Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais, escreve semanalmente às quintas no LUX24.

Setembro marca a reentré escolar e o final das férias para uma grande maioria dos trabalhadores. É um mês associado muitas vezes a novas mudanças a nível académico e profissional, bem como de novas oportunidades e possibilidades. Quando estamos perante mudanças e novas oportunidades, é quase impossível não as encararmos com certas expectativas em mente.

As expectativas passam por diversos pontos, desde a avaliação das nossas próprias capacidades perante os novos desafios, a nossa integração num novo grupo, a forma como os outros nos vão percecionar e como é que o nosso trabalho vai parecer em comparação aos dos colegas. É nestes dois últimos pontos que me vou focar aqui.

O ser humano, é um ser social por natureza. Um facto que diversos séculos de investigação em diversas áreas nos têm vindo a comprovar. Como seres sociais, a nossa interação com os outros nos mais variados contextos terá sempre uma influência nas nossas vidas, e quando essas interações são conflituosas isso reflecte-se no nosso bem-estar e saúde mental.

A questão aqui é, até que ponto nos devemos deixar influenciar por aquilo que os outros pensam de nós?

Embora precisemos quase sempre dos outros, a opinião que têm de nós acaba por ser muito mais preocupante nas nossas mentes do que o é na realidade. Da mesma forma como nós estamos preocupados e exageramos muitas vezes (em especial pela negativa) as perceções e quanto os outros notam a nossa presença, todos os outros estão ocupados a pensar no mesmo. Ou seja, muitas vezes os nossos medos e expectativas relativamente à perceção que damos exteriormente são desajustadas à realidade.

Quando nos tornamos capazes de assimilar esta ideia, passamos a ser muito mais confiantes e focados nas nossas tarefas. Ao rompermos com o mecanismo de comparação interno com os outros e deixarmos de ter isso em questão, somos capazes de nos focar nos nossos objectivos pessoais e seguir com as nossas ambições sem sentirmos um travão mental.

Mesmo que haja alguém objectivamente pior ou melhor que nós, o que interessa sempre é dar o nosso melhor, evoluir ao nosso ritmo e aprender com os nossos erros. O nosso caminho é feito apenas por nós e por aquilo que conseguimos controlar – o nosso esforço, atitude perante a tarefa e desafios – e ao termos perceção disso, estamos a entrar num espaço mais saudável mentalmente, aumentando a nossa resiliência, resistência à frustração e auto-conceito.

As impressões dos outros apenas a eles lhes dizem respeito, nunca nos podemos esquecer que todos temos as nossas batalhas para travar, formas diferentes de encarar os desafios e que faz parte da natureza humana sentir insegurança e nos compararmos com os outros.

No entanto, ao não deixar que isto nos domine conseguimos ser mais confiantes nas nossas capacidades e seguir em frente com os nossos desafios ao nosso ritmo. Afinal, somos todos humanos.

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