Chocada, incrédula e horrificada. Assim está a comunidade brasileira residente no Luxemburgo após o alegado crime passional que, este fim-de-semana, vitimou Dione S., uma brasileira na casa dos 50 anos, residente em Esch-sur-Alzette, no Luxemburgo.

A notícia da morte da mulher brasileira, que trabalhava no sector das limpezas, deixou “sem palavras e de rastos” a vasta comunidade brasileira residente no Grão-Ducado.

Nas redes sociais, em grupos ou chats privados, a morte de Dione S. às mãos do companheiro, o português Francisco C., também na casa dos 50 anos, foi o tema de todas as conversas este domingo.

Tudo começou na noite de sábado, cerca das 18:00. Os serviços de socorro foram chamados a um apartamento no centro de Esch/Alzette. Quando polícia e ambulância chegaram ao local terão encontrado Dione S. em estado crítico.

Depois de uma alegada discussão, Francisco C. terá esfaqueado a companheira, que não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer no hospital, na madrugada deste domingo (11). Não foram revelados os contornos da ocorrência.

O LUX24 sabe que, no dia antes ao episódio fatal, Francisco C. terá agredido Dione S. A polícia foi chamada ao local e o português terá ficado detido provisoriamente, mas depois de colocado em liberdade pelas autoridades acabou por, já no sábado, consumar o crime.

“As discussões entre eles eram frequentes nos últimos tempos. Depois ele bebia, tinha muitos ciúmes. Eram frequentes as confusões. O álcool e o ciúme dão nisto, sabe”, contou, ao LUX24, uma cidadã brasileira, que solicitou anonimato com medo de represálias.

Nos últimos tempos, Francisco C., natural da zona de Barcelos (Distrito de Braga), não tinha emprego conhecido e tornou-se mais violento para com Dione.

Ao que o LUX24 apurou, as autoridades já anteriormente teriam sido chamadas para outros episódios de violência doméstica entre o casal.

Dione S., natural de Xaxim, Santa Catarina, Brasil, era um pessoa calada, reservada, amiga. Mãe de quatro filhos: Uma filha de 35, outra de 32, um filho de 24 e um menina de 10 anos, com autismo, com quem vivia em Esch/Alzette.

Dione S. trabalhava nas limpezas, ao que apurou o LUX24.

Seja por medo de represálias ou por o crime horrendo estar ainda ‘quente’ na memória da comunidade, ninguém com quem o LUX24 falou quis ser identificado.

“É um caso muito complexo, que envolve uma morte muito violenta. A família da vítima já foi informada do sucedido e já está a caminho do Luxemburgo. Estamos todos em choque”, contou outra cidadã brasileira radicada no Grão-Ducado.

Contactada pelo LUX24, a polícia luxemburguesa escusou-se a dar detalhes ou a confirmar a identidade quer da vítima quer do suspeito de homicídio, escudando-se no segredo de Justiça.

Francisco C. – que actualmente estaria desempregado – foi detido pelas autoridades ainda no local do crime, ouvido este domingo por um juiz, que decretou prisão preventiva.

“Até quando vai continuar a violência doméstica e o femicídio. Já chega… Basta! Perante esta morte violenta só queremos que seja feita justiça. Dione não merecia este final”, vaticinava, incrédula, outra brasileira.

Por esclarecer está ainda a situação da filha menor da vítima. A menina, de 10 anos, com autismo, estará à guarda dos serviços competentes do Luxemburgo, mas ninguém quis confirmar esta informação ao LUX24.

Dione S. tinha viagem marcada para o Brasil, sua terra Natal, na próxima semana, para ir visitar a família. Quem sabe fosse a sua derradeira viagem para a liberdade… Acabou por morrer às mãos de quem mais a deveria proteger!

A família da vítima já foi informada pelas autoridades sobre o sucedido e está a caminho do Luxemburgo para tratar de todas as burocracias legais relacionadas com o caso.

O LUX24 tentou, ao longo deste domingo, falar com o Cônsul Honorário do Brasil no Luxemburgo, André Bezerril, mas até ao momento sem sucesso. Contudo, o nosso jornal online sabe que André Bezerril está a acompanhar o caso de perto.

 

Paulo Dâmaso / LUX24

 

Nota de redação: Os nomes completos (quer da vítima, quer do agressor) e idades correctas foram dados omitidos propositadamente, assim como qualquer fotografia que identifique a vítima e o agressor também não será publicada pelo nosso jornal online. Seja por uma questão deontológica, presunção da inocência ou protecção de dados pessoais.

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