Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Boris Johnson tem sido comparado com Donald Trump bastantes vezes mas sobretudo fora do Reino Unido, porque quem o conhece sabe que existem bastantes diferenças.

Não se pode generalizar que pessoas com um penteado ridículo sejam sempre líderes tresloucados. Se isso fosse verdade o atual Secretário-geral das Nações Unidas seria Português mas não António Guterres, porque Paulo Bento reuniria melhores condições para o cargo.

Boris é apenas e só ele e apesar de existirem algumas semelhanças em termos de quadrante político, trata-se de uma pessoa com um percurso diferente.

Boris Johnson sempre foi um político, começou desde novo na política partidária, sempre teve o sonho de ser primeiro-ministro e para isso foi escolhendo caminhos e mudando de ideologia consoante os seus interesses.

Sem se saber muito bem como, foi eleito presidente da câmara da capital do país e criou projetos megalómanos que só trouxeram buracos financeiros e que acabaram por não se concretizar. Apenas era um lugar provisório para ganhar nome e fama de modo a conseguir atingir o seu objetivo. Pelo meio foi escrevendo e dizendo soundbites pouco comuns para chegar a uma figura romântica de enfant terrible. Acabou por chegar a primeiro-ministro sem eleições.

 

 

Como vêem é diferente de Donald Trump apesar do cabelo ridículo. Diz-se que a História se repete mas não é verdade que se repita sempre da mesma maneira. E Boris Johnson é uma figura por si só, não tem nenhum paralelismo conhecido.

Bem… A não ser que no parágrafo anterior se substituam as palavras Boris por Santana e Johnson por Lopes. É que até a comparação do cabelo ridículo funciona.

Ainda bem que a História não se repete, porque depois de Santana Lopes, quando se pensava que não poderia existir um primeiro-ministro pior, surgiu José Sócrates.

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