© Irene Flunser Pimentel

A guerra colonial do Ultramar é hoje contada, a partir das 18:00, durante uma conferência que decorrerá no Museu Nacional de História e de Arte (MNHA), no Luxemburgo.

A iniciativa promovida pela Embaixada de Portugal e pelo Centro Cultural Português – Camões, em colaboração com o MNHA, acontece no âmbito da exposição “Le passé colonial du Luxembourg”.

A conferência “Treze anos de guerra colonial portuguesa em África”, será proferida em francês por Irene Flunser Pimentel.

A guerra colonial levada a cabo pela ditadura portuguesa em Angola, na Guiné e em Moçambique teve diversos nomes, consoante o espaço geográfico e político de quem a ela se refere: do Ultramar, para o regime ditatorial; colonial, para outros os oposicionistas e, de libertação, para todos os que pegaram em armas para obtê-la.

Em 1961, os ventos da descolonização que varriam África também se fizeram sentir em Angola, em Fevereiro e Março. Dirigindo-se aos portugueses, a 13 de Abril, Salazar explicou ser seu objectivo avançar «Para Angola, rapidamente e em força!» A guerra pela independência nas colónias portuguesas alastrou à Guiné-Bissau em 1963, e a Moçambique, em 1964, no final do qual já estavam envolvidos na guerra em África 85 mil militares portugueses, nessas três colónias africanas.

Guerra do Ultramar / FOTO DR

À medida que se prolongava uma guerra considerada injusta, muitos jovens portugueses, obrigados a cumprir o serviço militar durante três anos, emigravam para países europeus ou desertavam. Após treze anos de guerra colonial, ao chegar-se a 1974, tinham morrido 8.831 jovens portugueses e 15.507 ficaram portadores de deficiência.

Entre os africanos, não estão ainda hoje contabilizados os mortos e os feridos africanos, que poderão ter chegado aos cem mil. A guerra colonial sem fim à vista levou oficiais militares portugueses de patente intermédia a levarem a cabo um golpe de Estado militar, que, em 25 de Abril desse ano derrubou o regime ditatorial português e levou à instauração da democracia e à descolonização.

Hoje, 48 anos depois, a memória da guerra colonial ainda não é pacífica e existem na sociedade portuguesa traumas, que só o conhecimento histórico dos dois lados da barricada permitirá sarar.

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