, na capital da UE, participarão ainda o novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que também inicia hoje o seu mandato, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, e a nova presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

Na segunda-feira, Ursula Von der Leyen ruma a Madrid e discursará na sessão inaugural da Conferência da ONU sobre o Clima, e na quarta-feira presidirá, em Bruxelas, à primeira reunião do seu colégio de comissários, dando de seguida uma conferência de imprensa na sede da Comissão Europeia.

António Costa e Jean-Claude Juncker, 17.10.2019 – FOTO António Costa via Twitter

A «Comissão Von der Leyen», que sucede à «Comissão Juncker», deveria ter iniciado funções em 01 de outubro, mas o ‘chumbo’ de três comissários designados pelo Parlamento Europeu provocou um atraso de um mês no processo, que ficou concluído finalmente na passada quarta-feira, com a assembleia a aprovar, em Estrasburgo, o conjunto do colégio, com 461 votos a favor, 157 contra e 89 abstenções, num total de 707 votos expressos.

 

“O euro e eu somos os únicos sobreviventes do tratado de Maastricht”

No seu discurso oficial de despedida, Jean-Claude Juncker revelou a sua preocupação quanto ao futuro da Europa e vincou essa ideia no seu elocução:

“É a última vez que tenho o prazer e a honra de me dirigir a este fórum. No que diz respeito ao Estado de direito, estou preocupado. Em mais do que um país, o Estado de Direito não é respeitado o suficiente. Estou muito preocupado. O euro e eu somos os únicos sobreviventes do tratado de Maastricht, com a minha partida fica só o euro”, afirmou Jean-Claude Juncker, antigo primeiro-ministro do Luxemburgo.

Durão Barroso, Angela Merkl e Jean-Claude Juncker – Foto DR

Luxemburguês como “língua oficial”

Na hora da despedida da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker lamentou não ter conseguido fazer do Luxemburguês língua oficial na Europa.

É que com cerca de 400 mil falantes, o Luxemburguês é considerando como uma língua “vulnerável” pela UNESCO, que assim não lhe dá o estatuto de língua oficial da União Europeia.

Recorde-se que a língua luxemburguesa foi reconhecida como língua nacional apenas há 35 anos, a 24 de fevereiro de 1984. Actualmente, o Grão-Ducado tem três línguas oficiais: Luxemburguês, Francês e Alemão.

Juncker auxiliado durante um jantar em Viena. Foto AFP todos os direitos reservados

PERFIL

– Jean-Claude Juncker, natural de Redange, 9 de dezembro de 1954, é um político luxemburguês, que foi presidente da Comissão Europeia entre 01 de novembro de 2014 até 30 de novembro de 2019.

– Foi eleito presidente da Comissão Europeia em 15 de julho de 2014, com 442 votos do Parlamento Europeu, assumindo o cargo em 1 de novembro de 2014.

– Foi primeiro-ministro do Luxemburgo, de 1995 até 2013.

– Foi líder do CSV de 1990 a 1995.

– Foi também ministro das Finanças do Luxemburgo de 1989 a 2009.

Foto: ©2018 SIP / Thierry Monasse, tous droits réservés

– A 12 de novembro de 1988 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

– A 6 de maio de 2005 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo de Portugal.

– No início de novembro de 2014, poucos dias depois de se ter tornado Presidente da Comissão Europeia, Juncker viu o seu nome envolvido no processo LuxLeaks.

– Foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Luxemburgo (1988) e com Grã-Cruz da Ordem de Adolfo de Nassau do Luxemburgo, e ainda inúmeras distinções internacionais.

– Entre as várias distinções académicas e outras destaque para a atribuição de Europeu do Ano (2005), Prémio Carlos Magno Internacional de Aachen (2006), Medalha de Ouro com Estrela da União Europeia (2009), Colar da Fundação do Mérito Europeu (2010), Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Porto (2013) e Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (2017), entre muitas outras.

 

 

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