Até ao dia 10 de Maio de 2020 a Abadia de Neumünster, na cidade do Luxemburgo, recebe a exposição “Portugal e Luxemburgo – Países de Esperança em Tempos Difíceis“.

Quando, numa madrugada fria de novembro de 1940, a bruma se dissipava sobre um comboio parado há mais de uma semana na estação de Vilar Formoso (Portugal) e, enquanto às janelas das carruagens assomavam rostos fatigados dos exilados retidos, a população chegava à gare trazendo pão, fruta, sopa e café, mostrando a sua compaixão por aqueles estrangeiros desgraçados de quem só conheciam o infortúnio e a privação extrema.

Esta compaixão, esta solidariedade, estão presentes em inúmeros testemunhos recolhidos entre dezenas de milhares de refugiados, que fugindo da implacável e assassina máquina que visava destruir homens e as suas frágeis democracias, conseguiram chegar a Portugal. Referindo-se aos portugueses, eles próprios sob o jugo de um regime autoritário, escreveu Friedrich Torberg – um escritor que, na sua perigosa viagem entre Viena e Nova Iorque passou pela incontornável gare de Vilar Formoso.

“O acolhimento extremamente caloroso que os refugiados receberam, a extraordinária hospitalidade e uma enorme solicitude por parte da população anónima”

Na origem desta exposição, tendo em conta as semelhanças da actualidade com o período que antecedeu a II Guerra Mundial, esteve a vontade da Association MemoShoah Luxembourg de destacar o exemplo de países que souberam acolher os seus semelhantes estrangeiros em situação de profunda aflição, fugidos da guerra ou da miséria, como foi o caso de Portugal e do Luxemburgo.

Porque é importante lembrar aos que já o esqueceram ou ensinar aos que ainda não o sabem que houve uma guerra terrível, durante a qual todos os valores democráticos, aos quais estamos ligados, foram desprezados e que perdiam o direito à vida aqueles que não aceitassem os critérios impostos pelos nazis.

O fio vermelho que atravessa este fresco histórico mostra-nos que, de circunstâncias trágicas, pode emergir o que de melhor há na Humanidade, na aceitação do outro, na capacidade de gerar heróis, que sem espalhafato arriscaram as suas vidas para salvar desconhecidos.

Ao conceito, tão caro a Hanna Arendt, da banalidade do mal, pode contrapor-se a nobre banalidade do bem.

A historiadora Margarida Magalhães Ramalho e a arquitecta Luísa Pacheco Marques, que criaram o museu Vilar Formoso, Fronteira da Paz, foram as obreiras-chave deste projecto em parceria com uma equipa da MemoShoah Luxemburgo.

A exposição, que se realiza durante a presidência luxemburguesa do IHRA – International Holocaust Remembrance Alliance, e sob o Alto patrocínio de Suas Altezas Reais, o Grão-Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa, bem como do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, conta ainda com a colaboração do Centre Culturel de Rencontre «neimënster», do Município de Almeida /Vilar Formoso, Fronteira da Paz, de l’OEuvre Nationale de Secours Grande-Duchesse Charlotte e da Fondation luxembourgeoise pour la Mémoire de la Shoah.

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