Belenenses's goalkeeper Alvaro Ramalho (L) in action against Benfica´s Haris Seferovic (2-R) during the Portuguese first league soccer match between Belenenses SAD vs Benfica, at National Stadium, in Oeiras, near of Lisbon, Portugal, 27 November 2021. ANTONIO COTRIM/LUSA

A Belenenses SAD defendeu hoje, em comunicado, que o adiamento do jogo com o Benfica, que considerava “lógico e inevitável”, “inseria-se e insere-se plenamente na esfera da responsabilidade da Liga Portugal” de futebol.

A SAD esclarece ainda que entende que o adiamento do jogo de sábado com o Benfica, da 12.ª jornada da I Liga de futebol, “não tinha que ser formalmente pedido pelas partes, uma vez que resultava de um problema de saúde pública”.

“Na noite de sexta-feira, informámos a Liga que tínhamos realizado testes antigénio internamente, na sequência de sintomas apresentados por alguns jogadores, dos quais 16 testaram positivo à covid-19”, refere-se na nota.

O Belenenses SAD adianta que informou a Direção Geral de Saúde (DGS) e que esta solicitou uma “lista de contactos considerados de alto risco, classificou o ocorrido como ‘surto’ e enviou uma lista de critérios genéricos de isolamento que teriam de ser escrupulosamente cumpridos”.

“Acresce ainda que a DGS mostrou preocupação pelos riscos associados a uma nova variante, e decretou que fossem realizados testes PCR a todos os que estavam em isolamento”, adianta o comunicado.

Os ‘azuis’ referem que às 12:00 de sábado o seu presidente “informou através de uma conferência de imprensa que não solicitou o adiamento do jogo nem ao Benfica nem à Liga” e que às 14:34, através do seu médico, “informou formalmente a Liga da decisão da DGS de colocar 44 membros do grupo de trabalho em isolamento”.

“Ao contrário do que seria expectável a Liga não respondeu a este email e apenas enviou uma mensagem WhatsApp para o presidente com uma lista de oito jogadores que considerava aptos para ir a jogo”, referem.

A SAD esclarece que informou a Liga que um desses jogadores estava lesionado, juntando informação que o provava, e que outro, o sul-africano Sphephelo Sithole, estava fora do país, por não ter tido autorização de entrada em Portugal, facto que também era do conhecimento do organismo.

Belenenses’s players after the Portuguese first league soccer match between Belenenses SAD and Benfica ended in the 48th minute, as the Belenenses ran out of the minimum number of footballers, after starting with only nine, due to an outbreak of covid-19, at National Stadium, in Oeiras, near of Lisbon, Portugal, 27 November 2021. ANTONIO COTRIM/LUSA

“Feitas as contas, eram na verdade apenas seis jogadores efectivamente disponíveis. Seis jogadores que foram considerados suficientes pela Liga para a mesma manter a realização do jogo. A consequência seria a falta de comparência e a consequente perda de pontos”, adianta o comunicado.

Seguindo a cronologia dos factos, a Belenenses SAD adianta que “cerca das 19:00, na sequência do resultado dos testes PCR, que confirmaram 15 casos positivos, a DGS actualizou os contactos de risco e retirou três jogadores de isolamento”.

“Nesse momento, a Belenenses SAD passou a dispor de nove jogadores para apresentar no jogo. Obviamente, a Belenenses SAD continuava a entender que o jogo não podia realizar-se e solicitou imediatamente à Liga e ao Benfica o adiamento do encontro”, esclarece.

De acordo com os ‘azuis’, “o presidente do Benfica entendeu que naquele momento não era ao Benfica que competia o poder de adiar o jogo”.

“É importante recordar que, num contexto semelhante, embora sem ter em seu poder o mesmo detalhe de informação, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu o adiamento do jogo de sub-23 da Belenenses SAD marcado para esta manhã”.

Por isso, a Belenenses SAD entende que “cabia à Liga Portugal, com a qual esteve sempre em contacto, o poder de adiar o jogo por razões desportivas e de saúde pública”.

“É à Liga Portugal que cumpre salvaguardar a integridade da competição e a verdade desportiva. Além das considerações desportivas, graves, a situação médica de todas as pessoas da Belenenses SAD assumiu-se, para nós, como absolutamente prioritária”, finaliza o comunicado.

Interrupção com Benfica pode resultar em interdição de campo da Belenenses SAD – advogado

A interrupção do encontro de futebol Belenenses SAD-Benfica, no sábado, poderá resultar em um a três jogos de interdição do campo dos ‘azuis’, além de uma multa, disse hoje à Lusa o advogado Fernando Veiga Gomes.

“Sem conhecer os factos” que serão apurados pela participação disciplinar ao Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), anunciada hoje pela Liga, o sócio da firma Abreu Advogados explicou que poderá estar em causa o Artigo 118.º do Regulamento Disciplinar do organismo.

“O protocolo covid-19 do Plano Específico Para o Futebol Profissional não tem nenhuma disposição disciplinar específica, o que remete para o Regulamento Disciplinar. Não conheço os factos, mas poderá estar em causa o incumprimento de outros deveres referidos no Artigo 118.º desse regulamento”, disse Veiga Gomes.

Trata-se de “uma sanção mais ou menos genérica”, explicou o causídico, onde está escrito que “em todos os outros casos não expressamente previstos em que os clubes deixem de cumprir os deveres que lhes são impostos”, poderão ser punidos por este artigo.

Belenenses’s Joao Monteiro after get injured during the Portuguese first league soccer match between Belenenses SAD vs Benfica, at National Stadium, in Oeiras, near of Lisbon, Portugal, 27 November 2021. ANTONIO COTRIM/LUSA

O artigo refere aspectos como “a criação de uma situação de perigo para a segurança dos agentes desportivos ou espectadores”, assim como um “grave prejuízo para a imagem e o bom nome das competições de futebol”, o que poderá ser enquadrado após o apuramento dos factos, segundo Fernando Veiga Gomes.

“Em caso de ser apurado algum incumprimento por parte de dirigentes, será aplicável o artigo 127.º do regulamento”, prosseguiu o advogado, frisando que “tudo depende dos factos que vierem a ser apurados” pelo inquérito disciplinar que a Liga vai solicitar ao CD da FPF.

Questionado pela Lusa sobre a eventual aplicação do ponto quatro do Artigo 75.º do mesmo regulamento, que considera como “abandono de campo” a “saída deliberada de um número de jogadores que impeça a continuação do jogo”, Veiga Gomes afirmou que “não parece ser essa a intenção” do inquérito.

Este ponto do regulamento prevê que “os clubes cujas equipas abandonarem deliberadamente o recinto de jogo depois de este iniciado” serão punidos com a subtracção de um a oito pontos, além de uma multa.

“No entanto, depois de apurados os factos, a secção disciplinar da Liga tem total liberdade para os enquadrar da forma que entender mais adequada após cruzamento de informação dos relatórios das várias entidades envolvidas no jogo”, ressalvou Fernando Veiga Gomes.

Segundo o advogado, a Liga também não tem responsabilidades no não adiamento do jogo, uma vez que “como diz, se não houve um pedido formal dos clubes, também não podem pronunciar-se”.

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) vai avançar com uma participação disciplinar junto do Conselho de Disciplina da Federação (FPF), para apurar eventuais responsabilidades face à situação ocorrida no jogo Belenenses SAD-Benfica, interrompido aos 48 minutos.

O encontro entre o Belenenses SAD e o Benfica terminou aos 48 minutos, por os ‘azuis’ terem ficado sem o número mínimo de futebolistas, depois de ter começado apenas com nove, devido a um surto de covid-19.

Depois de terem entrado com apenas nove jogadores para o início da partida da 12.ª jornada, os ‘azuis’ recomeçaram com apenas sete após o intervalo, com a lesão de um elemento a obrigar ao fim do encontro.

Aquando do final antecipado, o Benfica vencia por 7-0, com golos de Kau (01 minuto), na própria baliza, Seferovic (14 e 39, de grande penalidade), Weigl (27), Darwin (32, 34 e 45), naquele que foi o jogo 600 de Jorge Jesus na I Liga.

SYL (AJC/VR/NFO) // APS // NFO

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