Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Esta curta-metragem americana, realizada por Taylor Cohen, narra as formas extremas a que uma adolescente recorre para conseguir entrar em contacto com um famoso DJ através de uma rede social.

Em primeiro lugar tenho a salientar a magnificente parceria estabelecida entre o realizador e o director de fotografia Larkin Sieple (destacou-se com o filme “Swiss Army Man”, 2016)! Ambos conceberam um filme assustador, numa ilustração claramente acima desse sentimento básico, explorando o lado de um fã que pode ou não ser perigoso na adoração de uma celebridade que, actualmente através do mundo digital pode conceder a qualquer pessoa uma falsa sensação de acesso a famosos.

Prepare-se para assistir a 8 minutos e 15 segundos de filme que lhe irá promover uma reflexão séria sobre como actualmente o papel dos pais pode influenciar decisivamente na formação da personalidade, temperamento e caráter dos seus filhos.

Será que a contínua “ausência parental”, por imposição social e laboral, deixará “órfãos” crianças e adolescentes que são “obrigados” a praticarem desportos ou actividades culturais das quais não gostam?

A alternativa com ocupação de tempos livres “acorrentando-os” às escolas ou matriculados numa creche com horários extremamente flexíveis são a solução para que o melhor tempo de convívio entre filhos e pais fique confinado ao trajecto casa/escola?

Na direcção de fotografia é importante referir a escolha pelo formato 4:3 o qual implicitamente empola a acção narrativa num ambiente psicológico claustrofóbico e até mesmo psicopático o qual está intimamente ligado ao personagem.

À conversa com Taylor Cohen (destacou-se com o filme “Acid Girls”, 2014), percebi que a escolha da câmara Arri Alexa Mini com uma lente Canon k35 enriqueceu a estética visual conferindo algum grão em cirúrgicas cenas menos iluminadas que aumentam e muito a intensidade dramática com enquadramentos soberbos.

A utilização de zoom lento para aumentar a tensão e diminuir a velocidade do espectador para o ritmo sinistro e assustador do filme é a forma de Taylor e Larkin se certificarem que o afastamento em relação à linguagem visual de realizar videoclipes é logrado.

A banda sonora é crucial nesta curta-metragem, apesar de aludir ao DJ Deadmau5 (conhecido pelas suas composições de house progressivo), Strobe (referência ao álbum), acabam por não ser usados no filme pois Taylor sabia desde início que não queria música eletrónica sendo que Strobe seria apenas ouvido como som diegético nos headphones da personagem!

Como praticamente não há diálogo nesta curta-metragem, Taylor estava ciente que a pontuação seria muito importante para contar a história e, a compositora Katy Jarzebowski (destacou-se com os filmes “After Spring”, 2016, e “Clementine”, 2019), concebeu o inesperado ambiente para uma narrativa integrada no mundo do DJ.

Depois temos o gato, bonito, mas complicado de trabalhar no set de rodagem… os treinadores de animais aqui desempenharam um papel determinante, criando a simbiose perfeita com a actriz Maia Mitchell (destacou-se na série “The Fosters”, 2013–2018).

O desempenho fenomenal, da jovem estrela de TV que para além de emprestar o corpo à personagem, sobressai com uma intensa e verosímil performance dramática que não deixará ninguém indiferente!

O facto de a personagem ser baseada na sua própria experiência com a fama e insegurança torna o enredo deste filme ainda mais interessante e, perceber como os seus fãs têm reagido ao seu desempenho psicopático em Strobe, uma experiência reveladora para todos os envolvidos na produção deste filme.

Por fim, a curta-metragem foi concebida para resultar enquanto pitch (apresentação sumária de 3 a 5 minutos com o objectivo de despertar o interesse de produtores) devido à dificuldade em encontrar uma forma de produzir o original argumento para uma longa-metragem. Por esta razão a curta foi publicada directamente na conta pessoal de Taylor Cohen, na plataforma VIMEO, para chegar ao maior numero de publico possível e potenciar a captação de produtores em detrimento de participar no longo percurso pelos festivais de cinema.

Bom filme!

 

Assista aqui à curta-metragem:

Publicidade