Pedro Cunha
Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Esta longa-metragem com produção associada entre a Islândia, França e Ucrânia foi dirigida pelo realizador Benedikt Erlingsson (destacou-se com o filme “Of Horses and Men”, 2013), narra a história de “Halla” que se torna numa activista ambiental determinada, mas isso ameaça uma esperança antiga dela…

Prepare-se para um peculiar drama ecológico islandês e o desafio que a personagem “Halla”, encarnado pela actriz Halldóra Geirharðsdóttir (destacou-se no filme “Metalhead”, 2013), terá em relação à possibilidade de ser mãe… esta mulher com uma energia feroz e concentrada que misteriosamente convergiu todos os seus esforços numa campanha ambiental não lhe ficará indiferente.

A guerra de “Halla” revela-se como um excelente argumento, escrito pelo realizador e por Ólafur Egilsson (destacou-se com o filme “Summerland”, 2010), e a cena de abertura do filme vai seguramente envolver todos os espectadores na narrativa!

 

 

É incontornável aludir à forma como Erlingsson transforma este drama sobre ecologia numa aparência ocasional de um thriller onde a polícia e os serviços de segurança se tornam extremamente sérios para encontrarem o culpado da sabotagem energética (no País – notoriamente mais drástico que a greve da qual todos falam actualmente em Portugal).

Primeiro há que destacar o facto de Benedikt Erlingsson ter iniciado a sua carreira na 7ª Arte como actor e a mudança para a realização possibilitou-lhe a ascensão ao status de “Cult”, em particular devido ao tremendo filme de 2013 que referi anteriormente.

Depois, há que salientar a música folclórica islandesa que desempenha um papel importante em todo o filme! O trabalho do compositor Davíð Þór Jónsson (destacou-se também com o filme “Of Horses and Men”, 2013), suporta a estrutura dramática e emocional da longa-metragem e o trio musical presente em inúmeras cenas acabam por ser diegéticas.

Para concluir, parte significativa da magia deste filme passa pelo trabalho de direcção de fotografia de Bergsteinn Björgúlfsson (destacou-se com o filme “Mr. Bjarnfreðarson”, 2009), que faz plena justiça à beleza das paisagens islandesas emanando uma poética cinematográfica de gabarito assinalável.

“Halla” parece desempenhar o papel da “Mãe” de todas as deusas verdes enquanto “Janina Duszejko” no filme “Spoor” (sobre o qual escrevi no passado mês de outubro) desempenha o papel de “Mãe” de todos os animais… ficando a questão se estas ilustrações “individuais” serão suficientes para que mais pessoas no mundo efectivamente se interessem ou se inspirem pelas questões da preservação da vida selvagem e do meio ambiente, ao contrário dos veículos políticos a nível mundial.

“Uma Mulher em Guerra” regista um rico percurso nos festivais de cinema com mais de uma vintena de galardões arrecadados com destaque ao SACD Screenwriting Award em Cannes e ao Lux prize do Parlamento Europeu.

Como curiosidade, de referir que foi confirmado um remake com produção inglesa e, que a actriz Jodie Foster irá encarnar o personagem “Halla” e assumir a realização do projecto.

Em Portugal, estreou no passado dia 4 de Julho e aguarda-se a possibilidade de estreia do filme no Luxemburgo.

Bom filme!

 

Para assistir ao trailer, clique aqui:

 

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