As perdas semestrais de 555,3 milhões de euros do Novo Banco levaram o agregado dos cinco maiores bancos portugueses para um prejuízo de 14,8 milhões de euros, pois as restantes instituições lucraram, em conjunto, 540,3 milhões de euros.

Apesar dos lucros de 249 milhões da Caixa Geral de Depósitos (CGD), de 172,9 milhões de euros do Santander Totta, de 76 milhões de euros do BCP e de 42,6 milhões de euros do BPI que, em conjunto, totalizam 540,5 milhões de euros, os prejuízos do Novo Banco ‘arrastaram’ o resultado líquido agregado dos cinco maiores bancos a operar em Portugal para os prejuízos.

As perdas de 555,3 milhões de euros do banco que sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES) levam, assim, o resultado agregado da principal banca portuguesa para um prejuízo de 14,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, depois dos lucros agregados de 597,1 milhões de euros registados no mesmo período de 2019.

No primeiro semestre de 2019, o BCP tinha atingido 169,8 milhões de euros de lucro, o Santander Totta 275,9 milhões, o BPI 134,5 milhões e a CGD 417 milhões, sendo novamente o Novo Banco a parcela negativa no resultado líquido agregado.

Nos primeiros seis meses do ano passado, o Novo Banco registou 400,1 milhões de euros de prejuízos, um número menor face aos 555,3 registados no primeiro semestre deste ano.

Novo Banco estima em 176 ME valor a pedir ao Fundo de Resolução para cobrir prejuízos de 555 ME

O Novo Banco estima que o valor a pedir no âmbito do Mecanismo de Capital Contingente, que recorre ao Fundo de Resolução para compensar perdas do legado do banco, seja de 176 milhões de euros no primeiro semestre, foi hoje anunciado.

“Em resultado das perdas verificadas na atividade ‘legacy’ [legado] no valor de 493,7 milhões de euros, que refletem a prossecução do processo de ‘deleverage’ [desalavancagem] de créditos, imóveis e outras exposições ‘legacy’ que estavam no balanço do Banco em 2016, o Novo Banco estima, a esta data e para este período de seis meses, um montante a receber de 176 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente”, pode ler-se no comunicado do banco enviado ao mercado.

O director Executivo do Novo Banco, António Ramalho – FOTO: ARQUIVO / JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

A instituição presidida por António Ramalho registou prejuízos de 555,3 milhões de euros no primeiro semestre, um agravamento de 38,8% face ao mesmo período de 2019, constituindo 138 milhões de euros de provisões relacionadas com a covid-19, foi hoje divulgado.

Novo Banco perde 138 trabalhadores e 15 balcões num ano

O Novo Banco perdeu 138 trabalhadores e 15 balcões entre junho deste ano e o mesmo período do ano passado, divulgou hoje a instituição no âmbito da apresentação dos prejuízos de 555 milhões de euros no primeiro semestre.

“Em 30 de junho de 2020 o grupo Novo Banco contava com 4.855 colaboradores (4.993 em 30 de junho de 2019)”, pode ler-se no comunicado enviado pela instituição à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O mesmo documento adianta também que “o número de balcões, em 30 de junho de 2020, era de 386 (401 em 30 de junho de 2019)”.

“Os custos operativos apresentam uma redução de 5,4%, situando-se em 230,1 milhões de euros, reflexo das melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização de estruturas com a consequente redução no número de balcões e de colaboradores”, afirma o Novo Banco.

Dentro dos custos operativos, os custos com pessoal reduziram-se em 4,2 milhões de euros para 129,2 milhões, os gastos gerais administrativos reduziram-se em 9,2 milhões de euros para 83,5 milhões e o custo com amortizações aumentou 300 mil euros para 17,3 milhões de euros.

Novo Banco aprovou mais de 38 mil moratórias que totalizam 6,8 mil ME

O Novo Banco aprovou mais de 38 mil moratórias de crédito no âmbito da pandemia de covid-19 até ao final de junho, num total de 6,8 mil milhões de euros, divulgou hoje a instituição.

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que dá conta dos prejuízos de 555,3 milhões de euros registados pelo Novo Banco no primeiro semestre, pode ler-se que foram aprovadas moratórias “no valor de 6,8 mil milhões de euros para mais de 38 mil clientes”.

“Cerca de 67% do montante foram operações atribuídas a empresas, 30% a operações de moratória do crédito à habitação e o remanescente para operações de crédito ao consumo e outras”, assinala também a instituição.

Já relativamente às linhas de crédito, “o banco atingiu 1,0 mil milhões de euros nas linhas de crédito aprovadas com garantia do Estado”.

“O grupo Novo Banco está também a acompanhar os impactos que poderão advir e, quando relevante, está a tomar decisões que defendam os interesses dos diferentes ‘stakeholders’, designadamente clientes e colaboradores”, de acordo com o comunicado da instituição.

As moratórias de crédito foram criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.

Em junho, o Governo decidiu estender – de setembro deste ano para 31 de março de 2021 – as moratórias para créditos de empresas e particulares (que suspendem pagamentos de capital e/ou juros) e alargou também as condições em que os clientes podem aceder às moratórias. Os clientes podem pedir acesso às moratórias até final de setembro.

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