Manuel Cargaleiro – FOTO LUSA

Mais do que mestre na pintura e na cerâmica, Manuel Cargaleiro foi hoje reconhecido em Paris como exemplo de partilha cultural entre França e Portugal, tendo sido agraciado pela cidade onde vive e pelo país que o viu nascer.

“Não esperava nada assim, nem mereço. Eu quero que me ponham ao nível dos operários que trabalham nas fábricas da cerâmica, mais nada. Eu não quero ser mais do que isso. Não quero ser um bicho”, disse hoje Manuel Cargaleiro aos jornalistas nos salões nobres da Câmara Municipal de Paris.

No entanto, a cidade de Paris e Portugal não concordam com o artista e foram-lhe atribuídas esta manhã duas medalhas que falam das suas origens, do seu percurso e do seu valor cultural para os dois países.

Portugal, através do primeiro-ministro, António Costa, e da ministra da Cultura, Graça Fonseca, atribuíram a Cargaleiro a Medalha de Mérito Cultural e Anne Hidalgo, autarca de Paris, a medalha Grand Vermeil, a maior distinção que a cidade pode atribuir.

“Caro mestre, é um grande mestre na sua arte, mas é também um grande mestre naquilo que a arte pode trazer às relações humanas, mas também à diplomacia e à aproximação dos povos. […] É um parisiense, um grande parisiense, um verdadeiro parisiense”, afirmou a autarca francesa, lembrando que Paris serviu de refúgio a muitos artistas portugueses durante o período da ditadura.

Esta homenagem teve como pretexto a inauguração de um novo acesso à estação de metro de Champs-Elysees Clemenceau, que dá acesso aos Campos Elísios e ao Grand Palais, e que em 1995 recebeu vários painéis de azulejo do artista português.

Este novo acesso conta com novas obras de Manuel Cargaleiro. Os painéis revelados esta manhã na presença das autoridades francesas e portuguesas são descritos pelo ceramista como “um ramo de flores” que oferece à cidade onde vive há mais de 60 anos.

“Muitas vezes, nos corredores do metro, os parisienses estão sempre apressados, cabisbaixos e preocupados, mas acho que através destes painéis abre-se uma janela para o Mundo e para Portugal”, declarou Anne Hidalgo, qualificando a estação Champs-Elysees Clemenceau como uma das mais bonitas da capital.

António Costa agradeceu a Hidalgo por reconhecer que existem portugueses de Paris e que os seus feitos, sejam culturais ou de outro setor, sejam valorizados publicamente. Entre estes portugueses, o primeiro-ministro considerou que Manuel Cargaleiro foi um embaixador de Portugal.

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“Manuel Cargaleiro foi um verdadeiro embaixador artístico e cultural de Portugal em França, no Mundo e a sua dimensão internacional merece o nosso reconhecimento, mas mais do que isso, Manuel Cargaleiro nunca esqueceu as suas origens”, referiu António Costa antes de agraciar o artista português.

Tanto a inauguração como a cerimónia nos salões nobre da Câmara de Paris reuniram várias figuras de relevo francesas como o ministro dos Transportes, Jean-Baptiste Djebbari, a diretora da RATP (empresa de transportes de Paris), Catherine Guillouard, e diversas figuras da comunidade portuguesa em Paris.

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