O Luxemburgo entra esta segunda-feira, 20 de Abril de 2020, na primeira fase do desconfinamento por causa da pandemia do coronavírus Covid-19.

Uma das medidas anunciadas pelo Governo passa pelo uso obrigatório de máscaras nos transportes públicos, mas também em outros locais públicos, supermercados ou em locais onde a distância de segurança de 2 metros não possa ser garantida.

Os motoristas de autocarro do Luxemburgo elogiam a medida, embora consideram que ainda é “insuficiente” para garantir a segurança destes trabalhadores, considerados ‘essenciais’.

“Não é suficiente, mas já é um passo importante (…) é o mínimo que podem fazer”, disse, ao LUX24, Jailson Melício, motorista de autocarro no Luxemburgo.

Este jovem cabo-verdiano é um dos muitos motoristas de autocarros que têm reclamado junto do patronato e do Governo a exigir mais normas de protecção para motoristas e passageiros nos transportes públicos do Grão-Ducado.

“Pedem-nos esforço, agradecem e tudo, mas temos de ter mais protecção. E nem estamos a pedir muito. É uma época em que todos temos de fazer um esforço. Sabemos que a economia vai sofrer. Não estamos a pedir subsídios de risco nem nada que se pareça. Apenas protecção para podermos ter condições de continuar a trabalhar sem adoecer e nem levar o vírus a nossa família que está em casa”, afirmou num mensagem enviada ao LUX24.

Jailson Melício, de 42 Anos, trabalha há cinco anos como condutor de autocarro.

Jailson Melicio é motorista de autocarro no Luxemburgo – FOTO DR / Facebook

Numa mensagem enviada ao Governo, este cabo-verdiano, residente em Mersch, fez um apelo em nome dos condutores de transportes públicos.

“Nós os condutores de autocarros, tram [eléctrico] e comboio não podemos ficar em casa por motivos óbvios. Porque temos de carregar ainda alguns que trabalham e meia dúzia de [pessoas] sem noção que não sabem o que significa quarentena, epidemia, pandemia ou um simples #FiqueEmCasa”, começa por dizer a missiva a que o LUX24 teve acesso.

O pedido dos condutores ao Governo e às empresas de transportes resume-se a seis pontos essenciais:

1° Como temos de circular por instalam, por favor, em todos os transportes álcool gel para que os passageiros possam desinfectar as mãos ao entrar.

2° Ordenem a desinfecção obrigatória a fundo dos comboios, tram e autocarros (digo, desinfecção a sério).

3° Dêem aos condutores de autocarros sprays desinfectante para (nós mesmos) fazer uma desinfecção rápida onde os clientes normalmente seguram quando entram nos transportes, (depois de cada volta que tivermos, uma paragem que dê para isso).

4° Diminuir a circulação dos transportes, que andam a poluir e gastar combustível sem necessidade. Se diminuíram as pessoas nas ruas seria lógico reorganizar a circulação dos transportes.

5° Este para os patrões,

Não nos mudem os autocarros sem necessidade. Porque não faz sentido eu desinfectar o volante e a cabine, etc, e depois ter que andar com outro [autocarro] sem nenhuma necessidade. A não ser que tenha de fazer uma linha que exija um veículo com características diferentes!

6° e último, mas não menos importante. Distribuem máscaras e álcool gel individual aos motoristas! Não estamos a pedir muito, apenas o mínimo de segurança para nós e para os passageiros nesta luta titánica contra esta doença maldita. Uma guerra que têm de ser travada por todos nós! Este é um momento de união, por isso para mantermos juntos temos de manter sãs e vivos!”.

“Só interditar de entrar na porta da frente ou as duas primeiras filas vedadas [aos utentes] não chega para um vírus tão perigoso e que se espalha com tanta facilidade”, remata Jailson Melício.

Recorde-se que novas regras a respeitar a partir desta segunda-feira, dia 20 de Abril de 2020, nos autocarros, nos comboios e eléctricos, é obrigatório o uso das máscaras cirúrgicas ou artesanais, uma medida que se aplica aos motoristas, outros funcionários e passageiros.

Várias medidas anunciadas no início da pandemia no país continuam em vigor, tais como:

– Nos autocarros, as duas filas da frente estão proibidas aos passageiros;

– Os passageiros devem entrar pela porta de trás dos autocarros;

– Dentro dos comboios não há venda de bilhetes para a primeira classe e os bilhetes RegioZone (que continuam a ser pagas).

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