Ukrainian President Volodymyr Zelensky addresses guests during the Opening Ceremony of the 75th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 17, 2022. (Photo by CHRISTOPHE SIMON / AFP)

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu hoje que é necessário “um novo Chaplin para provar que o cinema não é mudo” diante da guerra na Ucrânia, numa mensagem de Kiev transmitida na abertura do 75.º Festival de Cannes.

“Vamos continuar a lutar, não temos outra escolha (…) Estou convencido de que ‘o ditador’ vai perder”, declarou Zelensky perante a ‘nata’ do cinema mundial, referindo-se ao Presidente russo, Vladimir Putin, e ao filme homónimo de Charlie Chaplin, que mencionou várias vezes.

A sua aparição, via vídeo, na sessão inaugural do certame, causou surpresa na sala e uma ovação do público, após a qual o Presidente ucraniano denunciou as atrocidades da guerra da Rússia na Ucrânia e apelou ao mundo do cinema para não se remeter ao silêncio.

“O cinema vai calar-se ou falar dela (da guerra)?”, perguntou.

“Precisamos de um novo Chaplin para nos provar hoje que o cinema não é mudo (…) O ódio acabará por desaparecer, os ditadores morrerão”, acrescentou, em tom grave.

No início de abril, Zelensky tinha já intervindo na 64.ª edição dos Grammys, os prémios norte-americanos da música, para pedir ajuda para o seu país.

O Festival de Cannes, cuja 75.ª edição hoje começou, prometera que a Ucrânia estaria “nos espíritos de todos” ao anunciar, durante o mês de abril, a programação, para a qual foram seleccionados vários filmes do país.

US actress Phoebe Price holds up a sign to protest against Russia’s invasion of Ukraine as she arrives to attend the screening of “Final Cut (Coupez !)” ahead of the opening ceremony of the 75th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 17, 2022. (Photo by LOIC VENANCE / AFP)

Duas gerações de cineastas ucranianos estarão representadas, com o ‘habitué’ Sergei Loznitsa, que traz “Tha Natural History of Destruction” (“A História Natural da Destruição”, em tradução livre), sobre a destruição das cidades alemãs pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial, e com o jovem Maksim Nakonechnyi, com “Bachennya Metelyka” (“Visões de Borboletas”), que será exibida fora de competição, na mostra paralela ‘Un Certain Regard’.

O certame adicionou à última hora a apresentação de “Mariupolis 2”, o último filme do realizador lituano Mantas Kvedaravicius, morto no início de abril na Ucrânia.

French actor and President of the Jury of the 75th Cannes Film Festival Vincent Lindon arrives on stage during the Opening Ceremony of the 75th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 17, 2022. (Photo by Valery HACHE / AFP)

Em contrapartida, o ‘rendez-vous’ mundial do cinema recusou-se a receber “representantes oficiais russos, instituições governamentais ou jornalistas representando a linha oficial” russa, mas declarou-se sempre pronto para acolher as vozes dissidentes, a começar por Kirill Serebrennikov. O ‘enfant terrible’ do cinema russo abrirá a competição na quarta-feira com o seu novo filme “La Femme de Tchaïkovski” (“A Mulher de Tchaikovski”), candidato à Palma de Ouro.

Hoje ao fim da tarde, no início da cerimónia de abertura, apresentada pela actriz Virginie Efira, foi levantada a questão do envolvimento político do cinema: “Será que o cinema pode mudar o mundo? Não tenho a certeza. Mas pode alterar a nossa percepção dele. E, em consequência, o mundo fica realmente mudado (…) Cineastas livres – é isso que o festival de Cannes celebra”.

US actor Forest Whitaker (R) stands by the President of the Cannes Film Festival Pierre Lescure after he was awarded with an Honorary Palm D’Or during the Opening Ceremony of the 75th edition of the Cannes Film Festival in Cannes, southern France, on May 17, 2022. (Photo by CHRISTOPHE SIMON / AFP)

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 83.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,2 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os sectores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou hoje que 3.752 civis morreram e 4.062 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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