O presidente do FC Porto, Pinto da Costa - FOTO: JOSÉ COELHO / LUSA

Jorge Nuno Pinto da Costa celebra este domingo, 17 de abril de 2022, 40 anos à frente do FC Porto, quatro décadas recheadas de troféus nacionais e internacionais e marcadas pelas suspeições de corrupção no caso ‘Apito Dourado’.

Eleito pela primeira vez para a presidência dos ‘dragões’ em 17 de abril de 1982, Pinto da Costa transformou o FC Porto e tornou-o dominador em Portugal e conquistador na Europa.

Nascido em 1937 e sócio dos ‘azuis e brancos’ desde dezembro de 1952, Pinto da Costa assume, 10 anos depois, o seu primeiro cargo no seu clube do coração, como chefe de secção do hóquei em patins e em campo.

Em 1967, ‘pega’ também na secção de boxe, onde conhece Reinaldo Teles, então praticante da modalidade e que o vai acompanhar em grande parte do seu percurso à frente da entidade, até falecer em 2020, vítima de covid-19.

O então presidente Afonso Pinto de Magalhães convida-o para integrar a sua lista às eleições como responsável pelas modalidades amadoras, mantendo-se no cargo até 1971, quando rejeita pertencer aos órgãos sociais de Américo de Sá.

Contudo, em 1976, acaba mesmo por integrar a lista de Américo de Sá, pela primeira vez como responsável do futebol.

Com José Maria Pedroto, a primeira grande figura dos mandatos de Pinto da Costa, no banco, o FC Porto interrompe a pior seca da sua história e, 19 anos depois, volta a sagrar-se campeão português em 1977/78, naquele que foi apenas o sexto título dos portistas.

Após repetir o feito na temporada seguinte, Pinto da Costa deixa o clube em 1980, acabando por regressar dois anos depois pela porta grande, como presidente, ‘cadeira’ que não deixou desde então, sendo, em 2020, reeleito pela 15.ª vez, num sufrágio em que, pela primeira vez, teve dois adversários.

Desde a chegada de Pinto da Costa ao comando dos ‘dragões’, o clube ganhou 22 campeonatos, 13 Taças de Portugal e 22 Supertaças, falhando apenas no seu palmarés a Taça da Liga.

A nível internacional, o FC Porto tornou-se um nome conhecido a partir de 1984, quando atingiu a final da Taça das Taças, perdida para a Juventus, três anos antes da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, em Viena, frente ao Bayern Munique, seguida pela Supertaça europeia e pela Taça Intercontinental.

Já no século XXI, Pinto da Costa esteve nas conquistas de uma Taça UEFA (2002/03), uma Liga dos Campeões (2003/04), uma Taça Intercontinental (2004) e uma Liga Europa (2010/11).

Contudo, nem tudo foram conquistas para Pinto da Costa, suspeito de corrupção desportiva no caso ‘Apito Dourado’, em que foi acusado de ter corrompido árbitros na temporada 2003/04, com os factos a centrarem-se nos encontros com o Beira-Mar e o Estrela da Amadora.

O Presidente do FC Porto, Pinto da Costa, entrega o Dragão de Ouro Técnico do Ano, a Sérgio Conceição, 28.09.2020 – FOTO FC PORTO – FACEBOOK

Em 02 de dezembro de 2004, a PJ deslocou-se a casa de Pinto da Costa, que não se encontrava no local, com o presidente ‘azul e branco’ a apresentar-se no tribunal no dia seguinte, acabando por, em 07 de dezembro, manter-se em liberdade mediante o pagamento de uma caução de 200 mil euros.

As escutas – muitas delas tornadas públicas na internet – foram a principal prova usada contra o dirigente portista e os restantes arguidos, mas o Tribunal Constitucional acabaria por declará-las nulas, o que levou a que grandes partes das acusações ‘caíssem’, mesmo com as ondas de choque causadas pelo livro de Carolina Salgado, antiga companheira do presidente, que trazia novas acusações.

Neste processo, Pinto da Costa chegou a ser suspenso por dois anos pela justiça desportiva e foram retirados seis pontos ao FC Porto.

Além do ‘Apito Dourado’, o presidente dos ‘dragões’ voltou a ter problemas com a justiça em 2016, quando, juntamente com mais 56 arguidos, foi acusado no caso da Operação Fénix, relacionada com utilização de segurança privada.

Sempre polémico, Pinto da Costa foi colecionando ‘ódios’, em especial com os rivais lisboetas, sendo um dos mais sonantes nomes na ‘guerra’ norte-sul, sempre apoiante da regionalização, contra o poder de Lisboa.

Embora nunca tenha concorrido a cargos públicos, acabou por ser sempre uma voz importante na cidade do Porto, apoiando e sendo apoiado por vários presidentes da Câmara Municipal.

Contudo, entre 2002 e 2013, a relação entre o município e o FC Porto sofreu um ‘corte’ praticamente completo, com Rui Rio a separar a política do clube, e Pinto da Costa a chegar a declarar o ainda líder do PSD como pessoa ‘non grata’.

Presidente ‘acordou’ o FC Porto e tornou-o competitivo e temido

Jorge Nuno Pinto da Costa ‘pegou’ no FC Porto em 1982, moldou-o à sua imagem, e em 40 anos tornou o ‘gigante adormecido’ competitivo e temido a nível nacional e internacional, com particular destaque no futebol.

Os ‘andrades’ evoluíram para ‘dragões’ e Pinto da Costa, actualmente com 84 anos, transformou-se no presidente (em funções) mais antigo e mais titulado do mundo, ultrapassando o mítico Santiago Bernabéu, antigo líder do Real Madrid.

Os números falam por si. Pinto da Costa está em 246 dos 298 títulos absolutos conquistados pelo FC Porto nas principais modalidades (andebol, atletismo, basquetebol, futebol, hóquei em patins, natação e voleibol). Mais de 82%.

O primeiro título de campeão de futebol surgiu em 1984/85, com Artur Jorge como treinador, embora tenha tido um papel activo no de 1977/78, que quebrou um longo jejum de 19 anos, na altura como director e com José Maria Pedroto no banco. A época seguinte traria o bicampeonato.

Irreverente, irónico e voz activa “contra o centralismo de Lisboa”, como o próprio diz, Pinto da Costa ergueu em 40 anos um clube moderno, que lhe permitiu ombrear com os rivais da capital, Benfica e Sporting, e crescer a nível internacional.

Eleito em 17 de abril de 1982, após um curto afastamento na sequência do denominado Verão Quente de 1980, Pinto da Costa conquista o primeiro título internacional do clube nessa mesma época (Taça das Taças de hóquei em patins) e dois anos depois perde a final da Taça das Taças de futebol para a Juventus (2-1).

Pinto da Costa e Reinaldo Teles – FOTO FC PORTO

A final perdida foi a antecâmara para os troféus internacionais que se seguiram: Liga dos Campeões Europeus (1987/88), Liga dos Campeões (2003/04), Taça UEFA (2002/03), Liga Europa (2010/11), Taça Intercontinental (1987 e 2004) e Supertaça Europeia (1988).

Em 39 edições do nacional de futebol, vividos durante a era Pinto da Costa, o FC Porto conquistou 22 troféus, contra 17 títulos somados pelos rivais Benfica (13), Sporting (3) e Boavista (1), e alcançou o único ‘penta’ da história (1994/96 a 1998/99).

Além do futebol, é também no hóquei em patins, com 72 títulos, oito dos quais internacionais, e no andebol, com 29 troféus nos últimos 40 anos, que a hegemonia do clube durante a presidência de Pinto da Costa mais se faz sentir.

Ao longo dos anos, Pinto da Costa manteve o clube a falar a uma única voz, a sua, e nenhum outro presidente conseguiu conquistar tantos troféus. Quatro décadas após a primeira eleição a questão da sucessão continua a ser tema tabu.

O denominado processo Apito Dourado, envolvendo acusações de corrupção, coação e tráfico de influências sobre árbitros, com escutas comprometedoras, foi um dos momentos mais difíceis que Pinto da Costa teve de gerir, até ao seu arquivamento.

Para a história ficam ainda as polémicas viagens do árbitro Carlos Calheiros e os episódios com o guarda Abel, bem como a penhora de um dos sanitários do Estádio das Antas na sequência de uma penhora executada pelo Ministério das Finanças.

‘Reinado’ assente em rostos que redimensionaram FC Porto

Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa tornou-se no decano e mais titulado dirigente do futebol mundial em actividade ao redimensionar o FC Porto, fruindo dos contributos de diversas figuras célebres nos seus 40 anos de presidência.

Semanas após suceder a Américo de Sá, em 17 de abril de 1982, o 33.º líder da história dos ‘dragões’, então com 44 anos, assistiu ao primeiro título internacional de sempre, a Taça das Taças de hóquei em patins, que seria revalidada na época seguinte, numa modalidade em que foi acompanhado desde o primeiro dia pelo vice-líder Ilídio Pinto.

Nessa equipa de Vladimiro Brandão, rendido a meio da primeira fase hegemónica ‘azul e branca’ nos rinques por Cristiano Pereira, despontavam Vítor Hugo e Vítor Bruno, que lograriam duas Ligas Europeias (1985/86 e 1989/90) e uma Taça Continental (1986/87).

Foi no futebol que o FC Porto, até então com 15 ceptros nacionais, mudou de paradigma, através das sementes lançadas por Pinto da Costa e José Maria Pedroto, que conhecera o ex-chefe de departamento na segunda de três passagens pelas Antas como treinador.

Quebrado um ‘jejum’ de 19 anos na I Divisão, graças aos títulos de 1977/78 e 1978/79, a dupla saiu no ‘verão quente’ de 1980, em oposição a Américo de Sá, para se reencontrar dois anos depois, alcançando uma inédita final europeia na Taça das Taças de 1983/84.

Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto (C) presta homenagem durante a cerimónia funebre de Alfredo Quintana, guarda-redes da equipa de andebol do FC Porto e da seleção portuguesa, junto ao estádio do Dragão e do Pavilhão Caixa. Alfredo Quintana morreu na sexta-feira, aos 32 anos, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória durante o treino. ESTELA SILVA/LUSA

Tal como nos primeiros ceptros da ‘era’ Pinto da Costa, a Supertaça e a Taça de Portugal, o então adjunto António Morais sentou-se no banco como técnico interino na derrota com a Juventus (1-2), em Basileia, devido à doença prolongada do ‘Zé do Boné’, que morreu em 1985, quando o sucessor Artur Jorge celebrou o primeiro campeonato em seis anos.

Suportado pelos golos de Fernando Gomes, que venceu duas Botas de Ouro (1982/83 e 1984/85), o ‘discípulo’ de Pedroto contou com Zé Beto, Mlynarczyk, Eurico, Celso, Augusto Inácio, Frasco, André, Jaime Magalhães, Paulo Futre e António Sousa rumo ao terceiro ‘bi’ do clube e à decisão da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87.

Em Viena, Rabah Madjer, num calcanhar para a lenda, e Juary ‘selaram’ a reviravolta da equipa capitaneada por João Pinto diante do Bayern Munique (2-1), seguindo-se, já com Tomislav Ivic no banco, sucessos na Taça Intercontinental e na Supertaça europeia, que nunca tinham sido alcançados por equipas lusas e ainda são um exclusivo do FC Porto.

Luís Teles Roxo viveu esta fase ‘dourada’ como líder do departamento de futebol, cargo entregue desde 1988 a Reinado Teles, com quem Pinto da Costa já convivera nos anos 60 na secção de boxe, tendo desfrutado até à sua morte, em 2020, de um fiel escudeiro.

A nova correlação de forças com Benfica e Sporting seria acentuada com o ‘bi’ de Carlos Alberto Silva, em 1991/92 e 1992/93, que se apoiou em Fernando Couto, Timofte e Kostadinov, para além de Rui Filipe, falecido num acidente em 1994, no princípio da série de cinco campeonatos seguidos, outro feito ainda inigualável no futebol português.

Bobby Robson, António Oliveira e o actual seleccionador nacional Fernando Santos, então apelidado de ‘Engenheiro do Penta’, guiaram históricos como Vítor Baía, Aloísio, Jorge Costa, Paulinho Santos, Rui Barros, Folha, Drulovic ou Zahovic.

Nesse ciclo, que assinalou o adeus de Domingos Gomes, líder do departamento clínico durante três décadas, sendo rendido pelo ex-voleibolista Nélson Puga, assumiram-se como goleadores Domingos Paciência, ‘artilheiro’ da I Liga em 1995/96, e Mário Jardel, que seguiu esse lastro nas três épocas seguintes e venceu a Bota de Ouro de 1998/99.

Já nos pavilhões, o FC Porto juntou duas Taças CERS de hóquei em patins (1993/94 e 1995/96), reconquistou o campeonato de basquetebol 13 anos depois (1995/96), com Paulo Pinto e Nuno Marçal comandados por Alberto Babo, e rompeu uma ‘seca’ de 31 anos no andebol (1998/99), com Eduardo Filipe a brilhar sob olhar de José Magalhães.

Vulto do atletismo ‘azul e branco’, tal como Aurora Cunha, Fernanda Ribeiro associou o clube a um dos cinco campeões lusos nos Jogos Olímpicos, ao conquistar a medalha de ouro, em Atlanta1996, na prova de 10.000 metros, na qual foi terceira em Sydney2000.

O século XXI deu continuidade à afirmação portista com Pinto da Costa, visível logo no ‘deca’ no hóquei em patins, entre 2001/02 e 2010/11, durante o qual Franklim Pais dirigiu Edo Bosch, Filipe Santos, Tó Neves, Emanuel García, Pedro Gil ou Reinaldo Ventura.

Carlos Resende, Ricardo Costa e Rui Rocha coexistiram no ‘tri’ do andebol, de 2001/02 e 2003/04, fase em que o futebol, face ao advento da SAD e da globalização do mercado, transitou para o Estádio do Dragão com dois campeonatos e êxitos na elite continental.

O presidente do FC Porto, Pinto da Costa (E), conversa com João Rodriges (D) da equipa W52 – FC Porto, pouco antes do início da etapa de hoje da Volta a Portugal em Bicicleta em Bragança, 8 de agosto de 2019. NUNO VEIGA/LUSA

Comandados por José Mourinho, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche, Deco, Derlei ou Benni McCarthy lograram a Taça UEFA de 2002/03 (3-2 ao Celtic, após prolongamento), em Sevilha, e a Liga dos Campeões de 2003/04 (3-0 ao Mónaco), em Gelsenkirchen, então vencida pela última vez por um clube de fora das cinco principais ligas europeias.

O FC Porto venceu também a Taça Intercontinental de 2004, já com Víctor Fernández, antes de optar por Co Adriaanse, em 2005/06, e Jesualdo Ferreira, nas três temporadas subsequentes, no caminho para o ‘tetra’, construído por influentes como Helton, Pepe, Bruno Alves, Paulo Assunção, Lucho González, Ricardo Quaresma ou Lisandro Lopez.

Falhada a revalidação do ‘penta’, Pinto da Costa apostou para 2010/11 em André Villas-Boas, aspirante à sua sucessão, que, na ‘cadeira de sonho’, venceu quatro competições, incluindo a Liga Europa (1-0 ao Sporting de Braga), em Dublin, e acabou invicto a I Liga.

Imunes à saída de Radamel Falcao, os ‘dragões’, agora de Vítor Pereira, somaram mais duas faixas de campeão nacional, com apenas uma derrota em 60 jogos, usufruindo de Danilo, João Moutinho, James Rodríguez, Hulk, Jackson Martínez e Kelvin, autor do golo tardio ante o Benfica (2-1), que deixou o ‘tri’ no bolso a uma ronda do fim, em 2012/13.

Só que os ‘encarnados’ levantaram-se com um inédito ‘tetra’, causando a maior ‘seca’ de campeonatos de Pinto da Costa, que até viu Ricardo Moreira e Gilberto Duarte, guiados por Ljubomir Obradovic, consumarem o ‘hepta’ no andebol, entre 2008/09 e 2014/15.

Em 2017/18, o ex-futebolista Sérgio Conceição regressou ao clube como treinador para resgatar a mística e reconquistar os adeptos, obtendo o 28.º cetro de campeão nacional, renovado duas épocas depois, com Alex Telles, Sérgio Oliveira, Otávio e Jesús Corona.

Trilhos similares tiveram os técnicos Magnus Andersson no andebol, Moncho López no basquetebol e Guillem Cabestany no hóquei, desporto em que Reinaldo García, Rafa e Gonçalo Alves ajudaram esta temporada o FC Porto a erguer a Taça Intercontinental.

Se Alípio Jorge Fernandes já dirigiu o bilhar a 26 títulos e possui um ‘penta’ em curso, o ciclismo arrebatou cinco das últimas seis Voltas a Portugal desde o seu regresso, em parceira com a W52, em 2016, quatro anos antes de o voleibol feminino, atual campeão nacional, surgir protocolado com a Academia José Moreira, afamado ex-atleta do clube.

Comovida em 2021 pela morte do andebolista Alfredo Quintana, a nação ‘azul e branca’ está grata a Pinto da Costa, hoje com 84 anos, cujo nome é entoado em uníssono pelos adeptos, entre os quais sobressai Fernando Madureira, líder da claque ‘Super Dragões’.

FC Porto conquistou mais de 82% dos títulos com actual presidente

A presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa no FC Porto, iniciada em 17 de abril de 1982, traduz-se pela obtenção de cerca de 82% dos títulos nacionais e a totalidade dos internacionais nas principais modalidades.

Dos 298 títulos absolutos conquistados pelos ‘dragões’ em futebol, hóquei em patins, andebol, basquetebol, voleibol, natação e atletismo (entre campeonato, Taça e Supertaça), 246 foram festejados durante os 15 mandatos sucessivos de Pinto da Costa.

Foi também com Pinto da Costa, que ocupa a presidência há quase um terço da história do clube, que o FC Porto alcançou a totalidades dos 15 títulos internacionais, em futebol (sete) e hóquei em patins (oito), e se projectou para o mundo.

Na história do clube, que foi refundado, e recuou 13 anos, de 1906 para 1893, o ano de 1982 marca o início de uma nova era à qual se pode legitimamente denominar de cPC (com Pinto da Costa) e que sucede à aPC (antes de Pinto da Costa).

No caso concreto do futebol, departamento a que chega em 1976 por convite do então presidente Américo de Sá, depois de dirigir as secções de hóquei em patins, hóquei em campo e boxe, é com Pinto da Costa que o FC Porto conquista a hegemonia interna e ‘dá o salto’ na Europa.

Antes de Pinto da Costa (aPC) – como também se pode considerar -, o clube tinha conquistado apenas quatro campeonatos de Portugal, sete nacionais, quatro Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira. Os títulos europeus eram uma miragem.

Durante a presidência de Pinto da Costa, a contar desde abril de 1982, o FC Porto conquistou por 22 vezes o título de campeão nacional, ergueu por 13 vezes a Taça de Portugal e por 21 ocasiões escreveu o nome na lista de vencedores da Supertaça.

Em 39 edições do nacional de futebol, vividos durante a era Pinto da Costa, o FC Porto conquistou 22 troféus, contra 17 títulos somados pelos rivais Benfica (13), Sporting (3) e Boavista (1), e alcançou o único ‘penta’ da história (1994/96 a 1998/99).

Em termos internacionais, o FC Porto ‘cPC’ conquistou a Taça dos Clubes Campeões Europeus (1986/87), Liga dos Campeões (2003/04), Taça UEFA (2002/03), Liga Europa (2010/11), Taça Intercontinental (1987 e 2004) e Supertaça Europeia (1987).

A presidência de Pinto da Costa fica marcada pelos êxitos não só no futebol como também no hóquei em patins, andebol e basquetebol, modalidades em que é mais notória a evolução registada a nível dos títulos conquistados nas últimas quatro décadas.

No hóquei em patins, secção em que Pinto da Costa se estreou como dirigente, ainda não tinha 20 anos, os números são arrasadores, pois foi durante a sua presidência que os ‘dragões’, em branco antes de 1982 (contavam apenas com um campeonato Metropolitano), conquistaram todos os seus 72 títulos.

Durante a liderança de Pinto da Costa, o hóquei em patins dos ‘dragões’ conquistou 23 campeonatos nacionais – 10 dos quais consecutivos, entre 2001/02 e 2010/11 – ergueu por 18 vezes a Taça de Portugal e por 23 a Supertaça António Livramento.

Pinto da Costa (C), Presidente do FCP discursa durante a recepção da equipa de futebol SUB 19 do Futebol Clube do Porto, campeã da UEFA Youth League, na Câmara Municipal do Porto, 30 de Abril de 2018. RUI FARINHA / LUSA

A nível europeu, o FC Porto conquistou por duas vezes a Liga Europeia (1985/86 e 1989/90), venceu por duas vezes a Taça CERS (1993/94 e 1995/96), ganhou por duas vezes a Taça das Taças (1981/82 e 1982/83) e ergueu por uma vez a Supertaça Europeia (1986/87).

No andebol, Pinto da Costa celebrou a conquista de 13 títulos nacionais – sete dos quais consecutivos (2008/09 a 2014/15) – contra dez aPC, juntou cinco Taças de Portugal às quatro que o clube já detinha, venceu por oito vezes a Supertaça e por três a Taça da Liga.

No basquetebol, o FC Porto conquistou 12 títulos nacionais, sete dos quais durante a presidência de Pinto da Costa, venceu 14 edições da Taça de Portugal, dos quais apenas uma é anterior a 1982, ergueu por oito vezes a Taça da Liga e por sete a Supertaça.

No voleibol, modalidade suspensa pelos ‘dragões’ em 1990 e reativada há duas épocas apenas no setor feminino – já com cinco troféus erguidos -, o FC Porto conquistou 20 títulos nacionais, sendo 11 anteriores a 1982 e nove posteriores.

Na natação, outra das modalidades acarinhadas pelos ‘dragões’, e apesar de não ter piscina própria, o FC Porto sob a presidência de Pinto da Costa conquistou quatro dos seis títulos absolutos do seu historial. Ao que somou quatro títulos masculinos, 15 femininos e seis Taça de Portugal.

No atletismo, modalidade penalizada pelo fim da pista existente no antigo Estádio das Antas, rebaixado em 1986 para aumentar a capacidade, e posteriormente desativada, os oito títulos absolutos são repartidos de forma igual entre o ‘aPC’ e ‘cPC’.

Dos 298 títulos nacionais e internacionais somados pelo FC Porto ao longo da sua história, nas principais modalidades, 246 foram alcançados durante a presidência de Pinto da Costa. A vitrina dos ‘dragões’ antes de 1982 tinha apenas 52 troféus.

Boxe, com 25 títulos nacionais, bilhar, com 106 – um dos quais internacional -, sendo que apenas três foram alcançados antes de Pinto da Costa, e desporto adaptado, com 49, são outras das secções mais tituladas do clube ‘azul e branco’.

Pinto da Costa ficará ainda ligado ao rebaixamento do Estádio das Antas, à construção do Estádio do Dragão e do Dragão Arena, do Museu do clube, do centro de estágio em Vila Nova de Gaia, bem como à renovação do antigo campo da Constituição.

Portugal’s player Cristiano Ronaldo (C) with FC Porto president, Jorge Nuno Pinto da Costa (R), during a training session at Dragao stadium in Porto, Portugal, 28 March 2022. Portugal will face North Macedonia in their FIFA World Cup Qatar 2022 play-off qualifying soccer match on 29 March 2022. ESTELA SILVA/LUSA

 Principais conquistas do FC Porto durante os 40 anos de presidência de Pinto da Costa: 

– Futebol:

Total de títulos: 84.

Antes de Pinto da Costa, 16 (com 4 Camp. Portugal).

Com Pinto da Costa, 68.

– Andebol:

Total de títulos: 42.

Antes de Pinto da Costa, 13.

Com Pinto da Costa, 29.

– Basquetebol:

Total de títulos: 41.

Antes de Pinto da Costa, 6.

Com Pinto da Costa, 35.

– Hóquei em patins:

Total de títulos: 72.

Antes de Pinto da Costa: 0.

Com Pinto da Costa, 72.

– Natação:

Total de títulos: 31.

Antes de Pinto da Costa, 2.

Com Pinto da Costa, 29.

– Voleibol:

Total de títulos: 20.

Antes de Pinto da Costa, 11.

Com Pinto da Costa, 9.

Nota: esta modalidade só se encontra ativa no setor feminino (AJM/FC Porto).

– Atletismo:

Total de títulos: 8.

Antes de Pinto da Costa, 4.

Com Pinto da Costa, 4.

Nota: esta modalidade não se encontra ativa.

– Boxe:

Total de títulos: 25.

Antes de Pinto da Costa, 0.

Com Pinto da Costa, 25.

– Bilhar:

Total de títulos: 106.

Antes de Pinto da Costa, 3.

Com Pinto da Costa, 103.

– Desporto adaptado:

Total de títulos: 51.

Antes de Pinto da Costa, 0.

Com Pinto da Costa, 51.

Pinto da Costa/40 anos: As datas mais importantes

As datas mais importantes na vida de Pinto da Costa, que hoje celebra 40 anos da primeira eleição para a presidência do FC Porto:

– 28 de dezembro de 1937: Nascimento, no Porto.

– Dezembro de 1952: Torna-se sócio do clube.

– 1962: Chefe de secção de hóquei em patins e em campo.

– 1967: Acumula aquelas funções com a chefia da secção de boxe. Conhece Reinaldo Teles (administrador da FC Porto, SAD), na altura praticante da modalidade.

– 1969: É convidado por Afonso Pinto de Magalhães (presidente na época) para dirigir as modalidades amadoras. É eleito pela primeira vez e cumpre mandato até 1971.

– 1971: É convidado e recusa fazer parte do elenco directivo de Américo de Sá.

– Maio de 1976: É eleito dirigente na lista de Américo de Sá, tornando-se responsável pelo futebol.

– 1980: Abandona o clube.

– 17 de abril de 1982: Eleito presidente da Direcção.

– 26 de abril de 1982: Foi empossado presidente.

– 1984: FC Porto chega à primeira final de uma competição europeia de futebol, perdendo a Taça dos Vencedores das Taças para a Juventus (2-1).

– 1986/87: FC Porto vence Taça dos Clubes Campeões Europeus em futebol, a sua primeira conquista internacional.

– 1987/88: FC Porto vence Taça Intercontinental e Supertaça Europeia.

– Década de 90: Conquista de cinco campeonatos seguidos, conseguindo um ainda inédito ‘penta’ no futebol.

– 05 de agosto de 1997 – criação da Futebol Clube do Porto, Futebol SAD, da qual é presidente do Conselho de Administração, desde então.

– Janeiro de 2001: Contrata o treinador José Mourinho à União de Leiria.

– 05 de agosto de 2002: FC Porto inaugura Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia.

– Maio de 2003: FC Porto conquista a Taça UEFA de futebol.

– Abril de 2004: FC Porto conquista a Liga dos Campeões de futebol.

– Dezembro de 2005: Já com o espanhol Victor Fernández como treinador, FC Porto vence a Taça Intercontinental.

– 2004: É envolvido no escândalo de corrupção desportiva Apito Dourado, por alegadamente ter corrompido árbitros.

– 02 de dezembro de 2004 – A Polícia Judiciária (PJ) desloca-se a casa de Pinto da Costa, com mandados de busca e detenção, mas não encontra presidente portista.

– 03 de dezembro de 2004 – Pinto da Costa apresenta-se voluntariamente no Tribunal de Gondomar.

– 07 de dezembro de 2004 – Pinto da Costa é interrogado pela juíza de instrução Ana Cláudia Nogueira, saindo em liberdade mediante o pagamento de uma caução de 200 mil euros.

– 2006: Carolina Salgado, ex-companheira, lança o livro “Eu, Carolina”, acusando Pinto da Costa de falta de transparência no futebol e contactos promíscuos com árbitros e outros dirigentes.

– 2006: Arquivado processo contra Pinto da Costa, sobre a alegada oferta de serviço de prostitutas ao árbitro Jacinto Paixão e aos seus auxiliares, José Chilrito e Manuel Quadrado – viria a ser reaberto mais tarde.

– 17 de fevereiro de 2007: Maria José Morgado reabre processo contra Pinto da Costa, relativo a jogo com Beira-Mar.

– Abril de 2007: Pinto da Costa anuncia, em Coimbra, continuar a “lutar contra tudo em contra todos”, declaração percebida como candidatura a novo mandato de três anos.

– 12 de junho de 2007: Pinto da Costa acusado do crime de corrupção desportiva no âmbito das investigações do processo Apito Dourado ao jogo FC Porto-Estrela da Amadora em 2004, conhecido como ‘caso da fruta’.

– 18 de junho de 2007: Pinto da Costa nega ter alguma vez comprado ou mandado comprar um árbitro para beneficiar o seu clube, considerando estar a ser alvo de “uma perseguição pessoal”, em entrevista ao Público.

– 21 de junho de 2007: Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva no âmbito das investigações do processo Apito Dourado ao jogo Beira-Mar–FC Porto, da época 2003/04. O presidente do FC Porto é acusado de ter entregado 2.500 euros ao árbitro Augusto Duarte.

– 22 de junho de 2007: Pinto da Costa acusado de corrupção desportiva activa, no âmbito do processo Apito Dourado, devido ao jogo Nacional-Benfica, da época 2003/04.

– 25 março de 2008: Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto decide levar Pinto da Costa a julgamento, no âmbito do processo Apito Dourado relativo ao jogo Beira-Mar-FC Porto.

– 09 de maio de 2008: Pinto da Costa suspenso por dois anos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), FC Porto perde seis pontos, pela justiça desportiva, no processo ‘Apito Final’, decorrente das diligências judiciais do ‘Apito Dourado’.

– 30 de junho de 2008: TIC do Porto decide não levar a julgamento Pinto da Costa, no processo relativo ao jogo FC Porto-Estrela da Amadora, conhecido como o ‘caso da Fruta’.

– 05 de julho de 2008: Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) nega recurso e confirma suspensão de dois anos a Pinto da Costa, numa reunião que terminou sem a presença do presidente do órgão federativo.

– 21 de outubro de 2008: Tribunal de Gondomar decide não pronunciar Pinto da Costa, no processo relativo ao jogo Nacional-Benfica, arquivando os autos.

– 30 de janeiro de 2009: O Tribunal Constitucional considera definitivamente ilegal a utilização das escutas telefónicas do Apito Dourado no âmbito do processo de corrupção desportiva Apito Final.

– 12 de fevereiro de 2009: Tribunal da Relação do Porto confirma arquivamento do ‘caso da fruta’.

– 03 de abril de 2009: Pinto da Costa ilibado no processo do encontro Beira-Mar-FC Porto.

– 23 de abril de 2009: Inaugurado o novo pavilhão desportivo, na altura chamado Dragão Caixa (actual Dragão Arena).

– 10 de maio de 2009: FC Porto sagra-se tetracampeão nacional, com Jesualdo Ferreira a ser o primeiro treinador português a conquistar um ‘tri’.

– 11 de dezembro de 2009: Tribunal da Relação do Porto confirma ilibação de Pinto da Costa no processo do jogo Beira-Mar–FC Porto.

– 22 de setembro de 2010: FC Porto suspende atletismo.

– 03 de abril de 2011: FC Porto sagra-se campeão nacional, com vitória no Estádio da Luz.

– 06 de maio de 2011: Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa declara inexistente reunião do Conselho de Justiça da FPF que indeferiu recursos de Pinto da Costa sobre Apito Final.

– 18 de maio de 2011: FC Porto conquista a Liga Europa de futebol, ao derrotar o Sporting de Braga, por 1-0, em Dublin.

– 22 de maio de 2011: FC Porto vence Taça de Portugal, ao bater Vitória de Guimarães (2-1), completando um trio de títulos na época 2010/11.

– 04 de junho de 2011: FC Porto conquista 10.º título consecutivo de hóquei em patins.

– 19 de junho de 2011: André Villas-Boas muda-se do FC Porto para o Chelsea, por 15 milhões de euros, a mais cara transferência de um treinador a nível mundial.

– 04 de setembro de 2012: Pinto da Costa é submetido a intervenção cardiovascular.

– 19 de maio de 2013: FC Porto é tricampeão de futebol pela quarta vez.

– 28 de setembro de 2013: É inaugurado o Museu do FC Porto.

– 15 de novembro de 2013: Pinto da Costa internado para “exames de rotina”, ficou hospitalizado durante seis dias.

– 06 de março de 2014: CJ da FPF devolve ao Conselho de Disciplina o acórdão relativo ao jogo FC Porto–Estrela da Amadora, no qual Pinto da Costa tinha sido suspenso por 14 meses.

– 06 de dezembro de 2015: FC Porto regressa ao ciclismo, com parceira com o Clube de Ciclismo do Sobrado. Equipa passa a chamar-se W52-FC Porto e ganha as quatro edições seguintes da Volta a Portugal.

– 04 de janeiro de 2016: Ministério Público (MP) acusou o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e mais 56 arguidos, no caso da Operação Fénix, relacionada com alegada utilização ilegal de segurança privada.

– 17 de abril de 2016: Pinto da Costa eleito para o seu 14.º mandato como presidente do FC Porto, com 79% dos votos – restantes 21% foram nulos.

– 29 de abril de 2016: O Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) decide levar a julgamento 54 arguidos da ‘Operação Fénix’, incluindo Pinto da Costa.

– 05 de julho de 2017: O Ministério Público pede a absolvição de Pinto da Costa no julgamento do processo ‘Operação Fénix’.

– 05 de julho de 2017: O CJ da FPF absolveu Pinto da Costa e o FC Porto da infracção disciplinar de “corrupção da equipa de arbitragem” no jogo Beira-Mar-FC Porto, disputado em 18 de abril de 2004”.

– 09 de novembro de 201: O Tribunal de Guimarães absolve Pinto da Costa na ‘Operação Fénix’.

– 05 de maio de 2018: FC Porto volta a ser campeão português de futebol, após quatro anos em branco, a maior ‘seca’ da presidência de Pinto da Costa.

– 12 de maio de 2018: Câmara Municipal do Porto entrega Medalha de Ouro da cidade, o mais alto galardão do município, a Pinto da Costa.

– 09 de novembro de 2018: Pinto da Costa e outros administradores da SAD do Benfica constituídos arguidos, por ofensa a pessoa colectiva, após uma queixa do Benfica, na sequência da divulgação pública de e-mails dos ‘encarnados’.

– 07 de junho de 2019: Pinto da Costa absolvido no caso da divulgação dos e-mails do Benfica, com a SAD do FC Porto a ser condenada a pagar cerca de dois milhões de euros.

– 07 de junho de 2020: Pinto da Costa eleito para o 15.º mandato consecutivo, numa eleição em que teve dois adversários – José Fernando Rio e Nuno Lobo -, algo inédito desde que chegou a liderança dos ‘dragões’. Antes, só tinha tido oposição em 1988 e 1991, em ambos pelo médico Martins Soares.

– 26 de fevereiro de 2021: Morre o guarda-redes Alfredo Quintana, após ter tido uma paragem cardiorrespiratória num treino da equipa de andebol do FC Porto. Pinto da Costa diz que Quintana ficará para sempre no coração dos portistas.

– 13 de maio de 2021: UEFA atribui final da Liga dos Campeões de futebol ao Estádio do Dragão.

NFO // AMG

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