Desportivo das Aves – Moreirense, I Liga de Futebol, no estádio do Clube Desportivo das Aves, na Vila das Aves, 29 de junho de 2020. FOTO: ESTELA SILVA / LUSA

O Desportivo das Aves confirmou hoje uma despromoção ‘anunciada’ à II Liga de futebol, que culmina uma temporada penalizada por contrariedades desportivas, directivas e financeiras dentro e fora dos relvados.

A derrota na recepção ao Moreirense (1-0), acompanhada pelo triunfo surpreendente do Marítimo (2-0) sobre o campeão nacional Benfica, determinou a descida do emblema do concelho de Santo Tirso à passagem da 29.ª jornada, quando soma apenas 14 pontos, menos 10 que o penúltimo Portimonense e 15 abaixo da zona de salvação.

O Desportivo das Aves partiu para uma inédita terceira participação consecutiva na elite sob orientação de Augusto Inácio, que tinha salvado os nortenhos de uma campanha condenada ao fracasso em 2018/19 e operou uma ‘revolução’ no defeso, traduzida em 17 reforços e alguns jogadores sub-23 para compensar a perda de nove habituais titulares.

Augusto Inácio, ex-treinador do Desportivo das Aves, 30.09.2019. FOTO: OCTÁVIO PASSOS / LUSA

Com uma equipa em plena reconstrução, os avenses começaram por ser afastados da fase de grupos da Taça da Liga, com uma derrota caseira frente ao Gil Vicente (3-2), antecipando uma entrada em falso no campeonato, fruto de sete derrotas nas primeiras oito jornadas, que precipitaram a saída de Augusto Inácio, em 21 de outubro de 2019.

Ao afastamento precoce da Taça de Portugal aos pés do Farense (5-2), campeão da II Liga, a SAD liderada pelo chinês Wei Zhao entregou o comando interino a Leandro Pires, que guiou a equipa de sub-23 à conquista da Liga e da Taça Revelação na época passada, aguardando três jogos para consolidar a aposta em Nuno Manta Santos, à 12.ª ronda.

O treinador natural de Santa Maria da Feira foi anunciado em 13 de novembro, dois dias após ter abandonado o Marítimo, a única formação que tinha perdido na Vila das Aves, onde conseguiu amealhar dois triunfos até ao final da primeira volta (1-0 ao Sporting de Braga e 3-0 ao Portimonense), libertando-se por momentos da zona de despromoção.

Os avenses procuraram rectificar peças na reabertura de mercado, mas sobrepuseram-se as carências técnicas, tácticas e emocionais dos atletas, perante o desentendimento crescente entre os adeptos e a administração controlada pela empresa Galaxy Believers, que controla 90% do futebol profissional e cortou relações com a claque ‘Força Avense’.

No relvado, o balão de oxigénio conferido pela vitória na Madeira (2-1) eclipsou-se com os desaires nas recepções ao Boavista (1-0) e ao Rio Ave (4-0), dando o mote para uma segunda volta penosa, em que o Aves conquistou cinco pontos em 36 possíveis e falhou duas vezes o controlo salarial junto da Liga de clubes, em 02 de abril e 09 de junho.

O treinador Nuno Manta Santos – FOTO: GREGÓRIO CUNHA / LUSA

A SAD justificou as dívidas a jogadores e treinadores com a paralisação da actividade económica na China, motivada pela pandemia de covid-19, mas assistiu às rescisões unilaterais do guarda-redes francês Quentin Beunardeau e do avançado brasileiro Welinton Júnior, numa reincidência que pode custar cinco a oito pontos de penalização.

O processo foi remetido para o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol e pode tornar o Desportivo das Aves o primeiro emblema primodivisionário a receber deduções pontuais por salários em atraso, numa altura em que o vencedor da Taça de Portugal em 2017/18 jogará as cinco jornadas finais apenas para cumprir calendário.

Pouco antes de ver confirmada a descida à II Liga, um cenário que ajudou a concretizar no Feirense em 2018/19, Nuno Manta Santos lamentou a ausência de “alguma felicidade em determinados momentos da época”, assegurando ter dado “o máximo” e “aplicado diariamente” para contrariar um desfecho que retira fôlego ao investimento de Wei Zhao.

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