
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, equiparou hoje a selecção portuguesa, campeã mundial de futsal, aos portugueses de diversos ramos de actividade espalhados pelo mundo, que, disse, “são os melhores ou dos melhores do mundo”.
No Palácio de Belém, o chefe de Estado português condecorou com a Ordem de Mérito do Infante Dom Henrique, no grau de comendador, toda a comitiva da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que conquistou o Campeonato do Mundo de futsal e contrariou as críticas ao seu assumido optimismo.
“Hoje somos os melhores do mundo. E sabem como eu digo incessantemente, porque há sempre uma falta de auto-estima e de amor-próprio nalguns dos nossos compatriotas, que me criticam por dizer que, quando somos muito bons, somos os melhores do mundo. É isso mesmo: quando somos muito bons, somos os melhores do mundo”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa.
Sem se deter, Marcelo salientou que isso “acontece no futsal” e “nas forças armadas destacadas um pouco por todos os continentes”, assim como “nos cientistas, nos trabalhadores, nos economistas, nos professores”.

“Todos os que estão nos diversos continentes, onde são, de facto, muito bons, e temo-los, cada vez mais, muito bons, são os melhores ou dos melhores do mundo”, frisou o Presidente da República.
Nesse sentido, destacou as palavras do seleccionador de futsal, Jorge Braz, que o deixaram “muito impressionado” pela forma descomplexada com que disse “mais ou menos isso antes da final”.
“Disse isso mesmo, sem complexos. Nós jogamos aquilo que merece ser uma vitória neste Campeonato do Mundo. Nós merecemos vencer, porque somos os melhores do mundo. Isso é uma evidência, tínhamos mostrado nas qualificações e jogo após jogo naquele percurso final”, elogiou o chefe de Estado.
Mas, antes do Presidente da República, também o líder da FPF, Fernando Gomes, destacou o papel importante que tiveram o espírito de grupo da selecção e também a mudança de mentalidade que deixa os portugueses mais perto das vitórias.
“Eles souberam sempre que cada segundo, na quadra ou fora dela, valia a nossa vida. Sim, o que mudou foi mesmo a nossa mentalidade. Agora sabemos como ganhar. Ficou para trás a ideia errada do impossível”, destacou o dirigente.
Fernando Gomes, que ao longo do seu mandato já levou ao Palácio de Belém “os campeões da Europa de futebol de praia, os campeões do mundo de futebol de praia, os campeões da Europa de futebol, os campeões da Europa de futsal, os campeões da Liga das Nações de futebol e, agora, os campeões do mundo de futsal”, destacou também a dimensão do feito da equipa comandada por Jorge Braz.
“Ganhar um Campeonato do Mundo verdadeiramente global, numa modalidade com mais de 150 países que a jogam em todos os continentes e sob a égide da FIFA é um feito cuja dimensão levaremos tempo a entender”, assinalou o líder federativo.
Marcelo diz que tendão de Ricardinho foi discutido como problema nacional
Marcelo Rebelo de Sousa disse hoje que a rotura de um tendão sofrida por Ricardinho antes do Campeonato do Mundo de futsal, que viria a ser conquistado por Portugal, foi discutida “como um problema nacional”.
O Presidente da República condecorou hoje a comitiva da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que se sagrou campeã do mundo no domingo e fez questão de fazer uma referência ao capitão, destacando a resiliência do jogador, que, a seis meses do campeonato, sofreu uma rotura do tendão longo ao serviço do seu clube, o ACCS Paris.

“É evidente que o Pany também merece uma referência, todos merecem uma referência, mas o Ricardinho merece porque já estava na história e decidiu fazer uma última vez história. Já tinha ganho tantas vezes o lugar de melhor do mundo, que a carreira estava feita. E o tendão não ajudava. E todos nós passámos a discutir o tendão do Ricardinho como um problema nacional”, afirmou o chefe de Estado português.
A dúvida sobre se “ia recuperar, não ia”, ou se “seis meses chega, não chega” e se “consegue dar a volta ou não” pairou sobre o capitão da selecção, mas Marcelo lembrou que “ele é muito teimoso” e não iria “perder esse momento” de consagração de Portugal.
“De facto, não perdeu esse momento. Já estava na história, veio fazer um bocadinho mais de história. Na mesma que já é nossa também, desde a vitória na Europa, e agora com a vitória no mundo. Para ele vai um abraço especial que não é de despedida. Ele continua presente, porque esse é outro espírito fundamental da FPF e desta equipa que trabalhou ao longo destes anos. Ninguém é esquecido, ninguém é deitado fora, todos continuam presentes”, destacou Marcelo Rebelo de Sousa.
Antes, já o presidente da FPF tinha também usado o exemplo e a mentalidade de Ricardinho para introduzir as palavras com que destacou “um grupo unido e inspirador”, que “sorriu nas horas do golo e se uniu nos momentos mais sofridos”.
“O Ricardo [Ricardinho] teve a pior lesão que um futebolista pode ter. E quando o corpo faltou, a mente sobrou. E foi essa mente brilhante, essa ideia permanente de que era capaz, que o levou a uma luta solitária e o fez acreditar que era possível recuperar. É o melhor jogador de futsal da história. E é nosso, continuará nosso e lutará sempre por Portugal”, elogiou Fernando Gomes.

Mas, apesar dos elogios, Ricardinho pediu a Marcelo Rebelo de Sousa permissão para que, no momento da homenagem presidencial, dedicasse as suas palavras aos seus companheiros de equipa, enquanto tentava não se emocionar.
“Obrigado por tudo o que dão ao nosso país. É um orgulho ser o vosso porta-voz, o vosso capitão. Só quero dizer que se sintam orgulhosamente portugueses, porque vocês conquistaram o mundo. Para mim, escrevemos com letras douradas o nome de Portugal na página mais bonita do livro do futsal. Vocês são históricos”, exultou Ricardinho.
Marcelo Rebelo de Sousa condecorou hoje com a Ordem de Mérito do Infante Dom Henrique, no grau de comendador, toda a comitiva da FPF que conquistou o título mundial de futsal.
“Somos os melhores do mundo e queremos desfrutar disso”, Jorge Braz
O seleccionador Jorge Braz afirmou hoje, no regresso da selecção portuguesa de futsal a solo luso, que a equipa só pensa agora em “desfrutar” do estatuto de melhores do mundo, depois da conquista do Mundial da Lituânia.
“Trabalhei com 17 homens fantásticos. Homens de carácter. Queremos continuar a este nível, o nível dos melhores do mundo. Somos os melhores do mundo e queremos desfrutar disso”, afirmou Jorge Braz aos jornalistas, na Cidade do Futebol, em Oeiras.

A selecção nacional chegou às 13:50 (14:50, hora luxemburguesa) à ‘casa’ da Federação Portuguesa de Futebol, onde foi, primeiro, recebida no exterior por cerca de 50 adeptos, e também algum aparato policial, e, depois, pelos funcionários do organismo, que cantaram o hino português.
“Aquele canto está a ficar pequeno”, brincou Jorge Braz, apontando para o local da Cidade do Futebol onde são expostos os troféus conquistados e onde minutos antes foi colocada a taça de campeões mundiais de futsal.
“Era aqui que queríamos estar. Agora, queremos estar de forma contínua. Andamos há muito anos a trabalhar para estarmos nas finais e ganharmos títulos”, frisou o técnico de 49 anos.
Em conversa com os jornalistas, Ricardinho lembrou a fase difícil que viveu antes do Campeonato do Mundo, quando foi submetido a uma operação e esteve seis meses sem jogar.
“Foi muito difícil, mas quis fazer o meu último Mundial em condições e consegui. Parece que o homem lá em cima tinha alguma coisa guardada para nós”, disse o ‘capitão’ da selecção nacional, acrescentado, em tom de brincadeira, que espera que a conquista do Mundial “sirva de inspiração para a selecção de futebol”.
O guarda-redes Bebé, outro dos veteranos da equipa das ‘quinas’, destacou que é o único jogador não profissional que esteve a defender as cores nacionais na Lituânia.

“Na minha carreira, o momento mais difícil que vivi foi quando saí do Benfica. Ir para uma realidade nova, no Leões de Porto Salvo, em que sabia que o nível ia baixar um pouco. Acordava às 6:30 para ir treinar, depois ia trabalhar e voltava a treinar à noite. Sou o único não profissional deste grupo e, para mim, este título tem um sabor ainda mais especial”, disse o guardião de 38 anos.
Por seu lado, Pany Varela afastou o rótulo de ‘herói da final’, devido aos dois golos que marcou, e destacou o espírito vitorioso da selecção nacional.
“Somos 17 grandes obreiros, mais o ‘staff’ e o público que foi perfeito. Todos tivemos espírito de ganhar. Acabámos de tocar no céu. Daqui a cinco, 10, 15 anos o que vai ficar é que Portugal foi campeão do mundo. Não caí em mim ainda”, confessou.
Centenas de adeptos e familiares receberam os campeões em Lisboa
Algumas centenas de fãs e familiares receberam hoje em euforia no Aeroporto de Lisboa, ao princípio da tarde, os jogadores da selecção portuguesa de futsal, que no domingo se sagraram campeões do mundo da modalidade.
Ao som de ruidosos cânticos de apoio, nos quais se destacava o grito “campeões”, ajudados por tambores e buzinas, os adeptos esperaram mais de uma hora pelos vencedores do Mundial.

Orgulhosa, Dona Ermelinda, avó do defesa Afonso Jesus, esperou logo à frente por um abraço do neto e confessou que o jogo de domingo “foi um caso sério” de sofrimento, mas “que agora já passou”.
“Foi muito difícil, mas o que interessa é que a gente ganhou e agora estão de parabéns, o meu neto e a equipa toda”, disse.
Fãs de futsal, José Rebelo de Lima e Dário vieram vestidos a rigor, com as cores de Portugal, embrulhados numa bandeira nacional, e ajudados com buzinas e uma pandeiretas para dar o ritmo.
“Estamos aqui pelos nossos amores, os nossos campeões”, declarou Dário, salientando que iria esperar a selecção ao aeroporto mesmo que no domingo tivessem ficado em segundo lugar.
“Foi muito violento ontem [domingo]. Realmente, uma final daquelas merece toda a atenção dos portugueses. Tem que ser visto como deve de ser, porque é uma emoção enorme. Rapazes tão simples, tão humildes, mas tão unidos, tão profissionais. É uma obra única”, afirmou, pelo seu lado, José Rebelo, salientando que “isto emociona”.
José Rebelo de Lima é de Braga e trouxe a pandeireta para oferecer a Ricardinho, melhor jogador do Mundial e também ele um homem do Norte, por saber que ele gosta de música, mas não houve oportunidade.

Já depois das 13:00, na saída VIP do aeroporto, jogadores e adeptos não conseguiram conter a euforia, mesmo estando previsto que não prestassem declarações no local.
A taça andou de mão em mão, foi mostrada a adeptos e familiares e até houve tempo para fotografias e autógrafos, antes da partida do autocarro para a Cidade do Futebol, em Oeiras.
A selecção portuguesa de futsal sagrou-se no domingo pela primeira vez campeã mundial, ao vencer por 2-1 a Argentina, que detinha o título, na final do Campeonato do Mundo de 2021, disputada em Kaunas, na Lituânia.
Portugal chegou a deter uma vantagem de dois golos, graças ao ‘bis’ de Pany Varela, aos 15 e 28 minutos, mas a selecção sul-americana, que defendia o título mundial conquistado em 2016, na Colômbia, reduziu por Claudino, aos 28, e manteve a incerteza até ao fim.
Portugal, que tinha como melhor resultado de sempre na competição o terceiro lugar alcançado em 2000, na Guatemala, tornou-se o quarto país a erguer o troféu, depois de Brasil, Espanha e Argentina, juntando o título mundial ao europeu, que conquistou, também pela primeira vez, em 2018, na Eslovénia.
LUSA

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