Coimbra de Matos, empreendedor social, escreve semanalmente às quintas, no LUX24.

Nestes últimos dias temos sido brindados com notícias pouco animadoras, fala-se de corrupção, fala-se de milhões para um medicamento que vai salvar uma criança, e por fim sobre «jogadas» politicas para dominar a Europa.

Será que quer o negócio das farmacêuticas, quer as jogadas politicas, não são também uma forma de subversão dos princípios democráticos e portanto uma forma de corrupção?

Se no passado a corrupção era uma exclusividade dos países pobres e subdesenvolvidos, hoje generalizou-se e, pasmem-se, até o Luxemburgo que é o país mais fiável, foi «chamado à vara» pela GRECO, pois os rendimentos dos deputados são pouco claros.

Quando ouvimos os políticos a clamarem o desinteresse dos cidadãos pela política, num ápice até lhes damos razão, mas depois de alguma reflexão, somos impelidos a pensar que provavelmente a culpa é só deles, que descredibilizaram a política, sobretudo junto dos mais incautos.

Se analisarmos bem, a corrupção é fruto da ganância, quer de bens materiais, quer de poder, e na política que é a nobre arte de governar, os detentores de cargos públicos deveriam ser o garante da seriedade, pois no mundo actual, todas as câmaras estão focadas neles, para o bem mas também para o mal, e eles servem de exemplo para a maioria do comum dos mortais.

Mas a culpa não é só dos políticos profissionais, também é nossa! de uns porque  não votam, de outros que votam sem analisarem em quem votam e por último aqueles que votam e defendem quem roubou, corrompeu, foi condenado, cumpriu pena, e mesmo assim o elegem.

Por vezes, muitos de nós que tanto militamos por uma sociedade mais justa, sentimo-nos impotentes e ao mesmo tempo traídos, por um sistema que defendemos, mas infelizmente a Democracia é o pior de todos os sistemas, à excepção dos outros, e por isso compete aos cidadãos responsáveis implicarem-se mais na vida pública, e na medida do possível fazer barragem aos corruptos, aos oportunistas e a todos aqueles que nunca nada fizeram, além de serem maus políticos.

Mesmo se muitos não querem, ser cidadão vai muito além de depositar um boletim de voto numa urna de tempos a tempos, ser cidadão é intervir na vida da ‘cité’, denunciar e se necessário manifestar o nosso desagrado, pois queiram ou não, por enquanto esse direito não podem sonegar-nos, e a Democracia continua a ser a arma do povo, mesmo contra a corrupção, por isso vale sempre a pena!

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