Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Olá, portugueses aí. Votos de saúde, alegria, realizações conseguidas e felizes FÉRIAS, quando chegar o seu tempo.

Numa canção de José Mário Branco, este glosando Camões na célebre frase “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, acrescenta-lhe um novo aforismo: O Mundo é composto de mudança”, duas verdades facilmente constatáveis e nem sempre pelas melhores razões.

“Para pior, já basta assim”, dispensamos alterações. Mas elas ocorrem e na semana que passou tivemos uma “mudança” que encheu de orgulho o Povo Português, porque, uma vez mais, viu reconhecidos internacionalmente a sua arte, o seu engenho, a sua prodigiosa imaginação estética.

Refiro-me à classificação do Santuário do Bom Jesus de Braga e do majestoso Convento de Mafra, alargando a classificação à contígua Tapada de Mafra. Parabéns bracarenses, parabéns mafrenses, parabéns a todos nós. Já na semana presente, no domingo 7, tivemos mais uma entrada na lista do Património Mundial, desta feita o Museu Machado de Castro, em Coimbra. Parabéns, conimbricenses e todos os portugueses, por extensão natural.

Portugal tem dezassete locais aos quais foi atribuída esta importante distinção. Termina hoje em Baku, Azerbaijão, a 43.ª sessão do Comité do Património da UNESCO e as recentes classificações saíram desta reunião magna, que reuniu pela primeira vez de 27 de Junho a 1 de Julho de 1977 em Paris, tendo, desde então, corrido Mundo ano após ano.

Os primeiros classificados de Portugal decidiram-se na Assembleia reunida em 1983 e foram o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, Açores, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar. Difícil escolher qual o mais belo, porquanto são tão díspares.

Quanto a Angra, diria que é uma joia, como joias são todas as ilhas do arquipélago, com belezas naturais de tirar o fôlego e peças arquitectónicas fabulosas. Do lote de classificados citarei apenas o Convento de Cristo, que não me canso de visitar.

No domingo, apareceu nos noticiários porque foi dia grande em Tomar: a fantástica Festa dos Tabuleiros. Visionaram-se espaços do Convento, alguns em avançado estado de degradação, o que é tristíssimo. (Ao que julgo saber, estará em curso um processo, envolvendo avultadas verbas, destinado à requalificação das áreas em causa. Espero não estar errada neste meu juízo e que as necessárias obras sejam céleres.)

Ainda outros monumentos e áreas foram anteriormente integrados na lista da UNESCO: o Centro Histórico de Évora, o de Guimarães e Porto, a Ponte D. Luís nessa cidade, o Mosteiro da Serra do Pilar, junto a Gaia, o Mosteiro de Alcobaça, a Alta de Coimbra e Rua da Sofia, o Aqueduto das Águas Livres, o Complexo Industrial da Salga e Conserva de Peixe, em Troia, o Conjunto da obra arquitectónica do grande Siza Vieira e a paisagem cultural de Sintra, riquíssima.

Paisagens naturais foram também distinguidas: os Caminhos Portugueses de Santiago, o Alto Douro Vinhateiro, Elvas e suas festividades, os Vinhais da Ilha do Pico, a Floresta laurissilva, na ilha da Madeira, sítios de arte rupestre do Vale do Coa.

E temos também o património imaterial, cujo exemplo mais recente foi a integração do Fado. Para além deste, o maravilhoso cante alentejano. Distinguidas também outro tipo de actividades: a manufactura dos belíssimos chocalhos vaqueiros de Viana do Alentejo e Alcáçovas, os bonecos de barro de Estremoz, (tão interessantes e patuscos!), a manufactura da olaria preta de Bisalhães (Vila Real), o património vivo da falcoaria, prémio partilhado com outros países de quatro continentes, excluindo a América.

Finalmente e não pouco importante, a Dieta Mediterrânea, outra distinção partilhada, na qual só Marrocos é de fora da Europa, naturalmente.

Ficam aqui óptimas sugestões de passeios e comida saudável para as próximas FÉRIAS, também para mim, que não conheço metade do aqui se lista.

Anseio pela classificação de muitos outros sítios, dos quais destacaria, assim, sem grande reflexão, o Mosteiro de S. João de Tarouca e o Castro de S. Olaia, este aqui à minha beira, quase “apagado” no sentido literal mas com uma história portentosa que é imprescindível preservar, porque a cultura é um bem inestimável.

Fiquem bem, meus queridos amigos. Marcamos encontro para a próxima quarta. Um apertado abraço, à portuguesa. Viva a capacidade de construir e de encontrar a beleza, que nos é tão própria. SQ

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