French President of European Central Bank (ECB) Christine Lagarde (L) arrives at the Hearing of the Committee on Economic and Monetary Affairs of the European Parliament in Brussels on September 26, 2022. (Photo by Kenzo TRIBOUILLARD / AFP)

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse hoje esperar que a actividade económica na zona euro “abrande substancialmente nos próximos trimestres”, devido a vários factores, a começar pela inflação, “que continua demasiado elevada”.

Dirigindo-se à comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Lagarde começou por comentar que “a guerra de agressão injustificada da Rússia contra a Ucrânia continua a lançar uma sombra sobre a Europa” e assumiu que “as perspectivas são cada vez mais sombrias”, advertindo que “é expectável que a situação piore antes de melhorar”.

Apontando que “a economia da zona euro cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2022, principalmente devido à forte despesa dos consumidores em serviços, à medida que a economia foi reabrindo”, a presidente do BCE observou também que “as economias com grandes sectores turísticos beneficiaram especialmente, uma vez que as pessoas viajaram mais durante o verão”, e “o mercado de trabalho ainda robusto também continuou a apoiar a actividade económica”.

Contudo, advertiu então, o BCE espera “que a actividade abrande substancialmente nos próximos trimestres”, e apontou “quatro razões principais” para esta projecção, a primeira das quais “a inflação elevada”, que em agosto atingiu os 9,1% no espaço da moeda única, e que está a “enfraquecer as despesas e a produção em toda a economia”, fenómeno agravado “pelas perturbações no fornecimento de gás”.

Lagarde apontou, em segundo lugar, o facto de “a forte procura de serviços que veio com a reabertura da economia estar a perder vapor”, em terceiro “o enfraquecimento da procura global, também no contexto de uma política monetária mais restritiva em muitas grandes economias”, e, por fim, o facto de a incerteza permanecer elevada, “o que se reflecte na queda da confiança das famílias e das empresas”.

A presidente do BCE sublinhou que “os preços mais elevados da energia e dos alimentos estão a pesar especialmente nas famílias mais vulneráveis e espera-se que a situação piore antes de melhorar”.

“Estes desenvolvimentos levaram a uma revisão em baixa das últimas projecções para o crescimento económico para o resto do ano em curso e ao longo de 2023. Os funcionários do BCE esperam agora que a economia cresça 3,1% em 2022, 0,9% em 2023 e 1,9% em 2024”, assinalou.

Na mesma linha, prosseguiu, as projecções da inflação por parte do BCE foram revistas em “alta significativa”, esperando-se agora que a inflação anual seja de 8,1% em 2022, 5,5% em 2023 e 2,3% em 2024, com o risco de estes valores serem ainda mais elevados.

[ARQUIVO] The headquarters of the European Central Bank (Photo by Daniel ROLAND / AFP)

“Os riscos para as perspectivas de inflação estão principalmente do lado ascendente, reflectindo principalmente a possibilidade de novas perturbações importantes no fornecimento de energia. Embora estes factores de risco sejam os mesmos para o crescimento, o seu efeito seria o oposto: aumentariam a inflação, mas reduziriam o crescimento”, alertou.

Lagarde defendeu que, “neste ambiente, é essencial que o apoio orçamental utilizado para proteger essas famílias do impacto de preços mais elevados seja temporário e direccionado”, argumentando que tal “limita o risco de alimentar as pressões inflacionistas, facilitando assim também a tarefa da política monetária para assegurar a estabilidade dos preços, e contribuindo para preservar a sustentabilidade da dívida”.

Nas suas duas últimas reuniões o BCE aumentou as taxas de juro em 125 pontos base no total, a maior subida da sua história, tendo hoje a presidente da instituição alertado que é de esperar novos aumentos nas próximas reuniões.

“Na situação actual, esperamos aumentar ainda mais as taxas de juro durante as próximas reuniões para amortecer a procura e prevenir o risco de uma persistente mudança ascendente nas expectativas de inflação. Iremos reavaliar regularmente a nossa trajectória política à luz da informação recebida e da evolução das perspectivas de inflação. As nossas decisões políticas futuras continuarão a ser dependentes de dados e seguirão uma abordagem reunião a reunião”, declarou.

ACC // CSJ

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