Da esquerda para a direita: José João Guilherme, Isaura Rovisco, Jorge Cruz, António Gamito, Ricardo Mourinho Félix e Rodolfo Lavrador na inauguração do escritório de representação da CGD no Luxemburgo, 05.10.2021 - FOTO © PAULO DÂMASO / LUX24

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) abriu esta terça-feira (05) um escritório de representação, no n.º 6 da Avenue de la Liberté, na cidade do Luxemburgo, depois de a sucursal no país ter fechado em 2018, com o objectivo de recuperar a “confiança” dos clientes e da comunidade portuguesa no Grão-Ducado.

“Acho que [no Luxemburgo] os clientes não perderem a confiança na CGD, acho é que ficaram zangados [connosco], o que é diferente de perder a confiança. Sobreviver, muitas vezes, implica sacrifícios. Penso que a comunidade portuguesa no Luxemburgo compreende o nosso sacrifício e o espelho da nossa vontade é que estamos novamente aqui para continuar a servir essa comunidade”, disse, ao LUX24, José João Guilherme, administrador executivo da CGD.

José João Guilherme admite que o encerramento dos dois balcões do banco público português, no Luxemburgo e em Esch/Alzette, em 2018, “foi mal recebido” pelos clientes e pela comunidade portuguesa, mas, afiança, “os tempos são outros e a CGD veio para ficar”.

“É natural que o encerramento [em 2018] tenha sido mal encarado por algumas pessoas [clientes], que pensaram que a Caixa Geral de Depósitos iria sair para sempre [do país]. Mas não, a Caixa nunca quis sair para sempre. Na altura a instituição bancária fez o que devia ter feito para se recapitalizar. É bom lembrar que o capital da Caixa é de todos os contribuintes. E nós temos que fazer todas as operações, o melhor, para poupar dinheiro aos contribuintes, porque o bolso dos contribuintes não é ilimitado”, afirmou José João Guilherme ao LUX24, à margem da cerimónia oficial de inauguração.

“É o que estamos a fazer: Ter operações rentáveis para devolver aos contribuintes o dinheiro que investiram na Caixa. E é isso que tem estado a acontecer na cgd” – José João Guilherme

“Há uma questão que paira na comunidade e nada melhor do que dizermos as coisas de frente e sem rodeios. Porque é que fecharam a Caixa [no Luxemburgo]? Passo a explicar: a Caixa para se recapitalizar e voltar a ser forte teve de vender um conjunto de activos, e acima de tudo teve de fazer uma coisa: ver qual era a melhor maneira de servir determinadas geografias sem comprometer o seu capital, o capital dos portugueses. Por exemplo fechou um Banco altamente rentável na Africa do Sul, teve uma operação para venda em Cabo Verde, vendemos uma parte de uma das maiores subsidiárias que temos em Africa, vendemos o maior Banco que temos em Cabo Verde, mas o facto de vendermos não significa que deixámos de estar nesses mercados. Aqui no Luxemburgo é como se estivéssemos em casa, é muito rápido deslocarmo-nos aqui. Não precisamos, portanto, de ter aqui um Banco ‘full incorporated’ como temos noutras geografias. O nosso propósito é servir os portugueses e servir também as pessoas no Luxemburgo que queiram investir em Portugal e, neste momento, sei que há muita gente que quer investir em Portugal”, disse no seu discurso José João Guilherme.

“O nosso país continua a ter coisas fantásticas, é considerado um excelente sítio para se viver, por isso percebo perfeitamente que haja muita gente aqui que faça investimentos planeando as suas reformas, porque Portugal tem felizmente tudo o que falta noutros locais: é seguro, tem um clima fantástico, o ensino é excelente, a maioria fala inglês, ou seja reunimos todas as condições para que cidadãos de países, designadamente o Luxemburgo (mas não só do Luxemburgo), possam investir em Portugal. O Escritório de Representação está aqui para vos servir e para facilitar esse caminho -, terem Portugal por perto, mesmo à distância de algumas horas de avião e.… continuem a acreditar em nós porque nós continuamos a acreditar no mercado luxemburguês e nas pessoas que nos têm acompanhado a todos”, desafiou o administrador executivo da CGD.

Para além da presença do administrador executivo da CGD José João Guilherme, a cerimónia de inauguração contou com a presença de convidados institucionais como o embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, o cônsul-geral Jorge Cruz e Ricardo Mourinho Félix, ex-secretário de Estado das Finanças, vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), e Rodolfo Lavrador, director de relações internacionais da CGD, entre outros.

A cerimónia contou ainda com a presença de dezenas de membros da comunidade civil e empresarial portuguesa residente no Grão-Ducado.

“A CGD é o banco do Estado, de todos os contribuintes, tem um peso institucional e operacional enorme junto da comunidade. É importante a CGD estar aqui e que faça a ligação da comunidade e dos seus clientes [no Luxemburgo] com Portugal, que aconselhe a comunidade portuguesa a investir bem em Portugal, através de um banco de confiança. E isso é a Caixa Geral de Depósitos”, disse, ao LUX24, António Gamito.

Durante a sua intervenção na cerimónia, António Gamito exortou ainda a CGD – instituição liderada por Paulo Macedo – a “olhar” para a Grande Região [a Grande Região é a região de Sarre, Lorena, Luxemburgo, Renânia-Palatinado, Valónia e o resto da Comunidade Francesa da Bélgica e da Comunidade Germanófona da Bélgica]

“A Grande Região tem que ser muito bem explorada porque há grandes negócios nesta zona geográfica e que podem ser feitos pela CGD junto de empresas portuguesas, nomeadamente”, desafiou António Gamito.

“A CGD aqui no Luxemburgo representa naturalmente uma mais-valia para fazer a interface entre os portugueses que aqui residem e os que estão em Portugal. Por exemplo, para promover investimentos de portugueses lá, ou trazer investimentos portugueses para aqui, ou de luxemburgueses para Portugal. É mais uma entidade forte, grande, potente, poderosa que se instala no Luxemburgo e que pode ajudar a vida de muitos compatriotas nossos. Eu espero (e julgo), porque a administração prometeu-me, que é para se manter, não é para sair, como em 2018, quando eu aqui cheguei. E, portanto, o que eu espero é que a presença da CGD no Luxemburgo aumente o fluxo de investimentos e as relações comerciais entre os dois países e beneficie a comunidade portuguesa e os luxemburgueses que queiram ir para Portugal de uma forma segura”, exortou o Embaixador de Portugal no Luxemburgo.

O funcionamento do escritório de representação no Luxemburgo é assegurado pelos seus três colaboradores: Isaura Rovisco (responsável de escritório), Daniel Veríssimo e Rui Almeida (assistentes comerciais).

“Depois de um ano e meio muito duro, é com muita honra que estamos a inaugurar o nosso escritório aqui no Luxemburgo, promovendo a proximidade, bem como todos os produtos e serviços disponíveis na rede de agências da Caixa em Portugal, aos clientes residentes no Luxemburgo”, disse Isaura Rovisco, durante a inauguração oficial.

“Passada esta fase da pandemia que está hoje controlada, assinalamos hoje aqui o dia de dar continuidade às promessas que a Caixa fez a todos os portugueses que residem fora de Portugal e queremos desde já sublinhar a proximidade, a nossa disponibilidade e queremos prestar um serviço de qualidade e de excelência. Somos a Caixa para todos e para cada um, em qualquer parte do mundo”, salientou Isaura Rovisco.

Para além do Luxemburgo (onde residem cerca de 100 mil portugueses), a CGD tem escritórios de representação em geografias com forte representatividade da comunidade portuguesa, nomeadamente na África do Sul (Joanesburgo), na Alemanha (Berlim, atendimento semanal em Colónia, Frankfurt, Hamburgo, Estugarda), Bélgica (Bruxelas), Canadá (Toronto), Reino Unido (Londres), Suíça (Genebra, delegados comerciais em Zurique e Lausanne) e na Venezuela (Caracas).

Paulo Dâmaso (ND) 

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