A Comissão Europeia agradeceu hoje aos seis Estados-membros, entre os quais Luxemburgo e Portugal, que, na ausência de uma resposta coordenada europeia, aceitaram receber migrantes resgatados no Mediterrâneo pelo navio da organização não-governamental espanhola Open Arms.

Na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, em Bruxelas, a porta-voz Vanessa Mock comentou hoje que “houve muitos desenvolvimentos nas últimas 48 horas” relativamente ao impasse em torno dos 147 migrantes retidos a bordo do Open Arms, afirmando que a Comissão saúda o facto de “seis Estados-membros estarem dispostos a mostrar solidariedade e a participar na recolocação dos migrantes”.

“A Comissão Europeia esteve em contactos intensos ao longo da última semana e estamos muito gratos pela cooperação de França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal, Roménia e Espanha”, os países que se disponibilizaram a acolher migrantes resgatados pelo navio humanitário em águas do Mediterrâneo.

A mesma porta-voz acrescentou que o executivo comunitário “está pronto a dar apoio de coordenação e operacional no terreno”, assim que tal lhe for solicitado, “e quando for encontrada uma solução para o desembarque das pessoas resgatadas no mar”, que aguardam há duas semanas ao largo da ilha italiana de Lampedusa autorização para atracar num porto seguro.

Vanessa Mock reiterou, no entanto, que situações de pessoas retidas em embarcações “durante dias ou semanas é insustentável” e insistiu que, do ponto de vista da Comissão, “são necessárias com urgências soluções previsíveis e sustentáveis” para o problema dos migrantes resgatados no Mediterrâneo, uma questão que, vincou, “não é responsabilidade de um ou alguns Estados-membros, mas da Europa como um todo”.

Na falta de uma solução europeia, este tipo de acordo tem permitido resolver mais de uma dezena de casos semelhantes, em que navios de organizações humanitárias resgatam migrantes no Mar Mediterrâneo mas são impedidos de aportar tanto em Itália como em Malta.

O Open Arms está perto da ilha italiana de Lampedusa há duas semanas a aguardar autorização para desembarcar 147 pessoas resgatadas do Mediterrâneo.

Além do Open Arms, há um outro navio, o Ocean Viking, operado pelos Médicos Sem Fronteiras e a SOS Mediterranée, que aguarda, com 356 migrantes a bordo, autorização para aportar.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019 mais de 39.000 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo, cerca de 34% menos do que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia, segundo a organização.

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