Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Nos jogos de futebol da seleção portuguesa era costume ouvir-se assobios que se sobrepunham totalmente ao hino da equipa adversária. Curiosamente eram essas pessoas que também faziam gritos a simular macacos quando um jogador negro tocava na bola. Que eu tenha conhecimento nenhum deles era deputado europeu.

As coisas entretanto já evoluíram e não é comum vermos esses comportamentos nos nossos estádios. Ocorreu um pequeno salto civilizacional.

Já no Reino Unido o retrocesso civilizacional faz parte do dia a dia, portanto não foi novidade nenhuma quando os deputados do Partido do Brexit esta semana viraram as costas ao Hino da Alegria no Parlamento Europeu.

Pela reação aposto que muitos deles, se pudessem também simulavam macacos se um deputado negro fizesse uma entrada de carrinho no hemiciclo.

E não seriam apenas os deputados negros, Ann Widdecombe, uma das mais conhecidas eurodeputadas deste partido, é uma conhecida por ter defendido a terapia de conversão de homossexuais por isso se pudesse também viraria as costas se tocassem o “I will survive” durante o hastear de uma bandeira arco-íris.

Não sou fã de todos os hinos, mas o Hino da Alegria foi composto por Beethoven. E estes deputados, tal como o cessante presidente da Comissão Europeia, até gostam de ficar alegres. Pelo menos que respeitassem um dos mais importantes compositores clássicos. Virar as costas a uma composição sua é como considerar Beethoven abaixo, ou pelo menos ao nível de cão.

Se calhar é mesmo isso, o único Beethoven que os deputados do Partido do Brexit conhecem é um São Bernardo na televisão de domingo à tarde. Não têm cultura para mais.

Caso não saibam o Partido do Brexit foi criado em seis semanas por Nigel Farage e alguns compinchas quando perderam o controlo do seu anterior partido para a ainda-mais-extrema-direita. E arranjar à pressa gente que vota Brexit e que queira viajar para outros países regularmente deve ter sido um bocado difícil mesmo com salários de quase 7 mil euros por mês.

Por isso é normal que o nível de instrução destas pessoas não seja muito alto e elas façam estas figurinhas no parlamento.

Os portugueses gostam muito de dizer mal dos seus deputados, por exemplo, que eles nos envergonham lá fora, etc. A verdade é que nem o Marinho e Pinto chegou aos calcanhares deste bando de comediantes.

Caros eleitores portugueses: tanta abstenção deu nisto. Vejam lá o que fazem na próxima.

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