Os jogadores da seleção nacional portuguesa de futsal - FOTO © Seleções de Portugal - Facebook

A selecção portuguesa de futsal pode hoje (06) sagrar-se bicampeã europeia e coroar um ciclo triunfal na modalidade, na qual também detém o título mundial. Para isso precisa de superar a Rússia na final do Europeu de 2022, a partir das 17:30 (hora luxemburguesa), na Ziggo Dome, em Amesterdão, nos Países Baixos.

Pela terceira vez no encontro decisivo do torneio, Portugal enfrenta um conjunto russo que também sabe o que é vencer a competição, que conquistou no longínquo ano de 1999.

A equipa das ‘quinas’ chega à final após um percurso 100% vitorioso nas cinco partidas realizadas, vencendo a Sérvia (4-2), os Países Baixos (4-1) e a Ucrânia (1-0) no Grupo A e eliminando a Finlândia (3-2), nos quartos de final, e a Espanha (3-2), nas meias-finais.

Já a Rússia também segue invicta, com o melhor ataque (22 golos) e a melhor defesa (cinco tentos): venceu a Eslováquia (7-1), a Croácia (4-0) e a Polónia (5-1) no Grupo C, derrotando a Geórgia (3-1) e a Ucrânia (3-2) nos ‘quartos’ e ‘meias’, respetivamente.

No historial da prova, Portugal já disputou a final em duas ocasiões, ambas perante a Espanha: na primeira vez, em 2010, a ‘la roja’ levou a melhor, por 4-2, mas a formação liderada pelo seleccionador Jorge Braz ‘vingou-se’ em 2018, por 3-2, após tempo extra.

Por outro lado, a Rússia soma já cinco finais perdidas, contra a Espanha, em 1996 (5-3), 2005 (2-1), 2012 (3-1) e 2016 (7-3), e contra a Itália, em 2014 (3-1), tendo conseguido a conquista também contra os castelhanos, em 1999 (3-3, 4-2 nas grandes penalidades).

O confronto directo entre as duas selecções pauta-se pelo equilíbrio nos 13 encontros já disputados, com cinco vitórias, quatro empates e quatro derrotas de Portugal, sendo o último nas ‘meias’ do Europeu2018, com triunfo luso (3-2) rumo à conquista do troféu.

Os dois conjuntos também se defrontaram nos jogos de atribuição do terceiro e quarto lugares do Europeu2007 (vitória russa por 3-2) e do Mundial2000 (triunfo dos lusos por 4-2), para além de duelos no Europeu2014 (igualdade 4-4), no Grande Prémio 2010 (2-1 para Portugal) e no Europeu1999 (3-1 para a Rússia), a contar para a fase de grupos.

Jorge Braz espera que final com Rússia seja o jogo “mais difícil”

O seleccionador português de futsal, Jorge Braz, não tem dúvidas de que a final do Europeu2022, frente à congénere da Rússia, será o jogo “mais difícil” do torneio, disse na antevisão ao encontro decisivo.

“A Rússia é a única selecção, a par de Portugal, que ganhou os jogos todos. É a selecção com os melhores indicadores neste Europeu e tem uma variabilidade de jogadores que lhes traz uma riqueza enorme em termos de jogo. Não tenho dúvidas de que é o jogo mais difícil que vamos ter. Temos muita consciência da dificuldade”, frisou o treinador.

Ainda na ‘ressaca’ de uma reviravolta de contornos épicos contra a Espanha, por 3-2, nas meias-finais, a equipa das ‘quinas’, campeã europeia e mundial em título, enfrenta os russos este domingo, na partida decisiva da prova, com apenas um dia de intervalo.

“Temos de ter consciência da importância do jogo e de que nada do que está para trás conta ou nos dá alguma vantagem. Hoje é para recuperar e preparar simultaneamente, mas nada que nos atrapalhe e que não nos permita preparar devidamente o jogo, que vai ser duríssimo”, afirmou o transmontano, de 49 anos e no cargo técnico desde 2010.

Jorge Braz não concorda com o ‘chavão’ regularmente utilizado da ‘geração de ouro’ e considerou que o sucesso “não pode ser uma questão geracional”, lembrando outras gerações anteriores de igual valia, mesmo sem terem conseguido as atuais conquistas.

“Temos de continuar a trabalhar para que isto seja sustentado e contínuo. Trabalhar e proporcionar oportunidades para que cheguem à idade sénior com esta mentalidade e ambição. Não pode ser uma questão de gerações de ouro, prata ou bronze. Olhar para as bases e para o trabalho de formação que muitos clubes fazem, apoiar e continuar a sustentar isso tudo, se queremos que aconteça com frequência”, explicou Jorge Braz.

O reconhecimento social dos portugueses em relação à selecção de futsal tem sido cada vez maior e Jorge Braz revelou ser “muito gratificante”, mas realçou que isso surge na sequência do trabalho efectuado, garantindo que sentirá sempre orgulho nesta equipa.

“Temos de baixar a adrenalina, perceber que vem aí um desafio difícil, que marca algo que realmente queremos muito. Vamos ter de ser consistentes e ter enorme orgulho no que fazemos. Está tudo muito tranquilo, até há brincadeiras e barulho a mais nas refeições. É sinal do ambiente que se vive aqui. É uma satisfação brutal estar aqui com esta gente. Estava aqui todo o ano, sem problema nenhum”, assumiu o seleccionador.

O seleccionador nacional de futsal, Jorge Braz – FOTO © Seleções de Portugal – Facebook

No duelo ibérico, o jovem Zicky foi o grande destaque dos lusos, sendo, aos 20 anos, considerado o melhor jogador jovem do mundo, mas Jorge Braz entende que o pivô tem “muitas coisas a melhorar”, reforçando que “todos contam”, sem olhar a idades.

“É fundamental ter o valor humano de entender o que é pertencer a uma equipa, o que é trabalhar, atingir objectivos e ir atrás deles. Tem muita importância nas selecções jovens. O Zicky, se calhar, atingiu isso mais cedo porque tem uma personalidade e uma forma de ser muito focada, sabe muito bem o que quer e tem um espírito de equipa fabuloso. Hoje é o Zicky, ontem foi o Afonso, o que também têm feito o Tomás Paçó ou o Pauleta… Tem sido fantástico a função de cada um. Todos contam”, sublinhou.

João Matos acredita que fase “bonita e duradoura” se irá prolongar

O ‘capitão’ João Matos acredita que a fase “bonita e duradoura” da selecção portuguesa de futsal se irá prolongar, antevendo um jogo “muito complicado” frente à Rússia, na final do Europeu2022 da modalidade.

“Não previa que fosse uma fase tão bonita e duradoura. Olhando para a qualidade de Portugal e para a forma como trabalha, acredito piamente que é para se manter e que Portugal vai estar no topo da Europa e do Mundo muitas vezes”, expressou o fixo luso.

Actual recordista de partidas disputadas em fases finais de Europeus e quarto futsalista português com mais internacionalizações de sempre [177], João Matos entende serem “meros números”, dos quais se sente orgulhoso, mas que “nada valem sem troféus”.

“O colectivo é sempre o mais forte. Temos, mais uma vez, de nos unir, dar as mãos, com muita crença e ambição, em mais um jogo dificílimo em que não podemos sair do jogo. A Rússia é extremamente organizada, com esquemas tácticos muito bem elaborados e jogadores muito fortes. Temos as nossas armas e não vamos baixar os braços”, frisou.

Apesar do curto espaço de tempo entre a meia-final e a final, João Matos garantiu que “não há limitação que faça com que um jogador se sinta cansado” na partida decisiva, trabalhando diariamente para este momento e “sem qualquer receio” do adversário.

“Temos de ter coragem e ambição. Vamos para cima da Rússia, de forma consciente e organizada, tirando partido das nossas qualidades e acreditando sempre que a vitória pode cair para o nosso lado”, explicou o internacional português, de 34 anos de idade.

O favoritismo é repartido de igual forma, considerou João Matos, que elogiou o papel “extraordinário” dos mais novos nesta prova: “São jovens com maturidade acima da média e que vão entregar-se ao jogo como nunca viram. Estão com fome tremenda, que se vai traduzir dentro de campo em vontade, empenho e em rasgos individuais”.

Como detentores dos títulos europeu e mundial, Portugal vai lutar por “manter este título” do seu lado e manter o país “no topo da Europa”, num trajecto de continuidade.

“Faz cinco anos que não perdemos um jogo oficial. Temos tido um trajecto exímio, que tem agradado aos portugueses. É com enorme agrado que vejo a selecção de futsal em capas de jornais e a ser falada. É bom sermos reconhecidos pelo êxito que estamos a ter e pela forma dedicada de como nunca baixamos os braços”, sublinhou João Matos.

Portugal e Rússia disputam a final do Europeu2022 de futsal este domingo, a partir das 17:30 locais (a mesma hora no Luxemburgo), na Ziggo Dome, em Amesterdão, depois de Espanha e Ucrânia decidirem o terceiro e quarto lugares da prova continental.

ND com Lusa

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