Ana Lopes e o ex-companheiro, Marco Silva, que a terá assassinado - Foto Facebook

O tribunal do Luxemburgo retomou ontem (16) o julgamento de recurso no caso de homicídio da portuguesa Ana Lopes, alegadamente assassinada pelo ex-companheiro Marco Silva. Apesar de sentenciado a prisão perpétua, o português continua a clamar inocência.

Na última sexta-feira, os juízes interromperam a sessão e pediram para ouvir um perito em ADN. O julgamento foi ontem retomado para nova sessão.

O perito em ADN, que ontem falou em tribunal, explicou que foram encontrados vestígios do haplótipo Y, o que significa que pertencem a qualquer membro do sexo masculino da família de Marco Silva. Em suma, podem ser do próprio, ou de um filho, do pai, de um tio ou irmão, por exemplo.

A defesa de Marco Silva tem alegado que não ficou claro em tribunal que o ADN encontrado num rolo de fita adesiva junto ao carro da vítima pertencia a Marco Silva, mas ontem, mais uma vez, o Ministério Público (MP) contou com um “apoio de peso”, com o testemunho do perito a ser considerado válido.

“Foi um crime brutal. [Ana Lopes] não tinha qualquer hipótese de sobreviver”

Ontem foi igualmente dia do Ministério Público proceder às suas alegações finais neste julgamento de recurso, interposto pela defesa de Marco Silva, sentenciado a prisão perpétua pelo brutal homicídio da ex-companheira Ana Lopes.

“Foi um crime brutal e executado com uma frieza chocante (…) [Ana Lopes] não tinha qualquer hipótese de sobreviver”, disparou o Ministério Público, que voltou a insistir na pena máxima de prisão perpétua para Marco Silva.

Local onde foi encontrada a viatura incendiada com o corpo de Ana Lopes, nos arredores de Roussy-le-Village, França, perto da fronteira com o Luxemburgo – FOTO PAULO DÂMASO/LUX24

Marco Silva foi condenado a prisão perpétua por vários factos relacionados com a morte da ex-companheira Ana Lopes, natural de Seia: Terá sequestrado, matado, queimado o corpo e o carro da vítima, na altura com 25 anos, e mãe de um filho do casal, de apenas 5 anos.

O corpo de Ana Lopes foi encontrado totalmente carbonizado – assim como a viatura – no lado francês da fronteira, em Roussy-le-Village.

O caso remonta a janeiro de 2017 e chocou a imensa comunidade portuguesa residente no Grão-Ducado, estimada em cerca de 100.000 portugueses (16% da população do país).

Nas alegações finais deste julgamento de recurso o Ministério Público observou ainda a “ausência de confissão, arrependimento ou responsabilidade” por parte de Marco Silva, assim como as “mentiras e contradições”.

Para o MP não há dúvidas: “Ele [Marco Silva] é um mentiroso. Mentiu sobre o álibi e não estava em casa na hora dos factos […] O autor do crime decidiu transportar o corpo para a França, planeou e premeditou o acto. Esse autor é Marco Silva”.

O Ministério Público justifica estas afirmações recordando que todos os indícios – mesmo os que são refutados pela defesa [uma braçadeira e o rolo de fita adesiva usados ​​no crime são materiais que podiam ser encontrados na garagem onde trabalhava] – apontam apenas para um culpado: Marco Silva.

A portuguesa Ana Lopes assassinada no Luxemburgo em Janeiro de 2017 – FOTO: Facebook

A finalizar, o Ministério Público recordou ainda que, antes deste brutal homicídio, Ana Lopes já tinha apresentado várias queixas de violência doméstica contra Marco Silva e lembrou também o testemunho de outras mulheres, com quem Marco Silva se relacionara, que apontam igualmente para actos de ofensas e ameaças por parte do imigrante português radicado no Luxemburgo.

Natural de Viseu, Marco Silva, de 33 anos, desde o início do julgamento que clama inocência, mas viu o tribunal condená-lo a prisão perpétua em 12 janeiro deste ano, como noticiou na altura o LUX24.

Para além da pena de prisão perpétua, Marco Silva foi ainda condenado ao pagamento de várias indeminizações: 100 mil euros aos pais de Ana Lopes, 25 mil à irmã e 100 mil ao filho em comum com Ana Lopes.

Na leitura da sentença, o Tribunal do Luxemburgo considerou que Marco Silva que foi o “mentor” e “autor” do crime horrendo, que o mesmo “premeditou”.

O colectivo de juízes sublinhou ainda que o álibi de Marco Silva foi “pouco credível”, assim como o depoimento contraditório de várias testemunhas durante o julgamento.

Na próxima sexta-feira (19), é a vez da defesa de Marco Silva apresentar os seus argumentos neste julgamento de recurso.

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