Turistas britânicos reúnem-se no Aeroporto de Faro após interromperem as suas férias no Algarve para regressarem a casa, devido às novas regras do governo britânico sobre a pandemia de Covid-19, Faro, Portugal, 07.06.2021. FOTO: LUÍS FORRA/LUSA

O secretário-geral do PS, António Costa, afirmou que Portugal tem de continuar a apostar no sector do turismo, mas deve evitar ficar dependente de um só mercado, como o do Reino Unido, apostando na diversificação da oferta.

“Esta crise [pandémica] demonstrou bem a fragilidade de alguns dos sectores económicos mais robustos, mais promissores e que foram áreas de especialização natural em muitas regiões. É o caso do turismo”, disse.

E reforçou: “Isso significa que nós, cada vez mais para o futuro, não podemos depender tanto e só de um sector económico, temos de ter a capacidade de desenvolver e de activar outros sectores económicos, porque novas crises podem surgir e não podemos estar tão fragilizados perante essas crises como estivemos desta vez.”

O secretário-geral socialista, que é também primeiro-ministro, falava, no Funchal, perante militantes e autarcas socialistas, na apresentação da moção de orientação política, que leva ao Congresso do PS, nos dias 10 e 11 de julho, intitulada ‘Recuperar Portugal, garantir o Futuro’.

“Não quer dizer que não tenhamos de lutar e continuar a lutar para fortalecer e apoiar sectores como o do turismo”, declarou, realçando, no entanto, a necessidade de apostar na “diversificação da oferta turística” em cada uma das regiões.

António Costa sublinhou a importância do mercado britânico para Portugal, vincando que deve continuar activo, mas disse que o país tem de procurar novos mercados emissores para além dos tradicionais.

António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, esta tarde durante a apresentação da moção da sua candidatura a secretário-geral do Partido Socialista “Recuperar Portugal – Garantir o Futuro”, no Funchal, 6 de junho de 2021, HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

“É tempo também de, cada vez mais, olharmos para outros mercados, para não ficarmos só dependentes de um só mercado”, afirmou, reforçando: “Essa dependência é uma fragilidade.”

O secretário-geral do PS afirmou, por outro lado, que existem muitas áreas nas quais o país deve investir para diversificar a base económica e garantiu que a sua moção de orientação política aponta nesse sentido e tem em conta quatro desafios estratégicos: a demografia, as alterações climáticas, a transição digital e o combate às desigualdades.

António Costa destacou também o oceano como uma “riqueza enorme que o país tem”.

“É 80% do nosso território, graças à profundidade atlântica que os Açores e a Madeira nos proporcionam, e não podem continuar a ser os grandes esquecidos do nosso processo de desenvolvimento”, disse. E reforçou: “Pelo contrário, têm de ser um dos grandes activos do nosso processo de desenvolvimento.”

Cerca de 10 mil britânicos deixaram Faro no sábado – Turismo Algarve

A saída de Portugal da “lista verde” de viagens para o Reino Unido causou um “pico” de cerca de 10.000 saídas do aeroporto de Faro no sábado, disse o presidente do Turismo do Algarve.

“Sábado houve uma concentração de cerca de 10.000 passageiros britânicos para sair, mas é interessante também perceber que, no mesmo período, chegaram 2.500. Portanto, apesar das regras britânicas, ainda há britânicos a chegar ao Algarve”, afirmou João Fernandes à agência Lusa.

O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) reconheceu que “houve alguns constrangimentos pontuais no aeroporto” de Faro devido ao aumento de tráfego com destino ao Reino Unido por parte de passageiros que procuraram regressar antes de terça-feira, dia em que entre em vigor a saída de Portugal da “lista verde” de viagens devido à pandemia de covid-19.

João Fernandes explicou que os passageiros, “muitos deles britânicos”, se viram obrigados a “antecipar o regresso para chegar ao país antes de terça-feira” e escapar assim à obrigatoriedade de realizar uma quarentena de 10 dias e dois testes à covid-19 nesse período devido à medida imposta pelo Governo britânico a todos os passageiros que cheguem ao Reino Unido proveniente de Portugal.

DC // JPF

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