A ministra da Saúde do Luxemburgo, Paulette Lenert, ladeada pelos Embaixadores de Portugal e de Cabo Verde no Luxemburgo, António Gamito e Carlos Semedo, respectivamente, 06.07.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

A ministra da Saúde do Luxemburgo apelou hoje aos imigrantes portugueses e cabo-verdianos que “permanecem vigilantes” e mantenham o distanciamento social para evitar o contágio por covid-19.

A ministra Paulete Lenert, que na sexta-feira contactou o embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, com o objectivo de fazer uma “chamada de atenção” para “a maior comunidade estrangeira no país”, recusou no entanto que haja mais casos entre os imigrantes que falam português.

A responsável da tutela da Saúde falava hoje numa conferência de imprensa em que participaram também os embaixadores de Portugal e Cabo Verde no Luxemburgo.

“Não fizemos estatísticas em função da nacionalidade”, disse a ministra, em resposta a uma questão colocada pelo LUX24, sublinhando que o Luxemburgo “é um país multicultural” e recusando que haja mais casos entre estas comunidades.

O apelo à comunidade portuguesa e cabo-verdiana no Luxemburgo surge depois de um aumento do número de casos nas últimas semanas, após uma festa privada que reuniu entre 50 a 100 pessoas, em 12 de junho, ter dado origem a um foco de infecção com 24 contágios.

“Não queremos estigmatizar”, disse a ministra, recordando que “há festas um pouco por todo o lado”, incluindo “entre a comunidade lusófona”, e recusando que haja um número desproporcionado de infecções entre estes imigrantes.

“O coronavírus não é um problema da comunidade lusófona, mas de todo o Grão-Ducado. O país é muito pequeno e não queremos estigmatizar ninguém, rotulando pessoas, empresas ou escolas”, sublinhou Paulette Lenert, ministra da Saúde luxemburguesa.

“É um problema geral”, disse a ministra, apontando que o aumento de casos se deve ao desconfinamento.

“Mesmo se há um regresso à normalidade, é preciso respeitar as regras e continuar a sensibilizar as pessoas”, apelou.

Questionada sobre se aconselha que os imigrantes portugueses e lusófonos regressem aos seus países durante as férias, a ministra disse que é uma decisão que cabe a cada um: “Cada um deve avaliar por si o risco que toma, mas o vírus continua”, alertou a governante, sublinhando uma vez mais a importância de observar as regras de higiene e de distanciamento social.

“As pessoas podem ir a países com menos cuidados, e é ainda mais importante redobrar a vigilância e manter a mesma disciplina”, apelou.

A ministra da Saúde do Luxemburgo, Paulette Lenert, ladeada pelos Embaixadores de Portugal e de Cabo Verde no Luxemburgo, António Gamito e Carlos Semedo, respectivamente, 06.07.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

Convidado pelo LUX24 a deixar uma recomendação aos imigrantes lusos que vão de férias a Portugal, António Gamito também sublinhou cuidados a ter: “O que eu diria às pessoas que vão partir de férias é que, em todo o momento, na sua casa, na viagem, no destino, mantenham o distanciamento social, usem a máscara e façam as higienização das mãos com regularidade, porque está provado que são as três medidas mais eficazes para combater a doença”.

O diplomata recomendou igualmente moderação em encontros com muitas pessoas. “Vamos à place d’Armes [praça no centro da capital] e temos jovens a beber cerveja, em pé, sem máscara. Isto não pode ser, as pessoas têm de ser servidas sentadas”, apontou, acrescentando que “não é normal que as pessoas convidem 20 ou 30 pessoas para sua casa e baixem a guarda à covid-19”.

O embaixador salientou que “são exactamente as mesmas regras que Portugal aplica”.

A ministra da Saúde do Luxemburgo, Paulette Lenert, ladeada pelo Embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, 06.07.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

“Podemos ir de férias, mas a responsabilidade é nossa”, acrescentou o embaixador de Cabo Verde, Carlos Semedo, apelando a que os imigrantes cumpram “escrupulosamente as regras de higiene”.

“Queremos que a comunidade lusófona no Luxemburgo seja conhecida pelas boas razões”, defendeu o diplomata.

Carlos Semedo deixou um apelo: “Temos de reaprender a viver com o novo coronavírus e abraçar novos comportamentos e novas rotinas”, sublinhando a importância de respeitar “as indicações das autoridades de Saúde”.

“Se pudermos adiar algumas festas e contactos físicos em encontros que não sejam realmente essenciais, ninguém vai morrer por causa disso“, frisou o diplomata.

A ministra da Saúde do Luxemburgo, Paulette Lenert, ladeada pelo Embaixadores de Cabo Verde no Luxemburgo, Carlos Semedo, 06.07.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

O director da Saúde do Luxemburgo, Jean-Claude Schmit, apelou também “a todas as pessoas que apresentem sintomas que contactem os serviços de saúde e procedam rapidamente a um teste de despistagem”.

O director da Saúde do Luxemburgo, Jean-Claude Schmit, 06.7.2020 – FOTO: PAULO DÂMASO / LUX24

Desde o início da pandemia, o Luxemburgo registou 4.522 casos de infecção e 110 mortes.

No Luxemburgo vivem cerca de 95 mil portugueses e cerca de 30 mil cabo-verdianos.

LUX24 c/ LUSA

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