As férias colectivas de Verão no sector da construção civil no Luxemburgo arrancam hoje oficialmente e prolongam-se até 23 de agosto (inclusive).

De carro ou de avião, milhares de portugueses, imigrantes no Luxemburgo, rumam por estes dias ao torrão natal Portugal para as merecidas férias de Verão, num ano atípico marcado pela pandemia do Covid-19.

Dos cerca de 18 a 20 mil trabalhadores da construção civil no Luxemburgo, a maioria são imigrantes portugueses ou lusófonos no Grão-Ducado.

As férias colectivas no sector da construção civil são obrigatórias e resultam de convenções colectivas, assinadas entre patrões e sindicatos, mas este ano muitas empresas do sector pediram para não encerrar no verão devido à crise provocada pelo Covid-19.

Estas férias colectivas acontecem numa altura em que a situação em torno da pandemia do Covid-19 não está controlada.

E, por isso, são muitos os apelos ao respeito pelos “gestos de barreira” e pelas medidas sanitárias em vigor: uso de máscara, distanciamento social e desinfecção regular das mãos.

Seja aqui, no Luxemburgo, em Portugal ou em outro qualquer destino de férias.

A comunidade portuguesa no Luxemburgo é de cerca de 100.000 pessoas e ronda 16% da população do Luxemburgo.

Como habitualmente, a última semana de Julho e as duas/três primeiras de Agosto marcam as férias colectivas de Verão da construção civil.

O Luxemburgo “fica vazio”. O frenesim do dia-a-dia cai a pique. O sector da construção civil emprega cerca de 18 a 20.000 trabalhadores (a maioria portugueses e lusófonos), num país de 626 mil habitantes (dados de janeiro de 2020).

Fim de Julho, início de Agosto é sinónimo de romaria a Portugal e, embora este ano a pandemia tenha travado a habitual euforia, a ida a Portugal pode ser feita cumprindo as três medidas mais eficazes de combate a doença: distanciamento social, uso da máscara e a higienização das mãos com regularidade.

“O que eu diria às pessoas que vão partir de férias é que, em todo o momento, na sua casa, na viagem, no destino, mantenham o distanciamento social, usem a máscara e façam as higienização das mãos com regularidade, porque está provado que são as três medidas mais eficazes para combater a doença”, disse recentemente o Embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, a uma pergunta do LUX24, durante uma conferência de imprensa conjunta com a ministra luxemburguesa da Saúde, Paulette Lenert, e o embaixador cabo-verdiano Carlos Semedo.

A ministra da Saúde do Luxemburgo, Paulette Lenert, ladeada pelo Embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, 06.07.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

“É essencial que as pessoas tenham a responsabilidade de tomar todos os cuidados para as férias de Verão. Todos devem ir a Portugal porque todos têm direito às suas férias, mas devem respeitar as regras mínimas e assegurar os familiares em Portugal que não os vão contaminar”, reforçou aos jornalistas, no final da conferência de imprensa promovida pelo Ministério da Saúde.

António Gamito apelou ainda aos portugueses para que evitem locais onde haja grandes concentrações de pessoas, seja em casas particulares, cafés ou bares.

“NÃO É PRECISO IR AO CAFÉ VER O JOGO DE FUTEBOL, ONDE ESTÃO 50 PESSOAS DE PÉ, DESRESPEITANDO AS REGRAS. PRIVEM-SE, POUPEM-SE, É PREFERÍVEL PRIVAREM-SE DE UM MOMENTO DE ALEGRIA DO QUE ESTAR, PELO MENOS, TRÊS SEMANAS NUM HOSPITAL, DEITADO, SEM SABER SE SAI DE LÁ OU NÃO”, EXORTOU ANTÓNIO GAMITO, APELANDO A TODOS OS PORTUGUESES PARA SEGUIREM “TRÊS REGRAS BÁSICAS DE PROTECÇÃO: USO DA MÁSCARA, HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS E DISTANCIAMENTO SOCIAL”.

Um dos dois Conselheiros das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, João Verdades, vai fazer férias, como milhares de portugueses radicados no Luxemburgo, e, no seu carro, tenciona ir até Portimão, Algarve, de onde é natural.

João Verdades compreende o “medo e receio” existente na comunidade portuguesa antes deste período de férias em que o Covid-19 voltou a dar sinais preocupantes. O Conselheiro deixa a sua recomendação aos compatriotas.

“Os cidadãos deverão respeitar as leis em vigor e as instruções dadas pelas autoridades sanitárias dos países respectivos por onde passem. Devem fazer, antes de partir, uma rigorosa avaliação do risco da viagem, seja ela qual for (quer na ida, quer no regresso) e, se necessário e/ou solicitado, fazer quarentena voluntária”, aconselha, ao LUX24, o advogado João Verdades, relembrando que “a violação de qualquer regra legal, poderá ter sanções civis ou penais”.

João Verdades e Rogério Oliveira, os dois Conselheiros da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

A presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), Elisabete Soares, antecipou-se e já foi de férias em Junho, para ver a família, nomeadamente a mãe, “mas sempre respeitando” todas as regras de distanciamento social e uso de máscara.

No Verão, propriamente dito, vai ficar pelo Luxemburgo e compreende os receios dos compatriotas lusos.

“Os portugueses têm medo e receio de ir a Portugal, seja de carro, seja de avião. No entanto, apesar das incertezas todas há uma enorme consciência que do perigo que esta pandemia pode ter na vida de cada um”, começou por dizer Elisabete Soares ao LUX24.

“OS PORTUGUESES VÃO A PORTUGAL, MAS EM MENOR NÚMERO. PENSO QUE O CARRO SERÁ A ESCOLHA DO MAIOR NÚMERO DE PORTUGUESES. FOI O QUE SE VERIFICOU ESTE FIM-DE-SEMANA DE SEMANA NAS AUTO-ESTRADAS FRANCESAS” DISSE A DIRIGENTE ASSOCIATIVA.

Elisabete Soares deixa igualmente um apelo à “responsabilidade individual” e ao “comportamento em sociedade”, temendo que “as pessoas que não respeitam os gestos barreira aqui, provavelmente também não o farão em Portugal”.

Elisabete Soares, Presidente da CCPL – FOTO DR / Radio 100.7

“Da responsabilidade individual ao comportamento em sociedade, no Luxemburgo ou em Portugal, o comportamentos cada um é e será determinante para se combater esta pandemia. Aconselho os portugueses a compreenderem que estas férias são diferentes e que devem manter os gestos barreira em todas as circunstâncias”, rematou Elisabete Soares, natural de Penamacor – Vila Madeiro, distrito de Castelo Branco.

De acordo com os dados mais recentes, Portugal registava na terça-feira (28) um total de 50.410 casos de infecção confirmados e 1.722 mortes, enquanto o Luxemburgo contabilizava ontem um total de 113 mortes e 6.375 casos de infecção por Covid-19.

O LUX24 deseja a todos os imigrantes portugueses, residentes no Luxemburgo, uma boa viagem de regresso a Portugal (se for o caso) e umas óptimas férias de Verão.

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