O Embaixador de Portugal, António Gamito, apresenta credenciais ao Grão-Duque Henri. 21.11.2018. FOTO: © Cour grand-ducale

Celebra-se esta quarta-feira, 10 de Junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Devido à pandemia do coronavírus Covid-19, as cerimónias oficiais em Portugal e pelo Mundo sofreram imensas alterações, sendo que na diáspora a data é assinalada de forma virtual como acontece esta manhã, a partir das 10:00, no Luxemburgo, numa cerimónia organizada pela Embaixada de Portugal no Grão-Ducado.

Antes da cerimónia oficial, o Embaixador português no Luxemburgo, António Gamito, escreveu uma mensagem, publicada no site oficial da Embaixada de Portugal, na qual refere que “o Covid-19 veio ‘estragar-nos’ a festa. Mas não perdemos nem o coração, nem a alma”.

Nesta mensagem enviada aos portugueses residentes no Luxemburgo, António Gamito, não esqueceu a situação caótica provocada nos serviços consulares provocada pela crise sanitária do Covid-19 e, com o desconfinamento gradual e progressivo, refere que “estamos agora a tentar retomar a normalidade, aqui e em Portugal, para o que vos peço a maior paciência, resiliência e apoio”.

O embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, e o ex-vice-primeiro-ministro do Luxemburgo, o lusodescendente Félix Braz. 21.01.2019 – Fonte: Embaixada de Portugal no Luxemburgo

 LEIA NA ÍNTEGRA A MENSAGEM DO EMBAIXADOR DE PORTUGAL NO LUXEMBURGO, ANTÓNIO GAMITO, POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL 

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Luxemburgo, 10 de Junho de 2020

Portuguesas e Portugueses.

Celebra-se mais um 10 de Junho. De forma diferente. O Covid-19 veio “estragar-nos” a Festa. Mas não perdemos nem o coração, nem a alma.

Nas minhas reflexões cheguei a 5 mensagens que gostaria de partilhar convosco.

A primeira é a de que importa continuar a observar rigorosamente as regras e distanciamento social, do uso de máscaras e da lavagem das mãos. Protegendo-nos, estamos a salvaguardar os outros. A isto chama-se responsabilidade social.

A segunda prende-se com o muito que foi preparado no último ano e meio e que a crise sanitária suspendeu:

I) a visita de S.A. R. o Grão-Duque a Portugal, que iria contribuir para colocar noutro patamar relações bilaterais em domínios relacionados com as novas tecnologias, a inovação e o digital;

II) a resolução da questão das pensões, reduzidas a cerca de 250 e que voltaram a subir substancialmente;

III) a ancoragem e aumento dos alunos no ensino da língua portuguesa;

IV) a promoção da cultura nacional, que contribuiu para mudar falsos estereótipos existentes sobre a Comunidade Portuguesa;

V) a reestruturação do Consulado Geral; e

VI) a criação de uma entidade dedicada ao empreendedorismo na Grande Região que estabeleça verdadeiras pontes com as exportadoras nacionais.

 

Com a declaração do estado de crise, decretado pelo Governo luxemburguês em 17 de Março passado, tudo foi encerrado ou manteve-se em serviços mínimos. Com o desconfinamento gradual e progressivo estamos agora a tentar retomar a normalidade, aqui e em Portugal, para o que vos peço a maior paciência, resiliência e apoio. Nenhum de vós está esquecido e é óbvio para todos, governantes, responsáveis da administração e utentes de que o serviço público tem que ser melhorado. Temos agora de retomar todos estes dossiers. Não vamos pegar neles do “zero”. Por isso ser-nos-à mais fácil recuperar.

A terceira diz respeito ao modo e forma como as autoridades luxemburgueses lidaram com a Comunidade Portuguesa durante a crise sanitária. Recordo que nos media, em todos os edifícios públicos, nos transportes, nas escolas e em diferentes sites da internet toda a informação sobre o covid-19 foi traduzida em português. Não obstante a Comunidade Portuguesa ser a primeira comunidade estrangeira no país, constituindo entre 1/5 e 1/ 6 da população do Grão-Ducado, aqui fica o registo do meu muito obrigado às autoridades luxemburguesas. São estes gestos que mostram a amizade e a solidariedade existentes entre os dois povos e os dois governos. Mas sem a existência e o peso da Comunidade Portuguesa isso não seria possível.

A quarta mensagem equaciona o papel da União Europeia em toda esta crise. O que se passou com Schengen e a reposição unilateral das fronteiras não foi bonito. As dificuldades encontradas pelo Eurogrupo para chegar a acordo quanto a um pacote para apoiar os Estados-membros sobre a crise sanitária por via de empréstimos foram evidentes. As negociações para se chegar a acordo quanto a um orçamento comunitário e a um Fundo de Recuperação sócio-económico-financeiro que permitam à Europa sair desta crise mais forte, coesa e solidária serão decerto concluídas, espero que no sentido do seu reforço e no respeito pelo desejo dos seus povos. Sem espírito de compromisso e compreensão do que é a coesão e a solidariedade não será possível atingir o objectivo.

Finalmente, a quinta é dirigida à sociedade civil da Comunidade Portuguesa, tão dividida, que se devia juntar, unir forças, integrar-se na sociedade do país de acolhimento sem receio de perder as suas raízes, participando activamente na sua vida cívica e democrática, para contribuir para moldar o seu destino, num momento em que o medo e o pânico que o Covid-19 instalou ajuda projectos de demagogos, predadores como o coronavírus, que querem acabar com a nossa esperança e liberdade, por vezes matando-nos. Não podemos deixar isso acontecer Comunidade Portuguesa!

Celebrações de aniversários, acção e solidariedade social, comemorações de festas populares, expressões de cultura tradicional são necessárias, mas não dispensam o exercício da cidadania. Para sermos mais ouvidos e termos outros Félix Braz.

As minhas últimas linhas vão para vos desejar boas férias, em segurança, de preferência em Portugal, onde é possível chegar de avião e por via terrestre, esperando que todos cumpram as normas sanitárias em vigor.

Informo ainda a Comunidade de que as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e respectivos segmentos, podem ser seguidas na edição especial do programa “Portugal no Mundo”, que serão transmitidas na RTP Internacional e na RTP 1, durante a tarde do dia 10 de Junho.

António Gamito

Embaixador de Portugal no Luxemburgo“.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade