O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, entrega o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada à filha de Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Andresen Sousa Tavares, na condecoração a título póstumo da poetisa durante o concerto comemorativo que marca o 100.º aniversário do seu nascimento, Lisboa, 6 de novembro de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O Presidente da República condecorou hoje, a título póstumo, a escritora e poeta Sophia de Mello Breyner Andresen com o Grande-Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada, um alto grau concedido a chefes de Estado estrangeiros.

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou esta condecoração numa intervenção que antecedeu um concerto comemorativo do centenário do aniversário do nascimento de Sophia de Mello Breyner, no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.

“Entende o Presidente da República que merece a honra excecional da atribuição do Grande-Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada – desse modo ficando a ser, simbolicamente, a primeira mulher portuguesa e a primeira mulher não chefe de Estado a receber tal grau superlativo”, assinalou o chefe de Estado.

No dia em que Sophia de Mello Breyner completaria 100 anos, o Presidente da República entregou as insígnias à filha da escritora Maria Andresen Sousa Tavares, em representação da família, e que preside à comissão organizadora deste centenário.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que ao longo destes cem anos se assistiu “à presença constante de Sophia”, que é lida hoje como era no século passado, “sempre rodeada de unanimidade”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa ladeado pela filha de Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Andresen Sousa Tavares, na condecoração da poetisa a título póstumo com o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada durante o concerto comemorativo que marca o 100.º aniversário do seu nascimento, Lisboa, 6 de novembro de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

“Isso mesmo se traduziu no facto singular de ser o único escritor do nosso tempo acolhido, e acolhido também unanimemente, no Panteão Nacional”, salientou.

Segundo o Presidente da República, “mais do que homenagear um poeta, importará reconhecer os seus poemas, reconhecer que continuam presentes, agradecer a sua importância”.

“Não há nenhuma homenagem mais decisiva do que essa, descobrir que um escritor que viveu e escreveu num tempo situado, limitado, continua vivo noutros tempos, noutras circunstâncias”, considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa descreveu os textos de Sophia de Mello Breyner como “lapidares, mas densos, luminosos, mas atentos às sombras, laboriosamente escritos, mas quase naturais, como se fossem ditados ou ouvidos”.

“E ao mesmo tempo são poemas inequívocos na recusa das águas turvas das palavras ocas, da poesia como jogo verbal arcádico, técnico, em circuito fechado, sem referência ao mundo, ao mundo visível e ao mundo invisível”, acrescentou.

O Grande-Colar da Ordem Militar Sant’Iago da Espada é o mais alto grau desta ordem e é concedido pelo Presidente da República a chefes de Estado estrangeiros, podendo também ser atribuído a “pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção”, lê-se no portal das ordens honoríficas portuguesas na internet.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, entrega o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada à filha de Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Andresen Sousa Tavares, na condecoração a título póstumo da poetisa durante o concerto comemorativo que marca o 100.º aniversário do seu nascimento, Lisboa, 6 de novembro de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Em 1999, o então Presidente da República Jorge Sampaio, tendo requerido um decreto-lei especial de autorização, concedeu o Grande-Colar desta ordem a José Saramago, quando foi atribuído ao escritor português o Prémio Nobel da Literatura pela Academia Sueca.

A Ordem Militar de Sant’Iago da Espada destina-se a distinguir o mérito literário, científico e artístico.

Sophia de Mello Breyner, que morreu em 2004, aos 84 anos, foi condecorada em vida com o grau de Grande Oficial e com a Grã-Cruz desta ordem, em 1981 e 1998, respetivamente, tendo também recebido, em 1987, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Celebrações por todo o país

O centésimo aniversário do nascimento da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen é hoje (06.11.2019) celebrado em todo o país com iniciativas diversas que passam por concertos, declamação de textos da autora, exposições e espetáculos teatrais.

Em Lisboa, o Teatro Nacional de São Carlos será palco de uma récita, em versão de concerto, da ópera “Orfeo ed Euridice”, de Christoph W. Gluck, que contará com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A Associação Católica do Porto promove o encontro “À conversa com…” o professor universitário Manuel Correia Fernandes sobre “O Cavaleiro da Dinamarca”.

Está também prevista a apresentação do espetáculo “A Menina do Mar”, organizado pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, com textos de Sophia de Mello Breyner, música de Edward Ayres d’Abreu e encenação de Ricardo Neves-Neves.

Um outro espetáculo terá lugar em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente: intitulado “DeclAMAR Poesia”, trata-se de uma iniciativa dinamizada por um coletivo de cinco leitores de poesia (Catarina Matos, Lurdes Telmo, Olga Coval, Rui Amado e Vanda Ecm).

Em Grândola, o Cineteatro Gondolense exibe o documentário de Pedro Clérigo “O Nome das Coisas — Sophia de Mello Breyner Andresen” e a curta-metragem de João César Monteiro, “Sophia de Mello Breyner Andresen”.

O evento “Aniversário de Sophia” assinala, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, a data de nascimento da poeta, com a partilha de textos e poemas de sua autoria.

No mesmo local, haverá ainda espaço para a apresentação do conto musical “O rapaz de Bronze” — Histórias da Vida em Dó maior”, dirigida ao público escolar.

Mais a sul, Loulé assinala o aniversário da escritora com um recital de poesia, por Pedro Lamares, na biblioteca municipal.

A Alagamares – Associação Cultural, em parceria com o Chão de Oliva, em Sintra, realiza uma sessão literária, com a participação do ensaísta, escritor e crítico literário Miguel Real e da escritora e jornalista, biógrafa de Sophia, Isabel Nery.

Durante esta sessão serão ainda lidos textos e poemas da autora de “A Menina do Mar”, pela atriz Regina Gaspar, numa colaboração com a Musgo-Produção Cultural.

Viana do Castelo abre portas às celebrações do centenário com a iniciativa “Poesia a Copo”, onde a comunidade é convidada a escutar ou ler um poema, na biblioteca municipal.

Em Ponta Delgada, na ilha açoriana de São Miguel, a Direção Regional da Cultura, através Biblioteca Pública e Arquivo Regional, inaugura uma exposição documental dedicada à poeta, na qual divulga, através de poemas manuscritos pertencentes ao seu arquivo, o vasto universo de Sophia.

QUEM FOI SOPHIA?

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX.

Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014. Morreu aos 84 anos.

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