Coimbra de Matos, empreendedor social, escreve quinzenalmente às quintas, no LUX24

Não sei o que se passa na sociedade portuguesa, mas nos últimos dias, os ataques aos portugueses que vivem fora de Portugal, têm-se repetido a um ritmo que há muito já não via. São conversas no café, na praia, ‘posts’ no Facebook, artigos em jornais, alguns até dedicados aos portugueses da Diáspora.

Mesmo se Portugal tem 1/3 da sua população a viver fora das suas fronteiras, mesmo se rara é a família que não têm um familiar a viver no estrangeiro, mesmo se estes portugueses contribuem mais para Portugal que os fundos comunitários, mesmo se são estes portugueses que têm levado o nome de Portugal para as quatro paradas do mundo, os pastéis de nata, o bacalhau, contribuindo assim para a balança comercial, mesmo se são estes que com mestria nas artes, no desporto, na música, … têm feito acreditar que também somos bons, ou como diz o Presidente da República, têm feito acreditar que somos os melhores, ainda há quem teime em associar-nos aos preconceitos do século passado, do emigrante da “valise en carton”, das porteiras, das empregadas domésticas e dos pedreiros, também somos isso tudo e com orgulho, mas somos muito mais, SOMOS PORTUGUESES.

Quando alguns procuram repelentes para emigrantes, quando alguns não querem ouvir falar as línguas de aculturação, quando alguns não querem ver os emblemas da selecção nacional nos vidros traseiros dos carros, dão sinal de intolerância com os seus compatriotas como o fazem com os ciganos, os africanos, os indianos, que vivem em Portugal.

Se se informassem mais, veriam que a sociologia tem explicação para isso e muito mais, que são fenómenos de sociedade que merecem muitas horas de estudo e que são fruto de vivências e um contributo para a evolução humana.

Poucos se questionam porque falam outras línguas, poucos se questionam se a culpa de terem “perdido” a língua materna, não é culpa do país de origem, que mesmo sendo contribuintes líquidos, nunca os apoiou com escolas, jornais, etc. Poucos se questionam o porquê do apego à terra de origem.

Também nós ficamos indignados quando na nossa terra nos tratam por franceses, ingleses, americanos, quando nos dizem vai para a tua terra que não és de cá, ou quando as autarquias nos fazem festinhas com folclore e bombos, pois folclore de qualidade fazemo-lo nos países de acolhimento, precisamos é que nos ouçam, que tenham os serviços disponíveis para que possamos resolver os nossos problemas sem complicações.

Mesmo se não somos bem acolhidos na nossa terra, mesmo se nos vêem como estranhos, mesmo se não gostam de nos ver por cá, mesmo se não gostam de nós, nós continuamos a gostar da nossa terra, continuaremos a passar férias por cá, continuaremos a contribuir para a economia portuguesa, continuaremos a “puxar” os nossos filhos para estudarem cá, e sabem porquê?

PORQUE ACIMA DE TUDO TAMBÉM SOMOS PORTUGUESES E ISSO NINGUÉM NOS PODE TIRAR.

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