O futebolista português Cristiano Ronaldo foi hoje substituído no jogo 1.000 da carreira profissional, iniciada em 2002/03 ao serviço do Sporting e que está repleta de golos e títulos, individuais e coletivos.

Em Turim, o jogador da Juventus foi titular, mas acabou por ser preterido aos 55 minutos, pelo argentino Paolo Dybala, que acabou por dar a vitória à ‘velha senhora’ no clássico com o AC Milan (1-0), com um tento aos 75.

Aos 34 anos, Ronaldo não conseguiu, assim, brilhar em mais um número ‘redondo’ da sua carreira, na qual pouco mais falta, após 1.000 jogos, do que o campeonato do Mundo, ‘vazio’ que só poderá preencher em 2022, na competição marcada para o Qatar.

Tirando o Mundial, Ronaldo não falhou nada, incluindo um muito ambicionado grande título por Portugal, o Euro2016, uma mão cheia de eleições como melhor do mundo e de ‘Champions’, tudo ‘banhado’ a golos, muitos golos, já mais de 700, incluindo os 451 que fazem dele o melhor marcador do ‘maior’ clube do mundo, o Real Madrid.

O jogador formado no Sporting, clube no qual ‘aterrou’ com 12 anos, proveniente da Madeira, onde representou Andorinha e Nacional, é também o melhor da seleção ‘AA’, com mais jogos (162) e golos, sendo que os 95 que apontou já suplantam os de Pauleta (47) e do ‘rei’ Eusébio (41) em conjunto.

Para muitos, é o melhor jogador de português de ‘todos os tempos’, embora não para todos, porque há Eusébio, enquanto outros – incluindo o próprio – já o consideram o melhor entre todos, o que é por si só um enorme feito, ou não existissem, entre outros, Pelé, Maradona ou o contemporâneo Messi.

Independentemente do lugar que irá ocupar na hierarquia, e que flutuará, certamente, ao ‘sabor’ de cada opinião, é unânime que o português é uma figura incontornável da história do futebol, lugar que conquistou à custa de juntar muito trabalho a um talento natural, e que foi visível desde bem cedo.

O ‘olheiro’ Aurélio Pereira descobriu-o na Madeira e trouxe-o para o Sporting, onde não ‘conseguiu’ fazer mais do que uma época (2002/03), pois, no início, da seguinte (2003/04), deslumbrou Alex Ferguson, que o levou para o Manchester United.

Curiosamente, um dos jogos mais importantes da história de Cristiano Ronaldo, nem entra para as contas dos 1.000, porque foi um particular de clube, a inauguração do Estádio José Alvalade, em 05 de agosto de 2003, face aos ‘red devils’: o franzino extremo dos ‘leões’, de 18 anos, ‘partiu tudo’ e foi embora.

Em Manchester, encontrou o ‘pai’ ideal em Ferguson, que, com a ajuda de Carlos Queiroz, transformou o português num craque, que, em seis épocas no United, subiu até ao topo, individual (Bola de Ouro em 2008) e coletivamente (Champions 2007/08).

Depois, como a cada dia, a cada treino ou jogo, mesmo antes e depois, quis mais, e acabou no Real Madrid, o clube ideal para as suas ideias de ‘grandeza’, para a sua ambição de ser o melhor, o melhor de todos, o melhor entre os melhores.

Com a camisola ‘blanca’, Ronaldo conseguiu o ‘impossível’, não em forma de quatro ‘Champions’, para juntar à arrebatada no United, mas de uma inacreditável média de golos superior a um por jogo: só parou nos 451 tentos, em apenas 438 jogos.

Nove épocas chegaram para deixar para trás todas as ‘lendas’ dos ‘merengues’, de Butragueño a Raúl, passando por Gento, Hugo Sánchez, Puskás ou ‘Dom’ Alfredo Di Stéfano, o homem que, juntamente com Eusébio, apresentou Ronaldo aos adeptos madridistas, em 06 de julho de 2009, no Bernabéu, perante 80.000.

Pelo meio, arrebatou por Portugal aquele que considera ser o seu título mais importante, o Europeu de 2016, que ‘vingou’ a amarga derrota caseira com a Grécia, em 2004, ainda menino. Saiu em lágrimas, lesionado, mas foi o primeiro a levantar o ‘caneco’.

Cristiano Ronaldo com a taça de Campeão Europeu de futebol por Portugal em 2016 – FOTO DR

Dois anos volvidos, e depois de uma terceira ‘Champions’ consecutiva, em 2017/18, Ronaldo achou, porém, que já chegava de Madrid, provavelmente farto de assobios que nunca aceitou e de problemas ‘extra’ futebol, nomeadamente com o fisco espanhol.

O Real Madrid pôs-lhe preço (100 milhões de euros) e a Juventus não hesitou em pagar, também porque o português mostrou vontade em rumar a Itália, onde em pouco mais de uma época tem mostrado que mantém intactos os seus dotes de goleadores.

Uma nova vitória na Liga dos Campeões, depois de já ter dado uma Supertaça italiana à ‘Juve’ e ter sido o melhor marcador da equipa na campanha rumo à vitória na Serie A de 2018/19, será o seu maior objetivo, a par de continuar a marcar golos, uma obsessão a cada jogo, a cada jogada.

A carreira de Cristiano Ronaldo em números

A carreira de Cristiano Ronaldo em números, depois de cumprir o jogo 1.000 da carreira:

0: Golos marcados ao Benfica (cinco jogos).

1: Golos nos Jogos Olímpicos (Atenas2004).

2: Jogos e golos na Supertaça Europeia.

3: Golos na Liga das Nações (dois jogos).

4: Botas de Ouro e vitórias no Mundial de Clubes.

5: Vitórias na Liga dos Campeões e de eleições como o melhor do Mundo.

6: Vitórias em campeonatos nacionais (três em Inglaterra, dois em Espanha e um em Itália).

7: Número de épocas em que foi melhor marcador da Liga dos Campeões.

8: Jogos no Mundial de clubes (sete golos).

9: Jogos em Supertaças nacionais (cinco golos).

10: Jogos com Sporting e FC Porto (quatro golos).

12: Jogos na Taça da Liga inglesa (quatro golos).

13: Número de eleições para a Equipa do Ano da UEFA e da FIFPro.

15: Vitórias com o Atlético de Madrid e derrotas com o FC Barcelona.

17: Jogos em fases finais do Mundial (sete golos).

18: Total de jogos pelas seleções olímpica, sub-21 e sub-20 (seis golos).

21: Jogos em fases finais do Europeu (nove golos).

22: Golos na Taça do Rei (30 jogos).

23: Golos ao Getafe (14 jogos).

24: Jogos com seleções campeãs do Mundo (quatro golos).

25: Jogos na I Liga portuguesa (três golos).

26: Jogos na Taça de Inglaterra (13 golos).

27: Golos ao Sevilha (18 jogos).

28: Golos às Equipas do ‘top 6’ de Inglaterra (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham).

30: Golos em qualificação para Mundiais.

31: Jogos pelo Sporting (cinco golos).

33: Jogos com o FC Barcelona (18 golos).

34: Jogos com o Atlético de Madrid (25 golos).

37: Golos em taças nacionais.

38: Jogos de qualificação para Mundiais.

41: Jogos na Serie A (26 golos).

47: Jogos particulares pela seleção ‘AA’ (17 golos).

57: Jogos pela Juventus (34 golos).

61: Jogos em taças nacionais.

69: Jogos e golos na época 2011/12 e golos em 2013.

71: Jogos em 2012.

79: Jogos com as Equipas do ‘top 6’ de Inglaterra (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham).

84: Golos na Premier League.

95: Golos pela seleção ‘AA’.

118: Golos pelo Manchester United.

128: Golos na Liga dos Campeões.

146: Total de derrotas.

162: Jogos pela seleção ‘AA’.

170: Jogos na Liga dos Campeões.

188: Total de empates.

196: Jogos na Premier League.

292: Jogos pelo Manchester United.

312: Golos na Liga espanhola (292 jogos).

425: Golos em campeonatos nacionais da primeira divisão.

438: Jogos pelo Real Madrid.

451: Golos pelo Real Madrid.

554: Total de jogos em campeonatos nacionais da primeira divisão.

608: Golos em clubes.

666: Total de vitórias.

709: Total de golos marcados.

820: Jogos em clubes.

1000: Total de jogos na carreira de profissional/sénior.

2016: Ano da conquista do campeonato da Europa.

2019: Ano da conquista da Liga das Nações.

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