Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) retomaram as negociações das nomeações para os altos cargos europeus, depois de terem adiado hoje o reinício da cimeira extraordinária durante cinco horas.

“Esperançosamente, esta será a minha última atualização e uma positiva: o almoço do Conselho Europeu começou”, escreveu o porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Preben Aamann, na sua conta na rede social Twitter.

O reinício dos trabalhos do Conselho Europeu, suspenso desde a manhã de segunda-feira, estava inicialmente agendado para as 11:00 em Bruxelas, mas foi sofrendo sucessivos adiamentos, por estarem a decorrer encontros bilaterais e multilaterais entre líderes europeus.

Na segunda-feira de manhã, e depois de uma longa e infrutífera maratona negocial, Donald Tusk anunciou a interrupção do Conselho Europeu perante a impossibilidade de chegar a um compromisso sobre as nomeações para os cargos de topo.

Os líderes dos 28 chegaram à cimeira europeia às 18:00 locais de domingo (menos uma hora de Lisboa) e estiveram reunidos, a 28 mas também em encontros bilaterais e várias rondas de consultas, durante 18 horas, antes que o político polaco reconhecesse o “fracasso” das negociações e agendasse o reinício da reunião extraordinária para as 11:00 de hoje.

Depois de já ter falhado um acordo na cimeira de 20 de junho, o Conselho Europeu voltou a não entender-se, em torno das soluções propostas, com vários líderes do Partido Popular Europeu (PPE) a oporem-se à solução negociada, em Osaka, entre a chanceler alemã Angela Merkel (PPE), o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez (Socialistas) e o Presidente francês, Emmanuel Macron (Liberais), que previa a designação do socialista holandês Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia.

Perante a oposição dos líderes do PPE, do grupo de Visegrado e da Itália à nomeação de Timmermans para a presidência do executivo comunitário, o nome da ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, emergiu esta manhã como uma solução mais consensual do que o do socialista holandês.

Próxima de Angela Merkel, Ursula von der Leyen parece reunir o apoio dos líderes da sua família política, o PPE, assim como dos de Visegrado (Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia), que rejeitavam terminantemente que Timmermans, o atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia e o principal ‘rosto’ de Bruxelas nos ‘braços de ferro’ com Polónia e Hungria devido às alegadas violações ao Estado de direito naqueles países, liderasse a Comissão.

Com os hipotéticos nomes para os cargos de topo da UE a mudarem quase minuto a minuto, o do primeiro-ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, apontado para a presidência do Conselho Europeu, é o outro que, de acordo com fontes europeias, ainda se mantém como uma solução viável no ‘pacote’ que está ser negociado.

O Parlamento Europeu já tinha decidido adiar a eleição do seu novo presidente, que estava agendada para hoje, para quarta-feira, esperando que até lá o Conselho chegue a um compromisso na negociação do ‘pacote’ das nomeações dos cargos de topo da UE.

Embora a presidência da assembleia europeia seja decidida pelos eurodeputados, é tradicionalmente também negociada em ‘pacote’, juntamente com a presidência da Comissão, do Conselho Europeu, do Banco Central Europeu e o cargo de Alto Representante para a Política Externa, de modo a serem respeitados os necessários equilíbrios (partidários, geográficos, demográficos e de género) na distribuição dos postos.

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