A OGBL declarou o “estado de emergência” contra a explosão dos preços do imobiliário no Luxemburgo. Esta a principal mensagem do presidente da OGBL, André Roeltgen, na conferência de imprensa que teve lugar após o Comité Nacional reunido na terça-feira.

A central sindical critica “a passividade política” do Governo luxemburguês face à inflação desmesurada dos preços do imobiliário e declara mesmo que este é um momento de ”estado de emergência”. A OGBL define algumas prioridades, como o fim da especulação de bens imobiliários, taxar mais pesadamente os multiproprietários e construir mais, muito mais habitação social.

O presidente da central sindical, André Roeltgen começou por recordar que, “segundo o Observatório da Habitação, o preço de compra de um apartamento aumentou 65,5% entre 2005 e 2016, enquanto o salário médio aumentou apenas 33,6% no período em análise”.

Simultaneamente, a taxa de endividamento dos habitantes no país subiu 33%. Mostrando-se preocupado, o presidente da OGBL deu exemplos de como a os preços da habitação já não acompanham os padrões de vida dos habitantes e das famílias do país. “Um casal sem filhos, em que ambos ganhem o salário médio nacional, precisa de 14 anos para comprar um apartamento com um quarto. Mas o mesmo casal, se auferir o salário mínimo, precisa de quase 30 anos para comprar esse bem. Um pai ou uma mãe com três filhos, que tenha o salário mínimo, precisa de 79 anos para comprar uma casa com três quartos!”, constatou consternado o presidente da OGBL. E com as rendas não é melhor, analisous Roeltgen. “Uma mãe com três filhos precisa de 121,4% dos seus rendimentos para encontrar um alojamento”.

Roeltgen fustigou os fundos de investimento especializados no imobiliário, que “são um mero produto financeiro e têm apenas contribuído para tornar os ricos mais ricos e fazer subir os preços da habitação”. E criticou o facto de “um conjunto de terrenos no país, no valor de 3,4 mil milhões de euros”, estar nas mãos de um punhado de 150 pessoas, “ou seja 0,03% da população!”.

“Os políticos devem decidir se o interesse público é mais importante do que a necessidade de o clube de futebol Kaiserslautern subir da 3ª para a 1ª divisão alemã”, criticou o presidente da OGBL. Alusão direta ao luxemburguês Flávio Becca, proprietário do clube alemão, que gere um desses fundos de investimento imobiliário, sendo dos especuladores que mais tem gozado de benefícios fiscais, tendo assim aproveitado para aumentar ainda mais a sua fortuna colossal.

Enquanto isso, lamentou Roeltgen, há habitantes da classe média e classe mais pobre que sofrem na pele a explosão dos preços do alojamento no Grão-Ducado nos últimos 15 anos. “E enquanto as rendas e os preços dos alojamentos aumentaram, os salários não acompanharam o ritmo”.

Para evitar uma ainda maior explosão exponencial dos preços, a OGBL sugere várias pistas para contrariar a tendência.

“Apenas construir mais, não chega”, alertou o presidente da OGBL. Primeiro, “é preciso construir mais alojamentos sociais”. De toda a habitação construída no país anualmente (entre 2.500 e 3.000 alojamentos), apenas 1,6% é dedicada ao social, a percentagem mais baixa da UE.

Depois, sugere Roeltgen, “é necessário proibir a especulação imobiliária” ou torná-la menos atrativa. Por outras palavras, a OGBL reivindica que se reforme o imposto predial (a taxa sobre os alojamentos e os terrenos) para que este se torne progressivo, isto é, quanto mais apartamentos ou casas alguém possuir, mais será tributado.

A OGBL preconiza que é preciso também tributar de forma mais pesada os proprietários que guardam terrenos baldios sem os vender nem construir neles, apenas para especular e tirar daí o melhor preço. Finalmente, a OGBL reivindica também que as rendas tenham um tecto (plafond) fixado por lei, bem como os preços dos terrenos, justamente para evitar a especulação.

Num momento em que há uma profunda falta de alojamentos e terrenos, “os políticos não podem continuar a ser passivos como foram até agora neste dossier”, ataca Roeltgen.

“Precisamos de uma verdadeira vontade política para lutar contra a crise na habitação e contra a especulação imobiliária. Não vamos desistir antes de vermos mudanças”, ameaçou o presidente da OGBL, em jeito de conclusão.

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