A atriz Eunice Muñoz, de 93 anos, fotografada na sua casa em Oeiras, 21 de setembro de 2021. ANDRÉ KOSTERS / LUSA

O Governo português vai decretar luto nacional no dia do funeral da actriz Eunice Muñoz, que morreu hoje em Lisboa aos 93 anos, anunciou o Ministério da Cultura.

“O Governo, em articulação com o Presidente da República, vai decretar luto nacional no dia do funeral de Eunice Muñoz”, afirmou à Lusa fonte do Ministério da Cultura.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou hoje “emocionada homenagem” à actriz Eunice Muñoz e agradeceu-lhe “décadas inesquecíveis”, em nome de todos os portugueses, lamentando a sua morte com profunda consternação.

“É profundamente consternado que tomo conhecimento da morte de Eunice Muñoz, uma referência nacional, admirada e respeitada por todos os portugueses”, declarou o chefe de Estado à agência Lusa.

“Em seu nome, presto-lhe uma emocionada homenagem e agradeço décadas inesquecíveis da vida de todos nós”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

A atriz Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos, disse à agência Lusa o filho da atriz.

Nascida na Amareleja, no distrito de Beja, em 1928, Eunice Muñoz completou em novembro 80 anos de carreira.

No final da cerimónia alusiva à partida da força militar portuguesa para a Roménia, no âmbito de uma missão da NATO, Marcelo Rebelo de Sousa prestou breves declarações aos jornalistas sobre o percurso da actriz Eunice Muñoz.

“Portugal está de luto. Habituámo-nos à ideia de Eunice Munõz era eterna. Fisicamente não é. Resistiu a uma, duas, três, quatro crises de saúde. Mas é eterna no nosso espírito e não a esqueceremos”, afirmou o chefe de Estado.

Para o Presidente da República, Eunice Muñoz marcou a vida dos portugueses “ao longo de muitas décadas”.

“Em nome de todos os portugueses, queria agradecer-lhe uma vida dedicada ao teatro, mas também ao cinema, à televisão e à cultura em Portugal. Uma vida dedicada aos portugueses. Não a esquecemos, nunca a esqueceremos, estará sempre no nosso coração”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Filha e neta de actores de teatro e de artistas de circo, ao longo da carreira Eunice Muñoz entrou em perto de duas centenas de peças, trabalhou com cerca de uma centena de companhias, segundo a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, no cinema e na televisão, o seu nome está associado a mais de oito dezenas de produções de ficção, entre filmes, telenovelas e programas de comédia.

O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, destacou hoje a relação próxima e íntima dos portugueses com a actriz e o “enorme aplauso” que recebeu em vida e que assegurou que será mantido.

“Neste momento devemos-lhe o mesmo aplauso que sempre lhe oferecemos, um aplauso de certa forma eterno”, declarou o ministro à agência Lusa, considerando um “privilégio para Portugal e para os portugueses” ter uma actriz como Eunice Muñoz.

“Tinha um talento quase natural e um dom único para a representação e, por isso mesmo, para nós todos, a vida da Eunice Muñoz confunde-se com os palcos e com o teatro, é uma espécie de relação íntima que todos fomos desenvolvendo com a mulher doce e afável”, disse o governante.

Pedro Adão e Silva destacou também a carreira longa e de enorme proximidade e de intimidade da actriz: “É como se todos a conhecessem e talvez essa seja também uma marca distintiva. Não é só o dom que tinha de facto e o talento como atriz, é também essa proximidade e essa intimidade”.

Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, segundo o filho da actriz, tendo completado em novembro 80 anos de carreira.

Em abril do ano passado, Eunice Muñoz foi condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, cerca de três anos depois de ter recebido a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Actriz marcou de forma definitiva o teatro português – primeiro-ministro

O primeiro-ministro considerou hoje que a actriz Eunice Muñoz marcou de forma definitiva o teatro português, salientando a sua constante comunhão com o público e a sua permanente renovação e reinvenção que conquistou gerações sucessivas.

“Eunice Muñoz marcou de forma definitiva o teatro português, trabalhando com os mais importantes encenadores e companhias, sem nunca deixar de se renovar, de se reinventar, de conquistar gerações sucessivas”, escreveu António Costa, numa mensagem que publicou na sua conta na rede social Twitter.

Na mesma mensagem, o primeiro-ministro assinalou que a comunhão de Eunice Muñoz com o público “foi uma constante ao longo da sua carreira, crente de que o teatro só faz sentido se for feito em função dos outros”.

“Eunice, muito obrigado por tudo o que fez pelo teatro e pela cultura portuguesa”, acrescentou António Costa.

Ao longo de 2021, contracenou com a neta Lídia Muñoz, na peça “A margem do tempo”, em diferentes palcos do país, numa digressão que culminou no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em 28 de novembro, exactamente 80 anos após a sua estreia.

A actriz Eunice Muñoz (D), acompanhada pela neta Lídia Muñoz (E), durante o ensaio geral da peça de teatro “A Margem do Tempo”, no lançamento das celebrações dos seus 80 anos de carreira, em Oeiras, 19 de Abril de 2021. Com 92 anos, Eunice Muñoz aceitou voltar aos palcos, de onde está afastada desde 2012, na condição de este espectáculo ser o último da sua carreira. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

No final da sessão, a que assistiram o primeiro-ministro, António Costa, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e a ministra da Cultura, Graça Fonseca, foi prestada uma homenagem à atriz.

“Este teatro foi a minha casa durante muito anos, fui feliz no palco, em tudo o que cá fiz”, afirmou então Eunice Muñoz, no final da sessão.

“Agradeço sobretudo a vocês, ao público, que me acarinhou, que me aplaudiu desde que comecei, até agora que comemoro os meus 80 anos de carreira”, salientou.

“O teatro precisa de nós, de nós no palco e de vocês que recebem o melhor que temos para dar”, acrescentou ainda Eunice Muñoz, concluindo que, “apesar dos dias estranhos e difíceis, o belo continua a existir”.

Inigualável senhora dos palcos portugueses – Augusto Santos Silva

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, considerou hoje que a actriz Eunice Muñoz foi “a inigualável senhora dos palcos portugueses”, defendendo que sem ela a cultura teria sido mais pobre.

“Deixou-nos há pouco Eunice Muñoz, a inigualável senhora dos palcos portugueses. Sem ela, a nossa cultura teria sido mais pobre. Honremos a sua memória, continuando a celebrar o teatro”, escreveu o presidente da Assembleia da República, numa mensagem que publicou na sua conta na rede social Twitter.

“A maior actriz portuguesa de todos os tempos” – Diogo Infante

O director artístico do Teatro da Trindade, Diogo Infante, considerou hoje Eunice Muñoz a “maior actriz portuguesa de todos os tempos”, manifestando-se “desolado” com a sua morte hoje aos 93 anos.

“O seu lugar há muito que está reservado nos anais da história. A maior actriz portuguesa de todos os tempos”, salientou o actor, num texto publicado na rede social Facebook.

Diogo Infante considerou ainda que, “verdadeiramente, a Eunice [Muñoz] não partiu, porque é eterna” e salientou o “enorme privilégio de ter feito parte” da sua vida.

ND com Lusa

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