NEW YORK, NEW YORK - JANUARY 22: A preview of Sandro Botticelli's "Young Man Holding a Roundel" at Sotheby's on January 22, 2021 in New York City. Sotheby’s will offer the painting as part of the annual Masters Week sales series. The work is estimated to sell for in excess of $80 million, which will establish it in art market history as one of the most significant portraits to ever appear at auction. Cindy Ord/Getty Images/AFP

A pintura a óleo “Retrato de jovem a segurar um medalhão”, do mestre renascentista italiano Sandro Botticelli, foi hoje vendida em leilão por 92 milhões de dólares (cerca de 76 milhões de euros), pela casa internacional Sotheby’s.

A pintura, com mais de 500 anos e em bom estado, foi estimada em mais de 80 milhões de dólares (cerca de 66 milhões de euros), cerca de oito vezes o recorde de uma pintura do mestre florentino, estabelecida em 2013, pela peça “Madonna e o Menino com o jovem Saint-Jean Baptiste”, vendida por 10,4 milhões de dólares (cerca de 8,6 milhões de euros).

Muito disputada por dois licitadores, no leilão de hoje, a pintura acabaria por ser vendida por 80 milhões de dólares no martelo, ficando por 92 milhões de dólares com impostos, colocando-se na posição da obra mais cara de Botticelli vendida pela leiloeira.

A obra não está datada, mas a Sotheby’s coloca-a entre o final da década de 1470 e o início da década seguinte, de 1480, da autoria de Sandro Botticelli (1445-1510), nascido Alessandro di Mariano Filipepi.

Este foi o período mais prolífico do pintor, durante o qual se deslocou a Roma a pedido do Papa para decorar a Capela Sistina, e também pintou “O Nascimento de Vénus” e “Primavera”, duas das suas obras mais famosas.

Na posse de um colecionador privado, o retrato foi exibido em vários museus e por longos períodos.

A ida à praça deste quadro foi amplamente publicidada pela Sotheby’s, com a elevada estimativa e a possibilidade de bater recordes de venda do artista, mas, de acordo com especialistas ouvidos pela publicação internacional The Artenewspaper, mesmo com os exames de raio-x e infravermelhos, subsistiam algumas dúvidas sobre a obra.

Em dezembro do ano passado, a Sotheby’s vendeu um óleo representando Cristo na cruz atribuído a Botticelli por apenas um milhão de libras (cerca de um milhão de eruos), num leilão ‘online’, a um cliente na Ásia.

“Ninguém duvida da beleza e da qualidade do retrato, mas ainda há alguns especialistas que se questionam se deveria ser atribuído a Botticelli, ou à sua escola”, escreve a publicação, apontando, como exemplo, o historiador alemão e professor de arte Frank Zöllner, que, num catálogo de 2005 sobre as obras do artista renascentista, a incluiu no grupo das “atribuições contestadas e incertas”, sobretudo pela insuficiente informação precisa da sua proveniência, que vai só até 1850.

No entanto, novos exames técnicos contribuíram para o aumento da confiança da leiloeira e de Zöllner.

No mesmo leilão foram vendidas outras obras de pintores renascentistas holandeses, flamengos, italianos e espanhóis, como o “Relevo de Maria com o Menino”, de Luca della Robbia, por cerca de dois milhões de dólares (1,6 milhões de euros), ou o “Cristo descendo da Cruz”, de Hugo van der Goes, por 3,6 milhões de dólares (2,9 milhões de euros).

Limitadas por restrições de saúde devido à pandemia de covid-19, que em particular privaram Nova Iorque das vendas públicas por dez meses, as vendas nas principais leiloeiras caíram esmagadoramente, mantendo-se apenas um volume significativo da atividade ‘online’.

AG (DD) // MAG

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade