O filme A Herdade, de Tiago Guedes, distinguido em Veneza

O filme português “A Herdade”, de Tiago Guedes, foi sábado (07) distinguido com o Prémio Bisato d’Oro para Melhor Realização, atribuído por um júri da crítica independente, presente no Festival de Cinema de Veneza.

Trata-se de um prémio paralelo aos galardões oficiais do festival de Veneza, atribuído por um júri independente presidido por Paolo De Cesare, distinto igualmente dos prémios da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci).

“A Herdade”, que entrou na competição oficial do festival – o mais antigo da Europa – é protagonizado por Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, e tem produção de Paulo Branco.

Para o júri do Prémio Bisato d’Oro (Enguia de Ouro), o filme português, “embora de forma mais íntima e menos espetacular, tem reminiscências do “Novecento” de Bertolucci”, concluindo que “a história é um pedaço de vida, um tempo passado com personagens que se tornam nossos companheiros numa preciosa viagem”.

 

 

A longa-metragem conta a história de uma família dona de uma propriedade latifundiária, e ao mesmo tempo traça “o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal, dos anos 40, atravessando a revolução do 25 de Abril e até aos dias de hoje”, segundo a sinopse.

Contactado pela agência Lusa, o actor Albano Jerónimo comentou: “Estamos muito contentes com este prémio e as perspectivas que nos traz”.

“A Herdade” está confirmado também para competir no festival de Toronto, e chegará aos cinemas portugueses a 19 de setembro.

O prémio Enguia de Ouro é atribuído todos os anos em Veneza. Em 2007 premiou “Cristóvão Colombo – O Enigma”, de Manoel de Oliveira, como Melhor Filme.

Em 1989, “Recordações da Casa Amarela”, de João César Monteiro, recebeu em Veneza o Leão de Ouro, e também o prémio da crítica Bastone Bianco.

Este ano, este júri da crítica independente atribuiu igualmente o Prémio Bisato d’Oro ao documentário “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, de Bárbara Paz.

O filme – que no festival de Veneza foi distinguido com o Prémio para Melhor Documentário Sobre Cinema – é produzido por Bárbara Paz, Myra Babenco e os irmãos Caio e Fabiano Gullane.

“Babenco” foi premiado com a seguinte justificação do júri: “Porque o cinema filma a memória, porque o cinema conta a história daqueles que vivem, daqueles que viveram, porque o cinema comemora o amor, porque o cinema é amor”.

O documentário traça um paralelo entre a arte e a doença de Hector Babenco, sobre os últimos dias do realizador de origem argentina, que se fixou no Brasil, e que dirigiu filmes como “Pixote, A Lei do Mais Fraco” e “O Beijo da Mulher Aranha”.

Na entrega dos prémios oficiais, a realizadora Bárbara Paz, que percorreu a passadeira vermelha com um cartaz onde se lia “Eu sou Amazónia”, estava visivelmente emocionada e agradeceu ao cinema e à cultura brasileira e gritou, em português e em inglês: “Viva a liberdade de expressão!”.

A reacção da cineasta acontece dias depois de a presidência de Jair Bolsonaro ter afastado a direcção da Agência Nacional de Cinema do Brasil (Ancine), que regula e fiscaliza o mercado do cinema e do audiovisual, e de os seus antigos responsáveis terem sido acusados de associação criminosa, entre outros delitos, pelas actuais autoridades.

A Cinemateca de São Paulo tem vindo também a ser “ocupada por militares e políticos, contra ‘marxismo cultural'”, como noticiou esta semana o jornal Folha de S. Paulo.

Bolsonaro admitiu em julho a possibilidade de extinguir a Ancine caso não a possa usar para impor “filtros” nas produções audiovisuais do país.

 

Filme de Leonor Teles nomeado por Veneza para os prémios da Academia Europeia de Cinema

 

O filme da realizadora portuguesa Leonor Teles, “Cães que ladram aos pássaros”, foi sábado nomeado pelo Festival de Veneza para o prémio de curta-metragem da Academia Europeia de Cinema.

 

A realizadora portuguesa Leonor Teles – FOTO: Michael Kappeler / EPA / Todos os Direitos Reservados

A curta-metragem portuguesa concorria à 76.ª edição do Festival de Cinema de Veneza na secção Horizontes, que acabou por premiar “Darling”, de Saim Sadiq (Paquistão, Estado Unidos), com o prémio de melhor curta-metragem.

No entanto, a realizadora portuguesa conquistou esta nomeação do júri – presidido por Susanna Nicchiarelli – para ser candidata ao prémio de curta-metragem da Academia Europeia de Cinema.

O júri era ainda composto por Eva Sangiorgi, Álvaro Brechner, Mark Adams, Rachid Bouchareb, que avaliou 19 filmes e 13 longas-metragens em competição.

O filme “Cães que ladram aos pássaros”, acompanha os dias de verão de Vicente e da sua família, obrigados a sair da sua casa no centro do Porto, por força da especulação imobiliária, segundo a produtora.

Os prémios da Academia Europeia de Cinema serão entregues numa cerimónia marcada para 07 de dezembro em Berlim, na Alemanha, cerca de um mês depois de conhecidas todas as nomeações, cujo anúncio está marcado para 09 de novembro.

 

 

OS VENCEDORES EM VENEZA

 

O filme “Joker”, do realizador norte-americano Todd Phillips, foi o vencedor do Leão de Ouro da 76.ª edição do festival de cinema de Veneza, enquanto o Grande Prémio do Júri foi atribuído ao filme “J´Accuse”, de Roman Polansky, e o Leão de Prata de Melhor Realizador foi para o sueco Roy Anderson, por “About Endlessness”.

 

 

Yonfan, cineasta de Hong Kong, recebeu o prémio de Melhor Argumento por “No.7 Cherry Lane”, um filme de animação de Zhang Gang.

Roman Polansky não esteve presente na cerimónia, em Veneza, pelo que o Grande Prémio do Júri, atribuído ao filme “J’Accuse”, foi recebido pela aCtriz francesa Emmanuelle Seigner, casada com o realizador.

O Prémio de Melhor Interpretação Masculina (Taça Volpi) foi para Luca Marinelli, pelo desempenho em “Martin Eden”, de Pietro Marcello, e o Prémio de Melhor Interpretação Feminina (Taça Volpi) foi para Ariane Ascaride, em “Gloria Mundi”, de Robert Guédiguian.

Foi ainda atribuído o Prémio Especial do Júri ao filme “Mafian non e piú quella de una volta”, de Franco Maresco, e o Prémio Marcello Mastroianni para Melhor Ator Emergente foi para Toby Wallace, pelo desempenho em “Babyteeth”, de Shannon Murphy.

 

 

Tanto o actor italiano Luca Marinelli como a actriz francesa Ariane Ascaride, filha de emigrantes italianos, dedicaram, no seu discurso de agradecimento, os seus prémios aos refugiados e aos imigrantes “que morrem no mar Mediterrâneo”.

“Babenco”, o documentário da realizadora brasileira Bárbara Paz, sobre os últimos dias do realizador Hector Babenco, que dirigiu “Pixote, A Lei do Mais Fraco” e “O Beijo da Mulher Aranha”, conquistou o Prémio para Melhor Documentário Sobre Cinema.

Iniciado a 28 de agosto, com a estreia de “La vérité”, do realizador japonês Hirokazu Kore-eda, o festival de cinema de Veneza termina este sábado com a exibição “The Burnt Orange Heresy”, do realizador italiano Giuseppe Capotondi, no qual entra o músico Mick Jagger.

 

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