O Papa Francisco em Maputo, Moçambique, 05.09.2019 – FOTO: ANTONIO SILVA/LUSA

O Papa Francisco defendeu ontem, em Maputo, que “a crise de identidade sacerdotal” deve ser ultrapassada com a propagação de uma prática religiosa mais próxima das pessoas e com compaixão pelos que mais sofrem.

“Perante a crise da identidade sacerdotal, temos que voltar aos lugares para onde fomos chamados” pela vocação de servir, afirmou Francisco, falando aos bispos, sacerdotes, seminaristas, catequistas e animadores, na Catedral da Imaculada Conceição, em Maputo.

O chefe da Igreja Católica, retratando uma realidade muito comum em Moçambique e em África, declarou que a comunidade se entristece “com os que choram a perda de um querido, o menino que ficou órfão, aquela mãe que morreu de Sida e com a avó encarregada de tantos netos”.

A comunidade católica, prosseguiu, deve também estar atenta ao desemprego nas cidades, que levam ao desespero jovens migrados do campo.

“Para nós, sacerdotes, as histórias do nosso povo não são o noticiário [para mediatização]”, porque, salientou, “conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa nos seus corações, sofrendo com eles”.

A Igreja Católica deve procurar o seu lugar junto do povo fiel de Deus e, principalmente, incitar à compaixão pelos que passam as maiores dificuldades, frisou.

O catolicismo, prosseguiu, deve evitar sucumbir ao mundanismo material estimulado pelo consumo excessivo, seguindo a austeridade.

“Ninguém de nós é chamado para um lugar importante, o sacerdote é uma pessoa muito pequena, o mais pobre dos homens, o servo mais inútil”, insistiu.

O Papa elogiou a inserção da Igreja Católica nas comunidades moçambicanas, enfatizando a necessidade de compreensão das dificuldades que as populações enfrentam.

“Obrigado pelos vossos testemunhos que falam das horas difíceis que se vive, mas admirando a misericórdia de Deus”, agradeceu.

O Papa Francisco cumpre hoje o segundo de dois dias da visita a Moçambique, no âmbito de um périplo por África, que o levará também a Madagáscar e às Maurícias.

Francisco é o segundo chefe máximo da Igreja Católica a deslocar-se a Moçambique, depois de João Paulo II ter visitado o país em 1988.

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