A fadista portuguesa Argentina Santos – FOTO DR

A fadista Argentina Santos morreu hoje em Lisboa, aos 95 anos, disse à Lusa o músico Paulo Valentim, atual proprietário da casa de fados A Parreirinha de Alfama.

A fadista esteve à frente da casa de fados desde 1950 até princípios deste século, tendo-se tornado “uma referência gastronómica e do fado tradicional, por onde passaram algumas das melhores vozes como Celeste Rodrigues, Lina Maria Alves, Lucília do Carmo, António Mourão, Maria da Fé, entre outros ”, disse Paulo Valentim.

Argentina Santos, que popularizou fados como “A Minha Pronúncia” e “Chico da Mouraria” e “Chafariz d’el Rei”, encontrava-se atualmente a residir na Casa do Artista em Lisboa.

A carreira de Argentina Santos e a história da Parreirinha, que começou por ser uma taberna onde acontecia fado, confundem-se.

 

Em 2010, Museu do Fado escreveu que, ao confinar grande parte do seu percurso à Parreirinha de Alfama, Argentina Santos “fez também da sua casa uma autêntica oficina de fados, cenário de afetos e palco da cumplicidade criativa de poetas, músicos e fadistas”.

Entre outros, pela Parreirinha de Alfama passaram as vozes de Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Fernanda Maria, Mariana Silva, Natércia da Conceição, Natalina Bizarro, Helena Tavares, Leonor Santos, Beatriz da Conceição, Flora Pereira e Júlio Peres.

Em 2003, na 52.ª Grande Noite de Fado, a Parreirinha de Alfama recebeu o Prémio Casa de Fado da Casa de Imprensa.

 

Referindo-se à criadora de “Chico da Mouraria”, o Museu do Fado assevera: “o seu fado tem a força de um pregão e a contenção de uma prece. Neles se combinam autenticidade humana e artística em perfeita simbiose. Destemido, o fado de Argentina Santos não conhece subterfúgios ou cedências. Basta-lhe ser autêntico”.

Argentina Santos cantou além fronteiras, nomeadamente no Festival de Edimburgo, Londres, Paris, Madrid, e em várias cidades de Itália, tendo sido homenageada com uma Academia De Fado contendo o seu nome, em Ascona.

Argentina Santos fez parte do elenco do espectáculo “Cabelo Branco é Saudade”, de autoria de Ricardo Pais.

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